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quarta-feira, dezembro 27, 2006


Meu olho esquerdo

Não repare
Não me olhe muito
Pois percebi agora
Que meu olho esquerdo
É enorme
Mais permissivo
Mais revelador
Menos punitivo
Menos constrangedor
Quem me dera tivesse
Dois olhos esquerdos
Para ver apenas um lado
Para perceber melhor os outros
Pois meu olho direito
Só inflama
Só me reprime
Só me engana.

RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.

Convido você leitor, para que visite meu blog de prosa:

http://www.calamidadevisceral.blogspot.com/

quinta-feira, dezembro 21, 2006

número 15 - Leandro Jardim

Sempre é bom reiterar ao leitor do prazer que sinto por estar aqui e, principalmente, descobrindo gente nova brotando e florescendo, neste solo fértil que é a rede. Leandro Schoemer Jardim foi mais um achado, uma dessas raridades, uma jóia, um oásis de bom gosto e de boa leitura.

Carioca, compositor, cantor, letrista e poeta, nascido em 1979, em Birmingham, na Inglaterra, onde seus pais brasileiros foram estudar mestrado e doutorado. Voltaram para o Rio de Janeiro quando ele tinha três anos de idade. Leandro faz questão de enfatizar que é brasileiro e carioca.

Diz ter começado a tocar violão aos dezoito anos, autodidata, contava apenas consigo e a boa vontade dos amigos, o violão era companheiro inseparável, começou a transformar suas tristezas compondo letras de música e confessa que no princípio não tinham qualidade.

Ao entrar no curso de comunicação da PUC, seu interesse por arte e música, em especial, deu uma guinada. Juntou os amigos em uma banda chamada Kauabanga e apresentou-se em seu primeiro show.

A banda acabou, mas Leandro continuou compondo e iniciou as gravações de seu trabalho e foi isso que marcou a sua guinada de compositor pra poeta: quando decidiu ser letrista, focar a parte da composição.

Conheceu Rafael Gyner, atualmente seu parceiro musical, que o presenteou com um livro de Fernando Pessoa, citou também Manoel de Barros, como influência, embora admitindo ter um estilo próprio, diz que a poesia foi elemento modificador em sua vida.

O blog nasceu dessa sua empolgação pela poesia e pela música. Nele Leandro nos brinda com seus poemas melodiosos, sonoros, que nos fazem viajar nos sons, nas toadas da natureza e da urbanidade. Traz amor e lamento em seus versos, afiados, cortantes. Vale a pena conferir!


Recomendo:
Trilogia do Lamento
Esse vento
Gênios e loucos
Urbanismo e Natureza

Blogs:
http://florespragasesementes.blogspot.com/
http://blogdesete.blogspot.com/

Ouça Leandro Jardim
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=34585

Boa semana, e até a próxima!

Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.

O objetivo maior do meu trabalho é a troca, por isso há espaço para comentários no rodapé da página.

Dúvidas ou sugestões:

larissapin@hotmail.com

terça-feira, dezembro 19, 2006


Uma alegria doentia me toma
Sinto me feliz com aquela tristeza
Um leve frescor invade meu ser
E esta sensação de água gelada
Aplacando a sede da boca sedenta
Enquanto um rosto empalidece,
Um corpo desfalece...
Ver essa angústia
Encanta-me
Sou penetrada com agudez
Pela faca fria da realização...
Volúpia, nesta viagem interminável,
De querer o mórbido,
De olhar a dor,
De me sustentar com ela...
Como é linda a tristeza,
Como ela me seduz,
Carrega-me em seu colo
E me leva delirante
E repleta de mim
Rumo ao desconhecido.
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terça-feira, dezembro 12, 2006

número 14 - Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

Encontrei Paulo em uma comunidade do Orkut, chamada “Bar do Escritor”, um caminho muito diferente dos outros escritores já citados até aqui. Paranaense, nascido e criado na cidade de Ponta Grossa, Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves tem uma personalidade forte e irreverente, não faz questão de agradar, joga seus textos na cara do leitor e isso me apetece.

