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terça-feira, outubro 24, 2006


Sonha, que teu desejo é vão,
Ama, que teu sonho é vão,
Vive, que teu amor é vão,
Grite, que tua vida é vã,
Cale, que teu grito é vão,
Morra, que teu silêncio
É o que te cabe
Neste mundo sem perdão,
Perdoa, que tua morte é vã,
E vá, que tua ida
É apenas despedida
Do que tanto te aborrece.
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.
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sexta-feira, outubro 20, 2006


Ama-me sem pudor
Enquanto ainda houver amor
Enquanto nos queimar a chama
Ama-me sem pudor

E quando não houver mais amor
Deixe a brasa nos consumir
E se ela se apagar
Ama-me pra se despedir.
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quinta-feira, outubro 19, 2006

A dança da vida
É tão certa
Um pra lá
Um pra cá...
No compasso de dueto
Dois pra lá
Dois pra cá...
Deslumbram-se...
Amam-se...
Dois pra lá
Dois pra cá
Sonham
Vivem
Dois pra lá
Dois pra cá
Mas caem
E levantam
Dois pra lá
Dois pra cá
E assim vão dançando...
Amando pra desamar,
Sonhando pra acordar,
Vivendo pra morrer...
E continua a dança...
Um pra lá
Um pra cá
Sempre, sem parar.
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quinta-feira, outubro 12, 2006


A fumaça já faz parte da rotina
E o homem que tudo destrói
Homem criador de deuses
Sente-se sufocado
Não pelo apenas pelo ar que respira
Mas por suas criações esquecidas
Que dançam em seus pensamentos
Que congelam seu coração
Talvez de sua sacada
Depare-se com suas criaturas
Fábricas engolindo gente
E cuspindo pedras de carvão,
Cimento, poeira e alcatrão...
Talvez se orgulhe de si
E de seus filhos,
Que como ele,
Engolem sua parte gente
E cospem pedras, palavras duras,
Carvão, palavras negras,
Cimento, palavras incolores,
Poeira, palavras vãs,
E alcatrão, palavras amargas,
E venais.


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quarta-feira, outubro 11, 2006

número 10 - Tatiana Carlotti

Será que internet vicia? Talvez uma certa dependência, pois acho que virei uma espécie de escrava do computador, não consigo mais desligar, é tanta gente para conhecer, tantos mares para navegar, que passo horas sem tirar meus olhos da tela.

Esta semana, falarei de Tatiana Carlotti, escritora paulistana, nascida em 1977. Conheci seu trabalho num sítio intitulado “Tudo Lorota”, quem indicou foi Márcia do Valle, a escritora que destaquei há duas semanas.

Seus contos/crônicas têm um tom surrealista, alguns com uma aura esfumaçada, meio onírica de não se distinguir a realidade do sonho, beirando à loucura. Outros são duros, retratando a solidão do ser humano, da mulher, todos os sentimentos amarrados com cenas frias da urbanidade.

Tatiana consegue unir a sutileza quente de um beijo à dureza de uma rua fria e vazia, nunca havia lido nada parecido, uma convulsão de sentimentos aleatórios que nos arrastam pela vida cotidiana e escancaram nossas fragilidades mais profundas. Seus escritos imprimem uma certa alucinação no real, e o leitor a acompanha nessa viagem tomado de sentimentos de empatia e aflição.

Confesso-me apaixonada por seu ímpeto, por sua maneira sinestésica de escrever, por isso me entrego e sei que dela ainda há muito por se conhecer. Ao ler uma frase dela que dizia, que todo ser humano fica só por duas horas, pois as maternidades não permitem que as mães fiquem no quarto com seus bebês, quando nascem, senti uma dor uterina.

Sou mãe, tenho uma filha, que só me deixaram ver vinte horas depois do parto, sentenciei a pobre a ficar sozinha, mais do que as duas horas que foram citadas pela escritora. E só atinei para isso ao ler sua crônica.

É por essas e outras que me encanta essa tênue linha que separa um ser do outro, esse ler o outro e ser tocado visceralmente por ele.

Tatiana tocou-me, não só por ser mulher, por eu sentir as mesmas dores que relata, mas pelo conjunto da obra. Vale a pena conferir!


Recomendo:
Crônica de um domingo chuvoso
Da Rua
Barracão
Anéis de fumaça
Vãos
Cachaça

Sítios:
www.tudolorota.com.br
www.bagatelas.net


E-mail da escritora:
tcarlotti@yahoo.com.br

Boa semana, e até a próxima!

Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.

O objetivo maior do meu trabalho é a troca, por isso há espaço para comentários no rodapé da página.

