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sexta-feira, outubro 10, 2008





















digam-me onde há glória!
quero Glória, em pires
ou dentro de latinhas
de cerveja
para consumo imediato
ela me enlouquece
embriaga e engana
fode-me por ter
credibilidade

depois do Katrina
ou que nome tenha
o furacão-menina
seja na janela
ou na latrina
o cuspe, o vômito
e o gozo renovam-me

e se existe glória nesse mundo
quero-a assim, com nome de mulher
quero foder Glória!
e toda sua história
mentirosa e infame
com sotaque de redenção
e acompanhem-me os coros de
“Glória, glória, aleluia
glória, glória, aleluia!”

terça-feira, maio 20, 2008




as ampulhetas têm furos
por onde vazam
grãos finos de areia
qualquer hora,
terei que revirar

em algum momento
estarei vazia de mim
e cheia desse nada que consome
animas humanas

é como me sinto
um embuste dentro
de tantos outros
sou ampulheta de vidro
olham-me e não me vêem.

quinta-feira, abril 17, 2008





“O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter.” - Jean-Paul Sartre

autodestruição

desejei o submundo
o cais do porto
a maresia que guarda tudo
o cheiro da morte

faltou-me o nome
sobrenome, pão
memória e costela
e ainda quis o desterro

destruí minha retórica
remoí minhas vísceras
e servi no jantar
com vinho barato

venéreo, contaminei algumas
virgens astutas
doces prostitutas
e carolas malamadas

desfolhei cadernos
anotações rasas
versos nulos
para amores vãos

e só tenho o que não quero
palavras falhas
mãos calejadas
e pensamentos execráveis

a vaga lembrança
que resplandeci
talvez amei, não sei,
já faz tanto tempo

antagônico aos desejos bobos
quereres utópicos, ouro dos tolos
almejei apenas ser sozinho
e não sou.

quarta-feira, março 26, 2008



balada da mulher cansada


manhãs douradas
que não suportam
o peso dos ombros
de uma proletária
da fábrica e dos amantes

a escrava da balança
a herdeira da pobreza
sem força para ser bela

solitária
entre o caos concreto
e coágulos de vida

não alimenta o céu
nem amamenta
e acalanta o dia
dorme no metrô

mas não lembra dos sonhos.



(fotografia e poema de minha autoria protegidos pela lei de direitos autorais)

sábado, março 22, 2008




hoje é o dia
de minha libertação

deixo as letras
cansei de me explicar
aplacada
por minhas incertezas
e meus signos tortos

cravo-me no silêncio
visceral

não há palavra
só há insatisfação
não há realidade
apenas interpretação.

(imagem e escrito protegidos pela lei de direitos autorais)

sexta-feira, março 07, 2008



equilibro-me entre o caos de teu rosto e o abismo

em teu rosto
não basto-me
nem em tuas sombras infinitivas
e pálpebra intuitiva
caída no regalo de meu ser
talvez por definir-me
tão crua e improdutiva
quem sabe seja
em minha ânsia
por querer demais.

no abismo sóis infinitos
lembram-me que sou noites em claro
passantes apressados
pisam sobre minha aparente calma
edifícios altos
e vazios imensos
apontam-me quem sou
sons distorcidos
destoam de mim
estou palavra cheia.

segunda-feira, julho 30, 2007


A fábula do vidro e do tijolo
pela vidraça vê-se o muro
vê-se furos
no paladar!
não há o que se esconda
e se oponha
à dor de fronha
e a amores de chafariz
é tudo tão caro
que o metal não pode pagar
beijara teus tijolos
e ainda trazia na língua
os esporos alheios
enganando-se cotidiano
e os olhos secos se fecham
na esperança da chuva
da fonte na praça central.

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quarta-feira, julho 11, 2007



perceber-se estopim de tudo
ai que uma faísca
ai que a explosão
cretina ponta, volúvel chama
que incendeia

percorre altiva seu caminho
de pó e pólvora
de um ponto pequeno
à expansão abrasiva
avassaladora

e de uma dor ínfima
ao prazer destrutivo
dilatam-se e unem-se
por um segundo
entre o ardor e a diluição

fracasso maior
é não querer ser o fogo
não se entender a gota
o cuspe, o escarro
ter na liga o todo

o poder de ser e findar
na ignorância do estalo

aniquilação.