Seus poemas escatológicos, corrosivos, não deslumbram os olhos desavisados, mas como gosto de poetas marginais, o identifiquei logo, ele debocha da sociedade, das fraquezas e mazelas humanas, lembrou-me Glauco Mattoso, o primeiro escritor que apresentei aqui no Caleidoscópio.

Paulo é livre, desnudo dos falsos pudores sociais, pelo menos em sua poesia, na prosa participa de um blog, mas disse que não pode escrever palavrões neste espaço, então é mais recatado, o que não afeta em nada sua língua ferina, que chicoteia, tripudia do inconsciente popular.

Diz se interessar por física quântica, misticismo, e coisas que são tão inexplicáveis que sequer nome têm. Citou Bukowski e Remarque como influências.

No aspecto material, o conteúdo, confessa ter preferência sobre o formal, por isso se perde entre “acentos” e “porquês”, por se tratarem do meio e não do fim da escrita. Sendo assim, atenha-se ao conteúdo que esse escritor tem, ele é fascinante! Pouco convencional, mas surpreendente!

Como aviso sempre, escrevo apenas sobre o que me agrada, meu crivo é torto, mas tem crédito. Vale a pena conferir!


Recomendo:
Para quem tem Orkut:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2469156686073975035
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2463764322421592315
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2470783952545665275
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2460390677150191867
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455170911053566203
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2457956004071493883
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455728584639664379
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455641837037703419
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2456127342288326907

No Blog recomendo:
Criança magrinha
Dá nada, eu to bêbado
Da vida, o problema é viver

Blog:
http://nossogarfodecadadia.blogspot.com/

sábado, dezembro 02, 2006



A primeira veio só,
Pedia qualquer coisa,
Mas estava belamente vestida,
Cheirava bem,
Caminhava altiva,
Não exigiu muito,
Quis um afago,
E ao receber,
Foi-se.
A segunda, também veio só,
Pedia algo mais,
Tinha vestes desbotadas,
Não usava perfume,
Caminhava insegura,
Mas pediu um pouco mais,
Queria meu beijo,
E ao receber,
Foi-se.
A terceira veio acompanhada,
Não pedia nada,
Tinha as roupas rasgadas,
Era mal cheirosa,
Caminhava amparada,
Mas sua companheira quis a mim,
Queria minha alma
E ao tomar-me
Percebi que todas as outras eram eu, e fui.
* A ilustração é de minha autoria.
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quinta-feira, novembro 30, 2006

número 12 - Alexandre Costa

As imagens, além da escrita me atraem muito. Encontrei o Fotoclube/508 por isso. As imagens me fascinam, pois acredito que uma imagem bela substitui várias palavras, dispensa comentários!

A descoberta de Alexandre Costa passou por essa lógica de pensamento. Esse carioca, que há 34 anos vive em Santos, formado em Comunicação e Tecnologia (enfatizando as áreas de rádio, televisão e cinema), fascinou-me num primeiro momento pelas imagens que cria. Ao me deparar com os trabalhos, que esse fotógrafo imprime, encantei-me e deixei-me levar também por suas palavras.

A escrita de Alexandre é suave, traz a marca de sua alma de poeta apaixonado pela vida, pela arte. É um otimista, e sem deixar de lançar seu olhar crítico e contestador, consegue afagar os olhos e a alma do leitor.

Tem um olhar poético da figura feminina, o que mais me atraiu foram as imagens femininas que ele produz, em geral, com elementos da natureza, flores, folhas, terra, mescladas com corpos nus ou seminus de mulheres belas.

Em seus textos, mistura prosa, verso e exala seu estilo leve, mas abrasivo. Traz uma realidade corriqueira, carregada de sentidos próprios. Suas fotografias e seus textos poderiam ser divididos por séries sazonais, como inverno, verão, primavera e outono, os textos têm cor, um sentimento novo que ainda não havia experimentado.

O artista afirma gostar do abstrato na poesia, na pintura, na escultura e na arte, em geral.

Como já disse, não confiem em meus olhos, maravilhem-se com a obra de Alexandre Costa, um poeta visual, um prosador olfativo, tátil, que encanta nossos sentidos.