Dúvidas ou sugestões:

larissapin@hotmail.com

sábado, outubro 07, 2006


No dia da fome
Os bolos se divertem
Pães doces, salgados,
Biscoitos, guloseimas...
E na incompreensão
Das coisas
Da linha entre a gula
E o desperdício,
Entre a inanição e a saciedade...
Uns clamam pelas tetas da fartura
Outros só querem tetas
De mães mortas ou dilaceradas.
Na hora da fome
Há quem coma,
Há quem clame,
Há quem chore,
Há quem morra...
Enquanto mãos assinam sentenças
Outras mendigam
Rasgam o chão seco
Chão morto
Na esperança de colher,
Mas não haverá fruto
E já não há nada.
Apenas os bolos, bobos e tolos
Divertem-se.
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quinta-feira, outubro 05, 2006

Boca suja!
Boca suja!
Ai menino da boca suja,
Vou lavar sua boca com sabão
E contar pra sua mãe do seu palavrão...
Menino de olho esbugalhado,
Que brinca com as pelotas,
As bolinhas de vidro,
Bolas-de-gude...
Que carrega o estilingue no bolso traseiro,
Que tem a boca suja,
Vou contar pra todo mundo
Que sinto saudade de ser...
Ai menino da boca suja
Da roupa suja
Dos pés grossos de andar descalço,
Com a calça arregaçada até o joelho,
Para correr melhor,
E ai de quem tretasse com ele...
Era xingo, palavrão e maldizer,
Sem pestanejar, sem lembrar que tinha mãe.
Acertar a cabeça do fôgo-pagô,
Dos calangos,
Hei calando, tá com a cabeça quebrada?
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sexta-feira, setembro 22, 2006

Sou realista
Doce argumento
Para enxergar a vida amarga
A realidade das roseiras
São os espinhos
Enquanto as rosas não desbrocham
E mesmo em fina flor
Ainda estão lá as lanças
Rosas são minoria
Belas como a felicidade
E duram tanto quanto
Já os espinhos
Ai os espinhos
São farpas agudas
Em meu peito abtuso
Enquanto roseira
Espinhos.
Agradecimentos especiais ao fotógrafo Alexandre Costa, autor da fotografia
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quarta-feira, setembro 13, 2006


Cante uma canção enfadonha
Dessas muito medonhas
E veja se desperta do pesadelo que sonha
Cante o copo com água, o laxante!
O descongestionante, o calmante!
Cante para matar o tédio
Que contra a vida
Não há remédio
remédio
Que não seja a sorte
Que não seja a morte.
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quarta-feira, setembro 06, 2006

número 9 - Cláudio B. Carlos (CC)

Ainda não entendo como pode haver tantos analfabetos, numa nação tão rica culturalmente, como a nossa. Deixo aqui minha indignação com os rumos da educação neste país, uma pequena homenagem sarcástica ao “dia da educação”, que deveria ser todos os dias!

Quanto mais bebo desse mundo mais entendo minha sede, e como é maravilhoso viajar nas letras, nas lendas de outros, sinto-me ofendida por saber que é privilégio para poucos.

Pois bem, vamos falar de coisa boa, que é o que me inspira toda semana, apresento a vocês, dentre tantas outras felizes, mais uma descoberta: Cláudio B. Carlos (CC), um gaúcho, nascido em 1971, na cidade de São Sepé, poeta e prosador.

O que me chamou a atenção nos textos de Cláudio, sobretudo em sua poesia, é a vivacidade de sua musicalidade, os poemas são carregados de aliterações, que dão um tom de canção aos versos, alguns com melodias ansiosas, outros com sons concretos como prego na madeira, ou um coração ressoando.

Cláudio consegue externar seus ecos interiores, e o faz com maestria, usa figuras de linguagem que nos fazem sentir incomodados com as “pedras no sapato”, indignados com as verdades cruas que apresenta. Imprime em sua obra a infância, a realidade, a religiosidade, a sensualidade, em seu vocabulário desnudo de pudores.

Não sei se é uma coincidência ou uma característica, mas percebi que em alguns de seus textos existe uma ode, um amor à sua terra, às suas raízes, notei o mesmo sentimento em alguns trabalhos de Carpinejar, que também é gaúcho.

O escritor tem cinco obras editadas: “Um poema para Elena”, “Um arado rasgando a carne”, “O aprendiz de Poeta”, “A pedra da Realidade” e “temporais atemporais tempo temporão”, os dois últimos livros citados são artesanais.

Em seu blog, o leitor encontrará poemas concretos, profanos, escatológicos, simbolistas, modernos, uma diversidade de boa literatura. Vale a pena conferir!

Recomendo:
Quem ama o feio...
Poema Temporal
Poema Temporal 2
Tormentas de setembro
Como gato que fica sem dono
Zoológico Ilógico
Sobre um servo imperfeito
Catarro
Donde brota o salobre
E tantos outros poemas sem título

Sítio:
www.claudiocarlos.pop.com.br


Blog:
http://balaiodeletras.blogspot.com

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