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segunda-feira, fevereiro 05, 2007


Por vezes me pergunto
Porque escolher o mais difícil
Para quê me entregar ao contra senso
Porque me entrego aos braços da angústia
Porque não aceito a verdade alheia como a minha
A infame cinza da infelicidade
Encobre meus pensamentos
Faz-me analisar com frieza
E minha boca amarga
Não se cala diante da mesmice
E da vulgaridade
A inútil visão crítica
Fermenta minhas palavras hostis
Que projetam meu asco e ranço
E toda a miséria humana previsível
Não me calo diante das desumanidades
E dos vícios
Por vezes me pergunto
Porque escolher o mais difícil
Se é mais fácil fechar os olhos
Pois não haverá fim para as atrocidades
Já estamos entregues
Ao que nos salva de nós mesmos
Por vezes me pergunto
Porque escolher o mais difícil?


*Ilustração de minha autoria


RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2007. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.

quarta-feira, janeiro 31, 2007





Sou um ser institucionalizado
Marcado, registrado, carimbado,
Em cartório ou sanatório prisional
Cidadão sacrificado, instigado,
Pela roda social
Sem intuito ou intuição
Apenas cercado na instalação
Pela sociedade ditatorial
Dizem que protegido
Pela constituição
Sou apenas mais um lesado
Sou trabalho braçal do Estado
Graxa da engrenagem capital
Sou a decadência, a falta de decência,
Na minha não confrontação
Na minha falta de visão.




* A ilustração é de minha autoria


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sexta-feira, janeiro 19, 2007




Um olhar distante
Talvez a engane
Tão profundos jorram
O sangue e a sorte
Mas ela é astuta
Não se engana o objeto estrangeiro
Nem a carne invadida,
Dilacerada, tomada,
Pode se sentir a dor alheia
E até compartilhar dela
Mas o gozo é solitário
Não comungado
Um dos olhos
Ateve-se um pouco mais
Em si mesmo
E avermelhado
Fechou-se
Num derradeiro conforto
Não lutou mais
Já não era um confronto
Era mais um encontro.
O outro permaneceu aberto
Como na espreita
Para uma única chance
Espera vã.
* A ilustração é de minha autoria

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sábado, janeiro 06, 2007



Vide bula
Não me analise
Leia-me com atenção
Estou nas palavras difíceis
Nas entrelinhas, pausas,
Nas metonímias.
Habito o espaço
Entre uma estrofe e outra
Sou o silêncio de sua boca
Entre uma fala e outra
Sou consoante nula
Mas ainda existente
Não visualize, nem tente
Interprete-me
Sou cada “a”
Sou cada “e”
Não conheço quem me partilha
Sou um túnel sem fim
Onde os carros colidem
Numa escuridão absurda
Não menos suicida.
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Convido você leitor, para que visite meu blog de prosa:
http://www.calamidadevisceral.blogspot.com/

número 17 - Metrópole Locomotiva

Fui convidada pelo David para falar de bandas alternativas, e que estão fora ou à margem do grande público, ou ainda restritas a pequenos centros. Escolhi o rock daqui de Brasília, para inaugurar este espaço. Uma banda que me conquistou, por misturar música e poesia, de uma maneira tão única que chega a ser tocante, falo de Metrópole Locomotiva. Quem me conhece sabe, que só pelo nome da banda estaria arrebatada, por cultuar os temas metropolitanos, mas não é só isso.
O meu primeiro contato com sua música foi no Festival Rolla Pedra, comprei um CD, que era vendido ali mesmo, no final de sua apresentação. Fiquei encantada com o vocalista franzino, citando João Cabral de Melo Neto e poemas próprios no meio do ritmo do rock, tinha uma performance vigorosa, juntamente com os outros componentes, numa apresentação quase teatral.
Entrevistei Daniel Kirjner, o vocal e compositor das músicas, o “poeta da banda”. Infelizmente o guitarrista solo saiu, portanto a questão dos integrantes está meio confusa, “uma fase de transição e troca de integrante é sempre desgastante”, confessa Daniel.
Tudo começou numa reunião de amigos de colégio, querendo tocar rock, no carnaval do ano 2000. Daniel tinha algumas composições prontas e queria ensaiá-las. Daquela formação, só Daniel e Caverna estão até hoje na banda.
O grupo é formado provisoriamente por:
• Vítor Moraes (Moraes)- Guitarra;
• Rafael Gabler (Caverna) – Teclado;
• Pedro Martins (Makaeh) – Baixo;
• João Paulo Gravina – Bateria;
• Daniel Kirjner – Vocal.
Cada integrante da banda traz suas próprias influências:
Makaeh: Black Sabbath, Pupila (banda de Macaé) e Dance of Days. Caverna: Ramones, Raul Seixas, The Clash. Moraes: Los hermanos , Weezer, Radiohead, Beatles, Pavement, Nirvana.João Paulo: Rush, Sepultura, Led Zeppelin, Black Sabbath, Pantera, Dream Theater. Daniel: Lupcínio Rodrigues, Paulo César Pinheiro, Gonzaguinha, Elis Regina, Legião Urbana, Cazuza, Noel Rosa, Led Zeppelin, Rage Against the Machine e Bad Religion.
Vale a pena conferir!
Recomendo:
Apesar de Tudo (CD da Banda)
Minha música preferida é:
Conversa com os espíritos

