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quinta-feira, julho 27, 2006


Às vezes me olho no espelho
Como que para encarar
Meus olhos tortos
E entender que ainda sou
Aquela menina
Que tinha medo de passar
Pela Avenida da Saudade
E ouvia o lamento dos mortos
E via o desespero dos vivos
Aquela menina
Que não queria ouvir
Que não queria ver
E o que me importa
Saber das conchas
Hoje, atenho-me aos caramujos,
Que diferença faz
Ainda sou aquela menina
Que andava sem rumo
E que um dia não fugirá mais
Terá teu leito
Na Avenida da Saudade.
Agradecimentos especiais ao fotógrafo Paulo Brasil, você poderá encontrar mais trabalhos dele no endereço:http://www.flickr.com/photos/37837202@N00/
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.
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Estréia: “Dinheiro Grátis” de Michel Melamed

Estréia: “Dinheiro Grátis” de Michel Melamed

Em nota especial falarei do espetáculo “Dinheiro Grátis” de Michel Melamed, que entra em cartaz dia vinte sete de junho. Esse poeta, carioca, vinte e nove anos é meu ídolo, sendo assim não poderia deixar de convidar meus leitores que moram em São Paulo para prestigia-lo.

Com sua chamada para a estréia é: "Se tudo tem seu preço e o homem é tratado como mercadoria, vamos tratar, então, o dinheiro como gente", ele faz com que o espectador reflita sobre a banalização do ser humano, de suas relações sociais e da linha tênue que separa a ética e o mercantilismo.

Como no seu primeiro espetáculo “Regurgitofagia”, Melamed trata diretamente com o público que participa voluntariamente do espetáculo, conseguindo assim além da participação, a compreensão da mensagem que está explicita na peça.

Diz que seu teatro é uma transgressão em forma de conteúdo, e a julgar pelo sucesso de público, Melamed atinge seu objetivo.

Para quem mora em Sampa:
Dinheiro Grátis. 70 minutos de duração, maiores 14 anos. Tucarena, Rua Monte Alegre, 1.024, Perdizes. Sextas-feiras e sábados às 21 horas; domingos às 19 horas. O ingresso custa 40 reais e às sextas-feiras, 30 trinta reais. Em cartaz até trinta de julho.

sexta-feira, julho 14, 2006

número 4 - Claudio Eugenio Luz

Como o escritor da semana passada, encontrei Claudio Eugenio Luz, por acaso ao comentar um poema de um amigo em comum, e ao me deparar com seu “blog” apaixonei-me por seu estilo. Escritor, nascido em 1968, em Agudos, interior de São Paulo, e radicado em Santo André, no ABC paulista. Estreou sua vida literária - impressa em 2005, na revista Literatura número 30, editada pelo escritor Nilto Maciel, em Fortaleza, estado do Ceará.

Está preparando seu primeiro livro, intitulado “Perambulando pelo Caos”, mas como outros tantos escritores aguarda o olhar atento de alguma editora. Sua escrita é constituída de contos estonteantes, que retratam de forma rica, a infância, a urbanidade, interiores, interioridades e amores.

Seus textos breves e densos levam-nos ao paraíso e ao inferno de suas percepções individuais, mostrando-nos um mundo repleto de contrastes e simultaneamente regrado de coincidências aterradoras.

Com uma grande versatilidade mergulha em dramas fortes que retratam o cotidiano sob vários prismas, autópsias dissecantes de si mesmo, da massa, do povo sofrido e das favelas.

Destaca a vida nas cidades, as lembranças e vivências infantis, e os amores. Divide seus textos por “séries” específicas, mas não há um só conto que não traga a pluralidade de temas condensados em uma só história.

Tem uma linguagem informal que traz o leitor para si, e faz questão de não esconder suas opiniões ao usar em abundância a primeira pessoa em seus contos, dando um aspecto revelador e intimista.

Não é poeta, como os outros escritores que já destaquei, mas isso não o desmerece, sou poetisa e dou-me o direito de ver poesia em sua escrita. E como só me dou ao trabalho de comentar quem me agrada, Claudio é uma grata descoberta nesse mar de anônimos que é a internet.

Recomendo:
Decifra-me
Antes da queda
Il Primo
Vacas magras não dão crias


Sítios disponíveis:
http://www.releituras.com/ne_celuz_minicontos.asp
http://www.ocaixote.com.br/caixote08/08_contos_claudioel.html
http://www.eraodito.blogspot.com/archives/2003_05_01_eraodito_archive.html
http://www.sescsp.org.br/sesc/convivencia/oficina/integra_2contos.htm
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=39793&cat=Artigos

Blog:
http://www.canteirodeobras.blogspot.com/
Boa semana, e até a próxima!
Comentários no rodapé da página.

