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quinta-feira, outubro 05, 2006

Boca suja!
Boca suja!
Ai menino da boca suja,
Vou lavar sua boca com sabão
E contar pra sua mãe do seu palavrão...
Menino de olho esbugalhado,
Que brinca com as pelotas,
As bolinhas de vidro,
Bolas-de-gude...
Que carrega o estilingue no bolso traseiro,
Que tem a boca suja,
Vou contar pra todo mundo
Que sinto saudade de ser...
Ai menino da boca suja
Da roupa suja
Dos pés grossos de andar descalço,
Com a calça arregaçada até o joelho,
Para correr melhor,
E ai de quem tretasse com ele...
Era xingo, palavrão e maldizer,
Sem pestanejar, sem lembrar que tinha mãe.
Acertar a cabeça do fôgo-pagô,
Dos calangos,
Hei calando, tá com a cabeça quebrada?
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http://www.calamidadevisceral.blogspot.com/

sexta-feira, setembro 22, 2006

Sou realista
Doce argumento
Para enxergar a vida amarga
A realidade das roseiras
São os espinhos
Enquanto as rosas não desbrocham
E mesmo em fina flor
Ainda estão lá as lanças
Rosas são minoria
Belas como a felicidade
E duram tanto quanto
Já os espinhos
Ai os espinhos
São farpas agudas
Em meu peito abtuso
Enquanto roseira
Espinhos.
Agradecimentos especiais ao fotógrafo Alexandre Costa, autor da fotografia
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.
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quarta-feira, setembro 13, 2006


Cante uma canção enfadonha
Dessas muito medonhas
E veja se desperta do pesadelo que sonha
Cante o copo com água, o laxante!
O descongestionante, o calmante!
Cante para matar o tédio
Que contra a vida
Não há remédio
remédio
Que não seja a sorte
Que não seja a morte.
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quarta-feira, setembro 06, 2006

número 9 - Cláudio B. Carlos (CC)

Ainda não entendo como pode haver tantos analfabetos, numa nação tão rica culturalmente, como a nossa. Deixo aqui minha indignação com os rumos da educação neste país, uma pequena homenagem sarcástica ao “dia da educação”, que deveria ser todos os dias!

Quanto mais bebo desse mundo mais entendo minha sede, e como é maravilhoso viajar nas letras, nas lendas de outros, sinto-me ofendida por saber que é privilégio para poucos.

Pois bem, vamos falar de coisa boa, que é o que me inspira toda semana, apresento a vocês, dentre tantas outras felizes, mais uma descoberta: Cláudio B. Carlos (CC), um gaúcho, nascido em 1971, na cidade de São Sepé, poeta e prosador.

O que me chamou a atenção nos textos de Cláudio, sobretudo em sua poesia, é a vivacidade de sua musicalidade, os poemas são carregados de aliterações, que dão um tom de canção aos versos, alguns com melodias ansiosas, outros com sons concretos como prego na madeira, ou um coração ressoando.

Cláudio consegue externar seus ecos interiores, e o faz com maestria, usa figuras de linguagem que nos fazem sentir incomodados com as “pedras no sapato”, indignados com as verdades cruas que apresenta. Imprime em sua obra a infância, a realidade, a religiosidade, a sensualidade, em seu vocabulário desnudo de pudores.

Não sei se é uma coincidência ou uma característica, mas percebi que em alguns de seus textos existe uma ode, um amor à sua terra, às suas raízes, notei o mesmo sentimento em alguns trabalhos de Carpinejar, que também é gaúcho.

O escritor tem cinco obras editadas: “Um poema para Elena”, “Um arado rasgando a carne”, “O aprendiz de Poeta”, “A pedra da Realidade” e “temporais atemporais tempo temporão”, os dois últimos livros citados são artesanais.

Em seu blog, o leitor encontrará poemas concretos, profanos, escatológicos, simbolistas, modernos, uma diversidade de boa literatura. Vale a pena conferir!

Recomendo:
Quem ama o feio...
Poema Temporal
Poema Temporal 2
Tormentas de setembro
Como gato que fica sem dono
Zoológico Ilógico
Sobre um servo imperfeito
Catarro
Donde brota o salobre
E tantos outros poemas sem título

Sítio:
www.claudiocarlos.pop.com.br


Blog:
http://balaiodeletras.blogspot.com

Boa semana, e até a próxima!

