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sexta-feira, abril 21, 2006

Dorme doce e beato Endimião
Que velarei dos céus teu sono
Escolhera ceder-se à sua paixão
Pois do teu destino quis ser dono.

Abandonaste as ovelhas, teu campo,
Para sonhar com tua felicidade pura
Que na realidade fez-se neste pranto
Ao ver-te preso nesta eterna clausura.

Desejou-me com desesperado fulgor
Jurando-me teu desaforado a amor
Atirando tua vida contra meu pudor.

E vendo-o dormir eterno jovem, chorei,
No horizonte, cheia de minha dor brilhei,
Amaldiçoada, amada por outros serei.


PS.: "Conta a lenda que Edimião nutria um violento amor à Lua. Mas ela (Lua) ignorava-o, por não se misturar com mortais. Edimirão era pastor jovem e de grande beleza. A pedido de Selene, Zeus prometeu a Edimião realizar qualquer desejo seu, e este escolheu o sono eterno, pela certeza de jamais ver seu amor correspondido e adormeceu, continuando jovem perpetuamente. De acordo com algumas versões, foi durante seu sono perpétuo que a Lua o viu e apaixonou-se".

RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.
Convido você leitor, para que visite meu blog de prosa:
http://www.larissamarquesemprosa.blogspot.com/

quinta-feira, abril 20, 2006

Auto-retrato

Eu, que não sou alta nem baixa,
Nem tão gorda
Muito menos, magra.
Não sou de direita,
Mas também não sou de esquerda
Escrevo, mas não muito bem,
Aliás, nada me faz sensacional,
A não ser por um dia
Em um jornal.
Passo desapercebida,
Quando não me olham muito.
Tenho sorriso largo,
E um coração profundo
Mas de que me vale isso
Se está cego o mundo?
Um dia nasci
E disseram
“Saiu ao pai”
“Cuspida e escarrada”
Nem sei se sou,
O que digo que sou.
São tantas possibilidades,
E um mundo cheio delas...
Contraditória ou transitória
Acho que é assim que sou...


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Inocência

Brincava com o vento indeciso
Não pensava em solidão
Não pensava em destino
Tinha todos os sonhos
E cantava com o vento...

Brincava com o vento indeciso
Não pensava em hora
Não pensava em morte
Tinha todos os dias
E sonhava com o amanhã...

Brincava com o vento indeciso
Não pensava em furacões
Nem em tormentas
Tinha todo o querer
E queria crescer...

Já não brinco com o vento
Já não ouço sua voz
Já não corro mais
Cresci, mas minhas raízes são profundas,
Meus galhos duros e secos.

Já não danço mais
Já não me entrego
Já nem quero mais
Estou cansada de tudo
Até de almejar a paz.

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quarta-feira, abril 19, 2006


Ah, aquele tempo que não volta mais
E essa saudade iludida
Que teima em angustiar-me
Que volta do mar do esquecimento
Em ondas espumantes no mar
Em brumas flutuantes no ar
Ah, essas lembranças que não me largam
E alagam meu peito
Com o saudosismo de outrora
Que vingam agora no descontentamento.

Ah, aquela carcaça náufraga no oceano
É preciso ir fundo para encontrar-me
Fragmentos do que um dia fui
Cacos de um ido e submerso
Passado feliz
Pedaços de um eu que não sou mais
Ah, esse tormento que me persegue
E que logo me esqueço
Pois a saudade e a dor vêm e vão
E vagam agora no meu esquecimento.



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terça-feira, abril 18, 2006


Ah, esse outono,
Que toma a minha’lma
Cansada de sol
Caem, finalmente, as folhas,
Tudo fica opaco.

E os caminhos do céu
Abrem-se,
Aguardando o inverno.
Teria me amado
Ou foi apenas nuvem.

Ah, esse outono,
Tomou minha’lma
Cansada da calma
Do teu olhar...
Tudo ficou opaco.

As nuvens se foram,
Como se fossem
Tudo de mim
E o céu ficou,
Aguardo o inverno chegar.
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domingo, abril 16, 2006

Nossas sombras escorregam
Pela penumbra quase tímida
Escutam nosso suor e gozo
Neste lento e vicioso afago
Que nos embala o corpo
Tenho-te completo
Em órbita na minha cintura
Éramos barro
Somos carne
Lábios nervosos
Línguas obtusas
A fumaça toma o ambiente
Bailamos com ela
Vaporosos
Gozosos
Somos sombras
Submersas na escuridão.