Recomendo:
Contos
O homem que queria ser Jabor – (todos)
Diário de Penélope- (todos)

Poesias
Na cama macia um corpo dormia
Aqui estou a olhar este céu
Ao ouvir tuas letras
O caminho
A janela – entre tantos outros.

Blog:
http://contosecultos.blogspot.com/

Boa semana, e até a próxima!

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quarta-feira, novembro 29, 2006

Perdida em tuas unhas negras
Que quase revelam tua alma
Mergulho num fosso sem fundo
De onde não quero voltar
Já não ouço mais vozes
Não vejo mais gestos
Nem se dá conta do desprezo
Que me cabe
Restam de ti tuas linhas retas
Tuas caricaturas de overdose
Teu desencanto que beira ao encantamento
Tua vontade vazia de estar d’outro lado
E tuas unhas negras
Que bailam sobre meu olho absurdo
Que teimam em me guiar.



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quarta-feira, novembro 22, 2006


Temo silenciosa por sua alma
Sem suspiro numa inquietude vazia
Quase numa sombra de calma
Nesta plenitude de melancolia.

Por certo essa aflição
Que me ferve o sangue
E dispara meu coração
Faça com que se zangue

Mas essa angústia me assusta
Tenho medo de me perder
E numa curva do rio te esquecer

E minha mão na escuridão te busca
Mas já não sou a luz que te ofusca
E nem o sol pra te aquecer.



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quinta-feira, outubro 26, 2006

número 11 - Rubro Jungüer Medina

E nessas minhas andanças pela rede encontrei mais um raro, Rubro Jungüer Medina, mineiro, reside em Belo Horizonte. Traz na escrita sua marca pessoal, nos seus causos, em sua visão multifacetada, retrata fatos cotidianos, carregados de sarcasmo, ironia, e absurdos.

Rubro está em constante metamorfose. Podemos encontrar textos leves, carregados de humor e brasilidade, como também textos trágicos, carregados de tragédia e escárnio, e tem obras para o público infantil, o que confirma sua pluralidade. Consegue nos surpreender a cada linha, a cada conto/crônica.

Quando perguntei sobre suas influências, citou várias, a simplicidade poética do Érico Veríssimo, o realismo de Machado de Assis, o “visceral e cruel” de Aluísio Azevedo, o “non-sense” (absurdo) de Mário de Andrade em Macunaíma, o novelesco de Sidney Sheldon e as tendências da literatura inglesa. Disse não gostar muito de citar influências, pois poderia soar pedantismo, e que as têm muito diluídas.

O que é certo é que seu estilo é provocativo, contestador, irreverente. Citei seus pareceres por serem parte essencial de sua obra única. Prende-nos a atenção de forma criativa e singular.

Suas indagações e conflitos são faíscas que viram verdadeiros incêndios em nossas mentes, e incitam à reflexão sobre o homem como indivíduo inserido na sociedade atual. É comovente a forma que consegue nos tocar e, por vezes, nos atingir.

Num passeio literário por seus textos descobri muito, tanto de sua gente, quanto de suas tendências. Foi um prazer conhecer seus blogs, sua modéstia, tão preciosos, neste mundo virtual. Vale a pena conferir!

Sítios:
http://napontadolapis.zip.net
http://gavetadoautor.sites.uol.com.br
http://nabocadopovo.flog.oi.com.br
http://napontadolapis.flog.oi.com.br
http://napontadolapis.flog.oi.com.br

Recomendo:
Cipozinho das Sete
Cavaleiro das nuvens
Acidente odontológico

Todos os textos que citei estão no sítio:
http://napontadolapis.zip.net

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terça-feira, outubro 24, 2006


Sonha, que teu desejo é vão,
Ama, que teu sonho é vão,
Vive, que teu amor é vão,
Grite, que tua vida é vã,
Cale, que teu grito é vão,
Morra, que teu silêncio
É o que te cabe
Neste mundo sem perdão,
Perdoa, que tua morte é vã,
E vá, que tua ida
É apenas despedida
Do que tanto te aborrece.
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