O objetivo maior do meu trabalho é a troca, por isso há espaço para comentários no rodapé da página.

Dúvidas ou sugestões:

larissapin@hotmail.com
Depois que parti de mim
Escrevo cartas intensas
Sem fim
Rabiscos tortos
Inúteis
E essa casca
Convalescente
Insiste em gritar,
Chorar, sofrer,
Clamar pelo que já fui
Mas esse que observa
Já não quer mais voltar
Busca ainda seu rumo
Está preso a esse tema
Fatídico e ignóbil
Como as canções repetidas
Em semitom
Não mais
Não mais.
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segunda-feira, agosto 28, 2006

número 8 - Márcia do Valle

Só hoje, observei que só escrevi sobre escritores do sexo masculino, seria um relapso ou alguma espécie de preconceito? Fiquei dias me questionando, mas cheguei a uma conclusão: as mulheres são mais desconfiadas, quando abordadas por outra mulher.

Os homens não, eles se entregam, sem pudores, sem castrações, mas devo dizer que essa entrega não tem nada a ver com meu belo par de pernas, porque nenhum dos citados me conhece pessoalmente.

O que quero dizer é que o feedback masculino foi maior que o feminino, entrei em contato com o mesmo número de escritores de ambos os sexos, só a receptividade foi diferente.

Na minha oitava semana de Caleidoscópio terei o prazer de destacar o primeiro trabalho feminino, e vou citar uma escritora de estirpe, maravilhosa. Márcia do Valle nasceu no Rio de Janeiro, em 1977, sua escrita é recheada de poesias cadenciadas, de prosas intimistas e contos de ótima qualidade.

Márcia parece falar de si, mesmo escrevendo em terceira pessoa, suas confissões permeiam a maioria de nossas almas femininas, encanta, espanta e escancara esse ser solitário, confuso e inseguro que habita em todas nós.

Tive um primeiro contato com seu blog, um amigo indicou-me, dizendo, “leia Márcia do Valle, ela pensa como você!”. Sempre julguei meu trabalho desaforado, porque digo o que sinto, o que penso, sem me preocupar com as conseqüências que essa atitude pode trazer. Vi Márcia assim, neste mesmo tom confessional, mas de uma maneira elegante, consegue tratar com delicadeza as situações-limite.

No seu livro “180 graus”, descreve, esmiuçando, a trajetória de duas mulheres, uma carioca e uma francesa, que habitam a mesma narrativa paralelamente e só se encontram em um certo momento na história. O mais poético é que as duas têm culturas diferentes, mas são muito parecidas.

A descrição angustiante de seus conflitos internos traz a figura fiel da mulher atual, uma mulher que luta para ser reconhecida, amada e feliz. O livro é mais que um relato, é a expressão de uma escritora que conhece bem o universo feminino.

Como eu digo sempre aos meus leitores, não perco tempo em criticar escritores que não me agradam, é mais agradável e gratificante, devo admitir, falar de trabalhos como de Márcia do Valle. Acredito que em sua obra há muito de Virgínia Woolf e Simone de Bevouir, escritoras que falam dessas dificuldades femininas de uma maneira mais intimista.

Márcia do Valle é uma escritora apaixonante, em muitos trechos de seu livro, senti um nó na garganta, daqueles que só quem sentiu cada momento, como navalha fria na carne quente, sabe o que é o sofrimento e a angústia feminina. Vale a pena conferir!

Recomendo:
Livro180 graus – Editora Marco Zero

E os textos:
Partida
Se alguém disser que você é sua musa inspiradora...
Daqui a pouco começa a vida
Vazio
Meu corpo sem química pede por você
A minha imaginação vai longe
Uma vez me disseram
Era uma vez, uma menina que tinha uma lâmpada com um gênio