Sítios:
www.metropolelocomotiva.com
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=439949
www.fotolog.com/metropole
Para ouvir Metrópole Locomotiva:
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=29202
Venda de CDs neste telefone: 81246503 (Daniel)
E-mail: Metropolebsb@yahoo.com.br

Boa semana, e até a próxima!

Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.

O objetivo maior do meu trabalho é a troca, por isso há espaço para comentários no rodapé da página.

Dúvidas ou sugestões:

larissapin@hotmail.com

sábado, dezembro 30, 2006

número 16 - Nathalie Brandes Lourenço

Sinto-me duplamente feliz quando o Caleidoscópio é uma indicação de um amigo, neste caso, Leandro Jardim, quem me apresentou a Czarina das Quinquilharias. Nathalie Brandes Lourenço, escritora, nascida em 1984, em São Paulo, onde vive até hoje.

Essa descoberta foi muito gratificante, pois vejo em Nathalie o ímpeto e o entusiasmo que tinha há dez anos, o que aumenta minha esperança de que algo, no campo literário, já está mudando nesse país.

Seu blog intitulado “Sabedoria de Improviso” desnuda uma escritora intimista e existencialista, mas não só isso, sacode as mentes desavisadas de maneira permanente, é contundente e perturbadora, sempre em tom confessional.

Seus contos trazem fragmentos de vidas que poderiam ser a minha ou a sua, caro leitor, e chocam, alguns pelo excesso se realismo, outros por um surrealismo, uma teoria do absurdo, tudo misturado em uma prosa simples, longe de ser simplória.

Sua poesia é mais leve, quase toca a doçura, em alguns momentos, se comparada à prosa, mas não estou e nem quero generalizar, pois Czarina é uma escritora versátil e criativa, confesso-me tocada por sua escrita em vários sentidos.

Em muitos textos que li, percebi que ela tem a facilidade de mudar o ângulo de visão do leitor, consegue guinadas que podem deixar tonto ou até nos deixar sem chão.

Recomendo:
Poesias:
Simbólico
Outro domingo
O que Jack não disse
Sem sapatilhas
Andaluza
Os mortos-vivos

Prosas:
A Yakissoba Story – Partes 1,2 e 3
A teoria na prática
O sexo ou HAAGEN DASZ
Prefiro o barulho do mar
Croniqueta

Blog:
http://sabedoriadeimproviso.blogspot.com/

Sítio:
http://www.zineabsinto.cjb.net/


Boa semana, e até a próxima!

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quarta-feira, dezembro 27, 2006


Meu olho esquerdo

Não repare
Não me olhe muito
Pois percebi agora
Que meu olho esquerdo
É enorme
Mais permissivo
Mais revelador
Menos punitivo
Menos constrangedor
Quem me dera tivesse
Dois olhos esquerdos
Para ver apenas um lado
Para perceber melhor os outros
Pois meu olho direito
Só inflama
Só me reprime
Só me engana.

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quinta-feira, dezembro 21, 2006

número 15 - Leandro Jardim

Sempre é bom reiterar ao leitor do prazer que sinto por estar aqui e, principalmente, descobrindo gente nova brotando e florescendo, neste solo fértil que é a rede. Leandro Schoemer Jardim foi mais um achado, uma dessas raridades, uma jóia, um oásis de bom gosto e de boa leitura.