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sexta-feira, abril 14, 2006

número 1 Lucas Rafael Nolli

É sempre um prazer estar aqui falando de escritores jovens e talentosos, Lucas Rafael Nolli Duarte ou simplesmente L. Rafael Nolli, como se apresenta, é mais um desses doces encontros nessas minhas viagens cibernéticas. Mineiro, da cidade de Araxá, nascido em 1980, esse menino já tem um livro de poemas publicado, intitulado “Memórias à beira de um Estopim."

Diz que seria complexo falar de influências literárias, pois tem várias, desde Dostoevski, Gabriel Garcia Marques, Cecília Meireles, Augusto dos Anjos, até Nietzsche! Disse que não queria esquecer nenhum de seus preferidos. Confessou ainda que o teatro, o cinema e a música tiveram e têm um papel importante em sua formação intelectual.

Seu estilo está longe de ser estilizado.Garante não se seduzir por manobras estilísticas, tão comuns na poesia atual. Gosta de trabalhar a sonoridade, na interação de palavras e signos, e diz usar seu verso para atingir as pessoas, rechaçando o típico poeta que se distancia da realidade e não usa da poesia como instrumento modificador ou como movimento de quebra com a elitização da poesia.

Num primeiro momento, vi traços de rebeldia nele, na sua escrita disforme, sem regras rígidas, mas isso foi se dissipando, por notar que sabia perfeitamente o que estava fazendo e que era algo premeditado, arquitetado em sua mente brilhante.

O que mais me agradou, na escrita de Rafael, foram suas aliterações, ele faz música, brinca com as palavras de uma maneira desajustada e encantadora, mas parece que faz isso de propósito também. É um jovem engajado, participa de movimentos interessantes, tanto em blogs quanto em comunidades do Orkut.

Como eu, Rafael tem se dedicado muito aos blogs e a essa nova geração (poetas, músicos, artistas plásticos, pintores) que usa a rede para divulgar sua arte.


Recomendo:
Canção de Ninar
Dança das Nove
Poema de Amanhã
XXXII

Blog:
http://nolli.zip.net/

Boa semana, e até a próxima!

Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.

O objetivo maior do meu trabalho é a troca, por isso há espaço para comentários no rodapé da página.

Dúvidas ou sugestões:

larissapin@hotmail.com

quinta-feira, abril 13, 2006

Contarei aos sete ventos
Morreu um homem das massas
Virou brinquedo das traças
O ilustre desconhecido

Contarei aos sete ventos
Que sua foto não saiu no jornal das oito
Que era amigo, não era político,
O ilustre desconhecido

Se eu morrer
Contem aos sete ventos
Para que todos saibam, como agora sei.

Que todos os ventos carregam
Todas as notícias
E que outro ilustre, morreu.

Agradecimentos especiais ao fotografo Paulo Brasil, autor da fotografia que ilustra meu texto. Você poderá ver mais trabalhos do Paulo Brasil no endereço:http://www.flickr.com/photos/tags/paulobrasil/RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.

Hoje seria o aniversário de 60 anos de meu pai.

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terça-feira, abril 11, 2006

Confissão

Não tome meus versos como confissão
Mas como um desabafo crônico
Que teima em avassalar as entranhas
E queima em minhas palavras.
Não tome meus tormentos como seus
Pois não são
Tenho uma alma atormentada
E um coração cheio de amor vão.
Não tome meus sentimentos como água
Eles são densos como vinho
Rubros como sangue
Embriagam quem os degusta
Assustam os desavisados.
Não tome meus segredos
Pois eles são fortes como absinto
E ao mesmo tempo frágeis como o cristal,
Quebram-se como a esperança.
Não tome minha vida
Que é só minha
Não te permito
E me dou o direito
De tragá-la sozinha.
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sábado, abril 08, 2006

Gula

E viva os padres pedófilos
Que devoram nossa infância!
Viva a corrupção
Que morde nosso pão
E cospe para a inflação!
Viva os poemas falsos
Que abrandam a alma
E alienam o discernimento!
Viva os pobres de espírito
Que herdarão a terra!
Viva as putas pobres
Que se trocam por pão!
Viva os pães doces,
Os pães salgados,
Os pães amargos!
Ave o Papa gordo,
Os papa-gordos,
E também os corpos magros,
Esqueléticos,
Dos raquíticos e esfomeados!
Viva a comida farta!
Viva a miséria!
Viva o arroto guloso!
E o gemido faminto!

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