Blog:
http://www.soltanomundo.blogger.com.br/
Resenha:
http://www.verbo21.com.br/arquivo/ensaios_c_jun05.htm
Entrevista:
http://www.republicadolivro.com.br/info.php?not=10697&oque=2&cd_editora=302
Sítios:
http://www.escritorassuicidas.com.br/edicao2_6.htm#marciadovalle
http://www.escritorassuicidas.com.br/edicao3_6.htm#marciadovalle3
http://www.tudolorota.com.br/convidado.htm
http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_prosas.php?id_autor=2950&flag=nacional
http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_poesia.php?id_autor=2950&flag=nacional
http://www.gargantadaserpente.com/coral/contos/mdv_lapide.shtml
http://www.autores.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1100&Itemid=38
http://www.simplicissimo.com.br/index.php?option=com_comprofiler&task=userProfile&user=1126
http://www.segmentoarte.blogspot.com/

domingo, agosto 20, 2006

Sou poeta ruim
Da boca amarga
Cheia de pigarro
Não me comparem
Não sou Navarro
Tenho a boca suja
Não tenho pudores
Escrevo escárnio
Não amores
Que se danem
Cecílias e Coras
Qualquer escória
Quero e sou mais eu
Que se danem todos
Que se dane seu deus
Sou ateu.
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quarta-feira, agosto 16, 2006

número 7 - Otávio Augusto

Sabe o que me emociona nesse espaço? A interatividade, troco informações com pessoas do Amazonas ao Rio Grande do Sul, sem falar dos inúmeros amigos que fiz por todos os cantos desse mundo. Lugares que só terei condições de conhecer se minha vida mudar muito!

Como sempre me refiro a rede como um grande oceano, onde se navega muito e se aproveita pouco! Mas nesse mar de possibilidades encontrei um diamante, Otávio Augusto Marin Martinez, um desses casos raros, onde a gentileza, humildade e talento habitam num mesmo ser.

Nosso primeiro contato foi por ser fotógrafo e dizia ter uma foto perfeita para um poema meu: “A cidade ferve em faróis”, senti-me encantada por seu olhar diferenciado e suas imagens cotidianas. Acabei por ceder meu poema para a foto dele e vice-versa, um casamento mesmo, é como me refiro ao nosso trabalho.

Por curiosidade, comecei a ler seus textos e perceber que tinha talento, quanto mais eu lia mais extasiada ficava, por entender que quando Otávio me procurou, não precisava de meu poema, pois é um artista completo, além de fotografar, escreve impecavelmente.

Ao ler seu ensaio: “Origens da segunda Guerra Mundial e Reflexões sobre a ONU”, entendi que seu conhecimento ultrapassava minhas fronteiras, ao contrário de mim, ele é um acadêmico. Natural de São Paulo, formado em Relações Internacionais, com 24 anos, escritor e músico multi instrumentista, reside em Londres, onde pretende terminar seu Mestrado, tendo como foco de pesquisa os efeitos da globalização nas repúblicas pós-soviéticas.

Contista/ cronista, ensaísta, crítico de cinema e como ele mesmo diz, raramente poeta e prosador poético, Otávio encanta por ser um artista facilitador e atingível, digo isso porque seus textos não são truncados, sua obra é fácil de ser compreendida por leigos.

Como fotógrafo, diz acreditar que simples imagens cotidianas representam o registro mais fiel da realidade humana, e afirma não ser do tipo que fotografa monumentos ou rostos marcantes, e sim a vida em movimento, o sangue fervendo nas veias, as angústias, as lembranças nostálgicas e as esperanças de um futuro melhor.

Na entrevista, ao falar de seu estilo, citou várias influências, desde Shakespeare, Kafka até Virginia Woolf, Augusto dos Anjos. A meu ver tem estilo próprio, o que ele mesmo intitula de “DNA Otaviano”, é impossível encaixá-lo em um só movimento, pois como já disse Otávio é um artista multimídia, atual, antenado.

Ele é pesquisador e membro do grupo de estudos sobre a obra de Virginia Woolf da Universidade de Ohio (EUA). Inclusive, seus trabalhos mais recentes são alguns contos, que desenvolveu a partir destes estudos sobre a escritora.

Otávio Augusto é uma avalanche cultural, o que corre em suas veias é arte, o que o move é essa busca incessante, é realmente um Universo Pensante, e isso me impressiona muito! Vale a pena conferir sua obra!