Carioca, compositor, cantor, letrista e poeta, nascido em 1979, em Birmingham, na Inglaterra, onde seus pais brasileiros foram estudar mestrado e doutorado. Voltaram para o Rio de Janeiro quando ele tinha três anos de idade. Leandro faz questão de enfatizar que é brasileiro e carioca.

Diz ter começado a tocar violão aos dezoito anos, autodidata, contava apenas consigo e a boa vontade dos amigos, o violão era companheiro inseparável, começou a transformar suas tristezas compondo letras de música e confessa que no princípio não tinham qualidade.

Ao entrar no curso de comunicação da PUC, seu interesse por arte e música, em especial, deu uma guinada. Juntou os amigos em uma banda chamada Kauabanga e apresentou-se em seu primeiro show.

A banda acabou, mas Leandro continuou compondo e iniciou as gravações de seu trabalho e foi isso que marcou a sua guinada de compositor pra poeta: quando decidiu ser letrista, focar a parte da composição.

Conheceu Rafael Gyner, atualmente seu parceiro musical, que o presenteou com um livro de Fernando Pessoa, citou também Manoel de Barros, como influência, embora admitindo ter um estilo próprio, diz que a poesia foi elemento modificador em sua vida.

O blog nasceu dessa sua empolgação pela poesia e pela música. Nele Leandro nos brinda com seus poemas melodiosos, sonoros, que nos fazem viajar nos sons, nas toadas da natureza e da urbanidade. Traz amor e lamento em seus versos, afiados, cortantes. Vale a pena conferir!


Recomendo:
Trilogia do Lamento
Esse vento
Gênios e loucos
Urbanismo e Natureza

Blogs:
http://florespragasesementes.blogspot.com/
http://blogdesete.blogspot.com/

Ouça Leandro Jardim
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=34585

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terça-feira, dezembro 19, 2006


Uma alegria doentia me toma
Sinto me feliz com aquela tristeza
Um leve frescor invade meu ser
E esta sensação de água gelada
Aplacando a sede da boca sedenta
Enquanto um rosto empalidece,
Um corpo desfalece...
Ver essa angústia
Encanta-me
Sou penetrada com agudez
Pela faca fria da realização...
Volúpia, nesta viagem interminável,
De querer o mórbido,
De olhar a dor,
De me sustentar com ela...
Como é linda a tristeza,
Como ela me seduz,
Carrega-me em seu colo
E me leva delirante
E repleta de mim
Rumo ao desconhecido.
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terça-feira, dezembro 12, 2006

número 14 - Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

Encontrei Paulo em uma comunidade do Orkut, chamada “Bar do Escritor”, um caminho muito diferente dos outros escritores já citados até aqui. Paranaense, nascido e criado na cidade de Ponta Grossa, Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves tem uma personalidade forte e irreverente, não faz questão de agradar, joga seus textos na cara do leitor e isso me apetece.

Seus poemas escatológicos, corrosivos, não deslumbram os olhos desavisados, mas como gosto de poetas marginais, o identifiquei logo, ele debocha da sociedade, das fraquezas e mazelas humanas, lembrou-me Glauco Mattoso, o primeiro escritor que apresentei aqui no Caleidoscópio.

Paulo é livre, desnudo dos falsos pudores sociais, pelo menos em sua poesia, na prosa participa de um blog, mas disse que não pode escrever palavrões neste espaço, então é mais recatado, o que não afeta em nada sua língua ferina, que chicoteia, tripudia do inconsciente popular.

Diz se interessar por física quântica, misticismo, e coisas que são tão inexplicáveis que sequer nome têm. Citou Bukowski e Remarque como influências.

No aspecto material, o conteúdo, confessa ter preferência sobre o formal, por isso se perde entre “acentos” e “porquês”, por se tratarem do meio e não do fim da escrita. Sendo assim, atenha-se ao conteúdo que esse escritor tem, ele é fascinante! Pouco convencional, mas surpreendente!

Como aviso sempre, escrevo apenas sobre o que me agrada, meu crivo é torto, mas tem crédito. Vale a pena conferir!


Recomendo:
Para quem tem Orkut:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2469156686073975035
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2463764322421592315
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2470783952545665275
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2460390677150191867
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455170911053566203
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2457956004071493883
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455728584639664379
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455641837037703419
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2456127342288326907

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