sábado, dezembro 30, 2006
número 16 - Nathalie Brandes Lourenço
Essa descoberta foi muito gratificante, pois vejo em Nathalie o ímpeto e o entusiasmo que tinha há dez anos, o que aumenta minha esperança de que algo, no campo literário, já está mudando nesse país.
Seu blog intitulado “Sabedoria de Improviso” desnuda uma escritora intimista e existencialista, mas não só isso, sacode as mentes desavisadas de maneira permanente, é contundente e perturbadora, sempre em tom confessional.
Seus contos trazem fragmentos de vidas que poderiam ser a minha ou a sua, caro leitor, e chocam, alguns pelo excesso se realismo, outros por um surrealismo, uma teoria do absurdo, tudo misturado em uma prosa simples, longe de ser simplória.
Sua poesia é mais leve, quase toca a doçura, em alguns momentos, se comparada à prosa, mas não estou e nem quero generalizar, pois Czarina é uma escritora versátil e criativa, confesso-me tocada por sua escrita em vários sentidos.
Em muitos textos que li, percebi que ela tem a facilidade de mudar o ângulo de visão do leitor, consegue guinadas que podem deixar tonto ou até nos deixar sem chão.
Recomendo:
Poesias:
Simbólico
Outro domingo
O que Jack não disse
Sem sapatilhas
Andaluza
Os mortos-vivos
Prosas:
A Yakissoba Story – Partes 1,2 e 3
A teoria na prática
O sexo ou HAAGEN DASZ
Prefiro o barulho do mar
Croniqueta
Blog:
http://sabedoriadeimproviso.blogspot.com/
Sítio:
http://www.zineabsinto.cjb.net/
Boa semana, e até a próxima!
Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.
O objetivo maior do meu trabalho é a troca, por isso há espaço para comentários no rodapé da página.
Dúvidas ou sugestões:
larissapin@hotmail.com
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Não repare
Não me olhe muito
Pois percebi agora
Que meu olho esquerdo
É enorme
Mais permissivo
Mais revelador
Menos punitivo
Menos constrangedor
Quem me dera tivesse
Dois olhos esquerdos
Para ver apenas um lado
Para perceber melhor os outros
Pois meu olho direito
Só inflama
Só me reprime
Só me engana.
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Convido você leitor, para que visite meu blog de prosa:
quinta-feira, dezembro 21, 2006
número 15 - Leandro Jardim
Carioca, compositor, cantor, letrista e poeta, nascido em 1979, em Birmingham, na Inglaterra, onde seus pais brasileiros foram estudar mestrado e doutorado. Voltaram para o Rio de Janeiro quando ele tinha três anos de idade. Leandro faz questão de enfatizar que é brasileiro e carioca.
Diz ter começado a tocar violão aos dezoito anos, autodidata, contava apenas consigo e a boa vontade dos amigos, o violão era companheiro inseparável, começou a transformar suas tristezas compondo letras de música e confessa que no princípio não tinham qualidade.
Ao entrar no curso de comunicação da PUC, seu interesse por arte e música, em especial, deu uma guinada. Juntou os amigos em uma banda chamada Kauabanga e apresentou-se em seu primeiro show.
A banda acabou, mas Leandro continuou compondo e iniciou as gravações de seu trabalho e foi isso que marcou a sua guinada de compositor pra poeta: quando decidiu ser letrista, focar a parte da composição.
Conheceu Rafael Gyner, atualmente seu parceiro musical, que o presenteou com um livro de Fernando Pessoa, citou também Manoel de Barros, como influência, embora admitindo ter um estilo próprio, diz que a poesia foi elemento modificador em sua vida.
O blog nasceu dessa sua empolgação pela poesia e pela música. Nele Leandro nos brinda com seus poemas melodiosos, sonoros, que nos fazem viajar nos sons, nas toadas da natureza e da urbanidade. Traz amor e lamento em seus versos, afiados, cortantes. Vale a pena conferir!
Recomendo:
Trilogia do Lamento
Esse vento
Gênios e loucos
Urbanismo e Natureza
Blogs:
http://florespragasesementes.blogspot.com/
http://blogdesete.blogspot.com/
Ouça Leandro Jardim
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=34585
Boa semana, e até a próxima!
Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.
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terça-feira, dezembro 19, 2006

Uma alegria doentia me toma
Sinto me feliz com aquela tristeza
Um leve frescor invade meu ser
E esta sensação de água gelada
Aplacando a sede da boca sedenta
Enquanto um rosto empalidece,
Um corpo desfalece...
Ver essa angústia
Encanta-me
Sou penetrada com agudez
Pela faca fria da realização...
Volúpia, nesta viagem interminável,
De querer o mórbido,
De olhar a dor,
De me sustentar com ela...
Como é linda a tristeza,
Como ela me seduz,
Carrega-me em seu colo
E me leva delirante
E repleta de mim
Rumo ao desconhecido.
Convido você leitor, para que visite meu blog de prosa:
http://www.calamidadevisceral.blogspot.com/
terça-feira, dezembro 12, 2006
número 14 - Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves
Seus poemas escatológicos, corrosivos, não deslumbram os olhos desavisados, mas como gosto de poetas marginais, o identifiquei logo, ele debocha da sociedade, das fraquezas e mazelas humanas, lembrou-me Glauco Mattoso, o primeiro escritor que apresentei aqui no Caleidoscópio.
Paulo é livre, desnudo dos falsos pudores sociais, pelo menos em sua poesia, na prosa participa de um blog, mas disse que não pode escrever palavrões neste espaço, então é mais recatado, o que não afeta em nada sua língua ferina, que chicoteia, tripudia do inconsciente popular.
Diz se interessar por física quântica, misticismo, e coisas que são tão inexplicáveis que sequer nome têm. Citou Bukowski e Remarque como influências.
No aspecto material, o conteúdo, confessa ter preferência sobre o formal, por isso se perde entre “acentos” e “porquês”, por se tratarem do meio e não do fim da escrita. Sendo assim, atenha-se ao conteúdo que esse escritor tem, ele é fascinante! Pouco convencional, mas surpreendente!
Como aviso sempre, escrevo apenas sobre o que me agrada, meu crivo é torto, mas tem crédito. Vale a pena conferir!
Recomendo:
Para quem tem Orkut:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2469156686073975035
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2463764322421592315
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2470783952545665275
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2460390677150191867
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455170911053566203
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2457956004071493883
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455728584639664379
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455641837037703419
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2456127342288326907
No Blog recomendo:
Criança magrinha
Dá nada, eu to bêbado
Da vida, o problema é viver
Blog:
http://nossogarfodecadadia.blogspot.com/
sábado, dezembro 02, 2006

A primeira veio só,
Pedia qualquer coisa,
Mas estava belamente vestida,
Cheirava bem,
Caminhava altiva,
Não exigiu muito,
Quis um afago,
E ao receber,
Foi-se.
A segunda, também veio só,
Pedia algo mais,
Tinha vestes desbotadas,
Não usava perfume,
Caminhava insegura,
Mas pediu um pouco mais,
Queria meu beijo,
E ao receber,
Foi-se.
A terceira veio acompanhada,
Não pedia nada,
Tinha as roupas rasgadas,
Era mal cheirosa,
Caminhava amparada,
Mas sua companheira quis a mim,
Queria minha alma
E ao tomar-me
Percebi que todas as outras eram eu, e fui.
quinta-feira, novembro 30, 2006
número 12 - Alexandre Costa
A descoberta de Alexandre Costa passou por essa lógica de pensamento. Esse carioca, que há 34 anos vive em Santos, formado em Comunicação e Tecnologia (enfatizando as áreas de rádio, televisão e cinema), fascinou-me num primeiro momento pelas imagens que cria. Ao me deparar com os trabalhos, que esse fotógrafo imprime, encantei-me e deixei-me levar também por suas palavras.
A escrita de Alexandre é suave, traz a marca de sua alma de poeta apaixonado pela vida, pela arte. É um otimista, e sem deixar de lançar seu olhar crítico e contestador, consegue afagar os olhos e a alma do leitor.
Tem um olhar poético da figura feminina, o que mais me atraiu foram as imagens femininas que ele produz, em geral, com elementos da natureza, flores, folhas, terra, mescladas com corpos nus ou seminus de mulheres belas.