Dúvidas ou sugestões:
larissapin@hotmail.com

quarta-feira, julho 12, 2006


Todos me olham
Ninguém me percebe
Tenho tantas perguntas
Mas já não quero respostas
Conduzo minha vida assim
Esquecendo dele
Nem tomando conta de mim
Brigo comigo
Não tenho abrigo
Renego-me por gozo
Abro meu umbigo
Rasgo minhas vísceras
E não há sangue
Nem sofrimento
Vejo apenas desprezo
Sinto apenas
Vergonha.
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quinta-feira, julho 06, 2006


Um ovo explodiu em minha mente
Um ovo choco, eloqüente,
Ovo válido, impaciente,
Que teima em eclodir
Vezes e vezes, sem fim,
Pra dentro e pra fora
E era doloroso senti-lo
Toca-lo, compreende-lo.
Feria-me
Cortava minha carne
Zombava de minha ignorância.
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quarta-feira, junho 28, 2006


Para cada sapato um pé
Para cada pé um salto
Para cada salto um mergulho
Para cada mergulho um borbulho
Para cada borbulho um verso
Para cada verso um furo
Para cada furo um regalo
Para cada regalo um regaço
Para cada regaço um gozo
Para cada gozo um suspiro
Para cada suspiro um desejo
Para cada desejo um contento
Para cada contento um tempo
Para cada tempo um alento
Para cada alento um vento
Para cada vento um caminho
Para cada caminho um passo
Para cada passo um espinho
Para cada espinho um sapato...



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quinta-feira, junho 22, 2006

Faça uma prece
Para pedir o que quer
Para ter o que precisa
Para proteger seu filho.
Mas pergunte para um homem velho
Por que não consegue dormir a noite
Tenha coragem de sair de linha
Jogue-se na vida,
Ou deixe seu coração na “Terra do Nunca”
Onde não vai crescer
Onde não vai sofrer
E não se olhe no espelho
Para o tempo não te alcançar.
Mas se olhar não fite seus olhos
Que poderá ver tudo que odeia.
Odeie-me, odeie-me.
Sou a sua realidade.
Faça uma prece
Para um suposto “Deus”
Afastar te desse cálice,
Mas se não te afastar
Olhe-se no espelho
E verá que eu sou você
Sou sofrimento, sou a dor,
Sou a guerra, sou o ódio,
Sou você.
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segunda-feira, junho 19, 2006

Pairo sobre a cidade fria,
Concreta, solitária, vazia...
Pessoas caminham inquietas,
De olhos fechados, estúpidos...
Fecham suas asas,
Não ouvem, não pensam...
Meu grito rasga o céu,
Ecoa no silêncio...

A noite cai sobre as esquinas
Mulheres que ainda são meninas
Que se pintam, sem decência,
E com o batom, matam suas carências...
A metrópole como essas meninas
Deixa de ser fria,
Concreta, solitária,
Mesmo ainda sendo vazia...
A aura noturna,
A bebida, as luzes amarelas,
Ofuscam os desavisados,
Lascivos, permissivos,
E nocivos olhos fechados.
A aldeia e as meninas estão entregues
À exatidão, à ilusão,
Nos becos dos prazeres
Iluminados por luzes de néon.

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segunda-feira, junho 12, 2006

Nas linhas paralelas e concorrentes
Homens se digladiam numa ode
É batalha obtusa que dura
Meros noventa minutos
Bailam,
Avançam,
Recuam,
E ao se descobrirem fortes,
Valentes, aguerridos,
Não se entregam ao placar.
Minimizados
Ou masterizados
Em seu fracasso
Em sua vitória
Por seus estranhos jogos
Apenas se vão
Completos
Exauridos e tocados
Pelo coro da multidão
"É campeão!
É campeão!”
Agradecimentos especiais ao fotógrafo Vitor Reis, que gentilmente cedeu a fotografia para esse "post", você poderá conhecer melhor o trabalho dele e de outros artistas no endereço:
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sexta-feira, junho 09, 2006


Verá o que quiser nesses dias pálidos
Nesses poemas incolores
Embalados, carimbados e enfileirados,
Nas prateleiras de supermercados
Vendidos à vista, a prazo ou no cartão,
Os coloridos estão intocados
Na minha tristeza interior
Mas ao tentar descreve-los
Ficam assim letrinhas miúdas
Numa folha de papel amarela
Meus enlatados, conservados,
Vão para as prateleiras
Onde serão esquecidos
Por não ter prazo de validade
Ficarão lá pela eternidade
À espera de olhos vencidos
Tardios, abandonados,
Par perfeito para o leitor aflito.
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