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quarta-feira, maio 24, 2006

Amor,
Rodo nessa cidade estranha e fria
de barro, pedra e pó.
Muita falta tua
Conto casais de pombos,
na torre da Igreja da Sé
Deus, e são noventa e três dias e
ainda dezessete horas.
Rodo na cama ruminando pensamentos
ai saudades, por estar só,
Ai, quantas saudades tuas!
Então teus olhos repousam nos meus
Assemelhamos-nos e jamais estaremos sós,
nem em desejos.
Deus, e são incontáveis noites de lua nova,
e infinitos dias de chuva
Fugi disso e hoje entendo que não posso fugir.
Guardo em mim furacão esquecido
que em nós se instala.
Agradecimentos especiais ao fotógrafo Paulo Brasil, você poderá encontrar mais trabalhos dele no endereço:
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.Convido você leitor, para que visite meu blog de prosa:
http://www.larissamarquesemprosa.blogspot.com/

sábado, maio 20, 2006

Lábios malditos
Fazem-me morte,
Amarga como o mal,
Das palavras não ditas,
Nesse cale-se de vozes
Num trago infindo, Sem ruído,
Sem sossego,
Sem esperança.
Lábios malditos
Aprisionam-me
Tomam-me como
Cálice de silêncio e dor.
Degustam-me gota a gota,
Desço em seus cantos,
Permeando-lhes
E borrando-lhe as faces,
Com meu veneno.
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sexta-feira, maio 19, 2006


A neblina encobre o topo
De minhas falésias preocupadas
E as formigas suicidas
Escapam pelas orelhas,
Vertem pelas narinas.

Não quero mais palestras,
Não quero mais doutrinas,
Vejo só a dança do véu
Da fumaça que não dissipa
Da nuvem que não passa.

Quero creolina,
Quero Liana,
Quero catarata,
Quero marina,
Quero ninar.
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quarta-feira, maio 17, 2006


E o que tinha de ti despedaçou-se
Como rosa murcha
Que solta suas pétalas
Que se vão ao vento
Nem se quer se lembram
Que foram rosa, um dia...
E poderia ter segurado,
Antes que se despedaçasse,
E guardado essa rosa dentro de um livro
Mas esse é o curso das coisas,
Não se pode deter a força do mundo...
Poderia ter pedido para que ficasse,
Mas já não queria tanto assim.
Mas a agonia de ver tudo desmoronar
Foi inevitável.
Poderia ter chorado,
Mas nenhuma lágrima veio
Só nos restou o adeus
E aquela vontade imensa de liberdade...
Para que outras rosas possam brotar.
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segunda-feira, maio 15, 2006

Não perca seu tempo
Tentando me entender
Eu já tentei explicar-me
Mas agora vivo
Mergulhado no meu asco
No meu ódio,
Sinto-me pressionado,
E o curso das coisas
Toma a minha paz,
Leva-me a derrota fatídica,
E penso que tudo mais pode esperar.
Não gasto minhas horas
Com o mau gosto,
E muito menos com visões premonitórias,
Clara nos olhos alheios.
Pois no túnel escuro que me encontro,
Enxergo as sombras da realidade
Que me martirizam.
Não me parece o melhor caminho,
Pois não há salvação para “cristos”, “budas”...
Prefiro a solidão à traição.
Não desperdice seus dias comigo,
Perceba a escuridão que toma tudo,
O desespero da humanidade,
Escute as vozes do andar debaixo,
Por que as verdades estão presas em quatro paredes
Com apenas uma porta de saída.
Não perca seu tempo
Abrindo a porta
Para seus inimigos.

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domingo, maio 14, 2006

número 2 Fabrício Carpinejar

Vou destacar hoje o trabalho de Fabrício Carpinejar, poeta, jornalista, gaúcho, nascido em 1972, na cidade de Caxias do Sul, filho do casal de poetas: Maria Carpi e Carlos Nejar, de onde tirou inspiração para seu sobrenome artístico a junção dos sobrenomes dos pais.

Carpinejar traz ao leitor sua voz interna, de maneira lírica e apaixonante e confesso ainda estar sob o efeito de seu livro “Um Terno de Pássaros ao Sul”. Seus poemas cheios de suas peculiaridades subjetivas e a sua maneira de moldar a sintaxe e os signos impressionam. Passeia entre a linguagem poética e a visão mítica imprimindo seu estilo único.

Sua busca interna se assemelha e por que não dizer que é a mesma de todo ser humano, consegue tocar a memória ou o consciente coletivo, longe de dizer que é um escritor comum, mas seu tom intimista faz com que nos sintamos próximos dele, e por vezes ouso dizer que me senti em sua pele, em suas indagações.