Em seus textos, mistura prosa, verso e exala seu estilo leve, mas abrasivo. Traz uma realidade corriqueira, carregada de sentidos próprios. Suas fotografias e seus textos poderiam ser divididos por séries sazonais, como inverno, verão, primavera e outono, os textos têm cor, um sentimento novo que ainda não havia experimentado.
O artista afirma gostar do abstrato na poesia, na pintura, na escultura e na arte, em geral.
Como já disse, não confiem em meus olhos, maravilhem-se com a obra de Alexandre Costa, um poeta visual, um prosador olfativo, tátil, que encanta nossos sentidos.
Recomendo:
Contos
O homem que queria ser Jabor – (todos)
Diário de Penélope- (todos)
Poesias
Na cama macia um corpo dormia
Aqui estou a olhar este céu
Ao ouvir tuas letras
O caminho
A janela – entre tantos outros.
Blog:
http://contosecultos.blogspot.com/
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quarta-feira, novembro 29, 2006
Perdida em tuas unhas negras
Que quase revelam tua alma
Mergulho num fosso sem fundo
De onde não quero voltar
Já não ouço mais vozes
Não vejo mais gestos
Nem se dá conta do desprezo
Que me cabe
Restam de ti tuas linhas retas
Tuas caricaturas de overdose
Teu desencanto que beira ao encantamento
Tua vontade vazia de estar d’outro lado
E tuas unhas negras
Que bailam sobre meu olho absurdo
Que teimam em me guiar.
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http://www.calamidadevisceral.blogspot.com/
quarta-feira, novembro 22, 2006

Temo silenciosa por sua alma
Sem suspiro numa inquietude vazia
Quase numa sombra de calma
Nesta plenitude de melancolia.
Por certo essa aflição
Que me ferve o sangue
E dispara meu coração
Faça com que se zangue
Mas essa angústia me assusta
Tenho medo de me perder
E numa curva do rio te esquecer
E minha mão na escuridão te busca
Mas já não sou a luz que te ofusca
E nem o sol pra te aquecer.
Convido você leitor, para que visite meu blog de prosa:
http://www.calamidadevisceral.blogspot.com/
quinta-feira, outubro 26, 2006
número 11 - Rubro Jungüer Medina
Rubro está em constante metamorfose. Podemos encontrar textos leves, carregados de humor e brasilidade, como também textos trágicos, carregados de tragédia e escárnio, e tem obras para o público infantil, o que confirma sua pluralidade. Consegue nos surpreender a cada linha, a cada conto/crônica.
Quando perguntei sobre suas influências, citou várias, a simplicidade poética do Érico Veríssimo, o realismo de Machado de Assis, o “visceral e cruel” de Aluísio Azevedo, o “non-sense” (absurdo) de Mário de Andrade em Macunaíma, o novelesco de Sidney Sheldon e as tendências da literatura inglesa. Disse não gostar muito de citar influências, pois poderia soar pedantismo, e que as têm muito diluídas.
O que é certo é que seu estilo é provocativo, contestador, irreverente. Citei seus pareceres por serem parte essencial de sua obra única. Prende-nos a atenção de forma criativa e singular.
Suas indagações e conflitos são faíscas que viram verdadeiros incêndios em nossas mentes, e incitam à reflexão sobre o homem como indivíduo inserido na sociedade atual. É comovente a forma que consegue nos tocar e, por vezes, nos atingir.
Num passeio literário por seus textos descobri muito, tanto de sua gente, quanto de suas tendências. Foi um prazer conhecer seus blogs, sua modéstia, tão preciosos, neste mundo virtual. Vale a pena conferir!
Sítios:
http://napontadolapis.zip.net
http://gavetadoautor.sites.uol.com.br
http://nabocadopovo.flog.oi.com.br
http://napontadolapis.flog.oi.com.br
http://napontadolapis.flog.oi.com.br
Recomendo:
Cipozinho das Sete
Cavaleiro das nuvens
Acidente odontológico
Todos os textos que citei estão no sítio:
http://napontadolapis.zip.net
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