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segunda-feira, julho 02, 2007


memórias e lítio

só há mais lucidez
nos olhos vidrados
absorventes
retratos de Goya
tão perfeitos, tão humanos
e salve o polido insano
e se faça a ode ao engano
ao hímen dourado
da moçoila puritana
ao pênis virgem do sacerdócio
só há mais lucidez
mais apologias ao haxixe
ao vício, à embriaguez
reverências ao art. 216, Lei nº 11.106
festejem com bebida
com dança tribal e corpos pintados
com césio 137
na ignorância que vos compete
comemorem as vergonhas da humanidade
elegias à guerra e à pena de vida!

terça-feira, junho 26, 2007


Príapo

Todos os meus sóis são regidos por ti
E minha translação difusa
Nada confusa, gira em torno
De teus quadris
Ah, tão gentis!
Em minhas rotações espontâneas
Meu eixo se faz aqui
Nem me importa tua boca
Se nada me diz, beije-me!
Quero teu colo
Teu acalanto
Teu falo, teu falo,
Tão falha sou
Em minha luxúria
Balzaquiana, mundana,
Ouso ainda gritar teu nome
Em vão
Quase que como o pão
Que não me pode faltar
É teu todo o meu sangue
Teus sentidos, meu motivo.



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segunda-feira, junho 11, 2007


Vadio e vago
Canta meu verbo
Arredio de rimas
Preso em versos
Bravo e seguro
No atono tom
Falta-te sonhos
Odeia ilusões

Cândido e vencido
Amarelado e puído
Rasga-se em notas
Oxidadas como a vida
Vê o verso parido
Falho e carcomido
Que desce como baba
Viscosa e mal cheirosa

Tardio e avulso
Solto de impulso
Numa voz que se cala
E num descuido fala
Vá e sê livre
Rompe a dor interna
Instala-se nos cantos escuros
E nas sombras da ignorância.

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segunda-feira, junho 04, 2007



Impero-te soberana
Sou rainha de teus poros
Musa de teus pensamentos
Não respiras sem mim
Meus olhos te protegem de tudo
Minha boca profetiza tua história
Minhas mãos afugentam teu medo
Minha voz faz vibrar teu coração...
Só conhecerás a felicidade ao meu lado
Sou teu centro, teu absurdo
Meus ombros carregam tua vida
E cativei-te sempre
Para ter-te por completo, no fim.
Convido você, caro leitor a conhecer:

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quarta-feira, maio 30, 2007

(fotografia de Simon Pais)

Primeira elegia

a pena e a mente travam uma luta
do querer e não querer
debulhar o rosário de adoração
pelo homem
a pena revoltada
por não ser o centro
chora em mata borrões
pesados e nega-se à escrita
enquanto a mente produz
o mais perfeito verso
preso em algum céu de boca
desconhecido
vago visgo da falta de retórica
primeira de tantas que viriam
primeira elegia ao homem que fala
“Ai, ele fala, em meus ouvidos pagãos!”
sussurra em orações profanas
o sonho ladino de noites
não dormidas,
só quero ouví-lo
nos risos silenciosos ou não
na boca perfeita
no conjugar do gozo imperfeito
que procurei por largo tempo.
Convido você, caro leitor a conhecer:

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segunda-feira, maio 28, 2007

(Fotografia de Simon Pais)

minha língua negra
de escárnio e mal dizer
não se cansou de profanar os cúmulos
e fere
deliciosamente lambe
as vergonhas alheias
desnuda as virgens santas marias
descarna os sacerdotes puros
falseia
e ri de tudo
toda prosa se reinventa
cuspida e ardilosa
chama a dor de gostosa
e gargalha-se
do mal
minha língua preta
de tanto lamber o sapatos
agora é pura graxa de estação
que molha os trilhos
e leva ao tesão
cantem a língua da maldita
da senhora treva
que faz todos dançarem
em torno de si
olhos de fogo
hão de arder em seu sexo
e em chamas
chamará meu nome
sou a lama em que todos chafurdam
sou a cama em que todos se entregam
sou a gota menor
do veneno maior
sou língua profana
que a todos inflama.

segunda-feira, maio 21, 2007


ame-me mais algumas vezes
venere-me como um templo
de gozo efêmero
idolatre-me como se fosse um deus
pois estou de saída
não sei quando volto
não sei se volto
estou às voltas
com um novo mundo
cheio de vertigens
não sei se volto
nem me ame mais
por saber da verdade
não quero mais ninguém
comigo, ouvindo-me
se eu gritar
se eu gemer
se eu chorar
se eu morrer...
os dias que tivemos
foram gentis
mas deixe-me agora
num último beijo
e meu caminho estará livre
sem explicações
e se eu dormir
deixe-me outro beijo
farei só, meu caminho insano.

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quarta-feira, maio 16, 2007



queria te acordar hoje
como se fosse dia branco
como se esquecida de mim
quem dera não me lembre
que é mais um dia brando
repleto de falta tua
ignorando quem sou eu...

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