Vi em sua obra uma busca por suas raízes no livro “Um Terno de Pássaros ao Sul”, o amor que tem por elas, como também é visível sua busca do por vir, um confronto com seu futuro, retratado belamente no livro: “Terceira Sede”, onde discorre sobre o seu futuro no ano de 2045.

Fabrício flutua entre o que viveu e o que imaginou, e não há uma linha que divida esses dois estágios, permeia nossa leitura com sensações que consegue descrever com tanta clareza e sinestesia que nos dão a dimensão de serem reais. Com seu tom humano de se mostrar, retrata o amor, a perda, o desencanto, os sonhos em suas viagens humanas.

Lida com as palavras livremente, o que é uma tendência da poesia contemporânea, não há ritualização para a escrita, é mais uma escrita confessional, impregnada do trivial, cotidiano e passeiam pelo universo paralelo de sua subjetividade numa fluidez que impressiona. Mas não quero defini-lo como poeta contemporâneo, não vejo uma divisão clara em seu estilo para encaixa-lo em parâmetros de movimentos literários.

Carpinejar é um insulto, é a bofetada latejante na cara da desconfiança e do descrédito aos “jovens poetas”, para talentos não existe idade, existe preparo, estudo, dedicação, em qualquer área de atuação, inclusive a escrita.

Recomendo:
Um Terno de Pássaros ao Sul
Terceira Sede

Visite o sítio oficial do autor:
http://www.carpinejar.com.br/

Desejo uma boa semana e até a próxima!

Nota: O escritor lançou na última quinta-feira, dia 16 de março, seu primeiro livro de crônicas: “O Amor esquece de Começar”.

quinta-feira, maio 11, 2006


O céu que nos vigia
Poderia ser o céu que nos condena
A essa vida pacata,
De rotinas macabras,
De vai e volta
Sem latência,
Na deficiência das horas.
Esse cotidiano que no cerca
Nos aprisiona no mar
De idéias ruminantes
Para prover o que não ter
Que insanidade...
Esse marasmo de nada,
Essa conduta respeitável,
Terno, carro, gravata, trabalho.
O esquecer dos dias de sol,
Agradecer os dias nublados.
E na televisão querem nos convencer
Que a meia vontade é o bastante,
Querem nos iludir,
Só precisamos de boa comida,
De um terno,
De um carro,
E uma gravata.
“Esforce-se”,
“Enforque-se”
Para quê?
Para quem?
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quarta-feira, maio 10, 2006


Numa vertigem febril
Já não sei quem sou
Ou o que é alucinação
Vejo-me partido em mil
Estou só
Sem foco
Sem direção.
Suores do pavor
Absorvem a minha dor
Mas não há alívio.
Inflado por males múltiplos
não me entrego à inanição
Vejo-te em mim
Num dos meus pedaços
E ri, degola-me,
Zomba de meu afeto
De minha loucura sã.
Minhas mãos são flores
Meus dedos tentáculos nocivos
Que rasgam minhas vestes
E violam meu corpo
Buscam o alívio
A confissão
A expiação.
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Perdida em tuas unhas negras
Que quase revelam tua alma
Mergulho num fosso sem fundo
De onde não quero voltar
Já não ouço mais vozes
Não vejo mais gestos
Nem se dá conta do desprezo
Que me cabe
Restam de ti tuas linhas retas
Tuas caricaturas de overdose
Teu desencanto que beira ao encantamento
Tua vontade vazia de estar d’outro lado
E tuas unhas negras
Que bailam sobre meu olho absurdo
Que teimam em me guiar.

Agradecimentos especiais ao amigo Fernando Couto, modelo e idealizador da fotografia que ilustra o poema, que foi inspirado nesta imagem.

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segunda-feira, maio 08, 2006

Olhe dentro de mim
Analise minhas vísceras
Sente em seu trono
E diga-me francamente,
O que roubará de mim?
Do que precisa?
Procure nos cantos escuros
E nas luzes do meu ser
E se ainda houver
Algo valioso, leve!
E diga-me francamente,
O que mais arrancará de mim?
O que procura?
E na sua loucura
Não tente me tomar
Não estou a disposição
E sei no que acreditar
E diga que não quer nada de mim
Onipotente,
Volte de onde veio
Vá com sua supremacia
E me esqueça
Deixe o que é meu
E diga que não sou nada
E deixe-me viver em paz
Quero saber que pecado cometi
O que fiz de tão errado pra você
E o que te dá o direito de me julgar
E o que te faz perfeito.

A ilustração é de minha autoria.

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