Recomendo:
Marasmo Ideológico
Hugo Chaves: O retrato de uma esquerda decadente
Medo
A Arte de ser do contra
A Cinderela barbuda
Na sala com Virginia Woolf (I)
Na sala com Virginia Woolf (II)

Blogs:
http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=3229
www.universopensante.blogspot.com


Sítios:
www.cronistas.com.br
www.mundocultural.com.br
www.sanesociety.org



Boa semana, e até a próxima!

Comentários no rodapé da página.

Dúvidas ou sugestões:
larissapin@hotmail.com

segunda-feira, agosto 14, 2006


Estou doente
Não há cura
Para meu mal
Sofre dores
Convulsões
Mas tarjas pretas
Não me salvam
Desisti.

Sou bizarro
Insensível
Invisível
Perecível
Compreensível
Equivocado
Odiado
Quase amado.

Sou ser que se dobra
A essa estranha realidade
Vertiginosa
Venosa
Vil
Vazia
Venal
Vã.
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quinta-feira, agosto 10, 2006

número 6 - Dudu Oliva

Mais uma semana, agora me sinto revigorada, pois tive tempo de ler e conhecer mais escritores, isso me faz muito bem. Vou falar de Eduardo Oliveira Freire, ou Dudu Oliva, nasceu em 1978, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro. Formado em Ciências Sociais e cursa Pós Latos Senso em Jornalismo cultural e se diz pretenso escritor.

A leitura de seus escritos é um prazer, pois ele trata do cotidiano, da correria, do distanciamento, da falta de tempo das pessoas. Já li alguns contos, crônicas e o mini-romance virtual “Cartas Íntimas”, onde um casal pouco convencional troca e-mails pela rede mundial. Tem um humor sarcástico, um tom irônico, a realidade é descrita com tanta naturalidade que acreditamos na vida, nos sentimentos escancarados, suas palavras, por vezes, de tão verdadeiras são vexatórias para seus personagens.

“Eu sou minha própria esfinge e me devoro, por não me desvendar na imensidão sem fim, que é o meu ser”, assim ele se descreve, mas aos meus olhos, Dudu se mostra nas entrelinhas, é sutil e apaixonante, trazendo ao leitor uma linguagem atual, compreensível e fluida.

O que me chamou a atenção nos trabalhos do escritor é a simplicidade, e como já disse de outro escritor, Eduardo quebra a regra de certos críticos que julgam menos importante a obra de escritores jovens.

Não esconde o desejo de publicar seu livro: “Contos de UM ASPIRANTE A ESCRITOR”, uma coletânea de contos diversos, que trata de vários universos de uma maneira que só ele sabe fazer.


O que sei é que Dudu Oliva é um jovem escritor, embora ainda não admita ou não assuma que é. Encanta-me com suas realidades rotineiras, que de tão simples nos fazem repensar-nos como humanos. Finalizando meu texto citarei uma frase dele, que ainda ecoa em meu peito e em minha mente: “Percebi que todos nós, seres humanos, somos um pouco bonecos. Ficamos num estado de não pensar. Eu, muitas vezes, passo horas sem fazer nada sentado na mesma cadeira velha".

Recomendo:
Cartas Íntimas
A grande deusa
Alguns trechos de seu pretenso livro Imperceptível, sob os títulos:
22/04/2004 e 05/03/2004
Os seus blogs:
http://dudve.blogspot.com/
http://dudu.oliva.blog.uol.com.br
http://cartasintimas.zip.net
http://oliveira-freire.blog.uol.com.br/
http://spaces.msn.com/entrevistaseartigos/blog/
Sítios:
http://www.bestiario.com.br/21_arquivos/contos_breves.html
http://www.bestiario.com.br/10_arquivos/contos%20curtos.html

http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_prosas.php?id_autor=2648&flag=nacional
http://kkfs.trix.net/delicatosenses/edicao10/dudu/clamando.htm
http://kkfs.trix.net/delicatosenses/edicao03/Dudu_oliva/Tenho_um_segredo.htm
http://webwritersbrasil.com.br/detalhe.asp?numero=1099
http://www.recantodasletras.com.br/autores/amando
http://www.escrevinhadora.com.br/site/leitor.html
http://www.rbsul.net/ideias/ideia14.htm
http://www.rbsul.net/ideias/ideia13.htm
Boa semana, e até a próxima!

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