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quinta-feira, abril 12, 2007



Procurei-me em teus olhos
Nas entranhas noturnas
E as estrelas brilharam inertes
Somos pó desse universo
Confuso, obtuso
Deixei-me aprisionar
Em teus versos pobres
E agora estou só
Neste mundo
Haxixe, heroína, cocaína,
Onde estará Macunaíma?
Talvez solto
Em meus desejos torpes
Preso nos meus beijos
Em Baudelaire
Em meus sonhos secretos
Em minhas artérias negras
Em meus infernos íntimos
Descobri-me, enfim,
Verme desse universo absurdo
Sou surdo, mudo e moribundo
Mas ainda me sobram os olhos.

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segunda-feira, abril 02, 2007

Amores narcisos

(foto Alex Costa)


Observar amores narcisos
Que precisam-se
Para sobreviver


Viver amores narcisos
Que deixam suas insanidades
Expostas, como fraturas
De terceiro grau,
Dilacerantes e encantadoras


Riem-se dos outros
Mas só vislumbram-se
Mutuamente


Tocar ódios narcisos
Pelas dependências recíprocas
Quase intocáveis
Morrer pecados narcisos
Olhando-se sem alcançarem
Suas imagens refletidas.


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terça-feira, março 27, 2007



Os semáforos ditam o ritmo urbano
Cedem tempo para refletir
Segundos para viver
São pausas entre o caos
Tímidos e vazios passam os caminhantes
Já não há futuro como antes
Como no tempo das carroças...
Hoje, nas veias da cidade
Os semáforos controlam o fluxo do tempo
Imperam soberanos, apenas com seus olhos
Vigiam com sua música simétrica
Atônitos e aflitos piscam
Exigem reverências como deuses
Almeja-se o segredo de seu equilíbrio
Pois olham-se mais semáforos
Que a existência
Pousa-se mais esperança numa luz verde
Que na vida
Odeia-se mais um sinal vermelho
Que a morte.

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quarta-feira, março 21, 2007

número 18 - Marina Rabelo Caldas

Depois de um breve período de férias, retorno com toda a força para o trabalho. Por ter recebido uma proposta de um sítio musical, minhas colunas que antes eram semanais, agora serão quinzenais, espero contar com a compreensão de todos neste sentido.

Nesta edição falarei de Marina Rabelo Caldas, nascida em 1981, na cidade de Fortaleza-CE e criada em Natal-RN, diz considerar-se natalense.

Falando sobre suas influências literárias, “Marina Morena” confessa-se viciada em livros e que suas paixões são Rubem Fonseca e Gabriel Garcia Márquez, mas se diz tocada por Hilda Hilst, Pablo Neruda, Elisa Lucinda e Ana Cristina César.

E como tudo que escrevemos é uma fermentação de um olhar mais contemplativo próprio de quem poeta, a escritora completa dizendo que filmes, músicas, qualquer acontecimento pode acender essa chama interior.

Como a maioria, relata que começou rabiscando pequenos versos em cadernos e nunca se deu conta que era poesia, até o advento dos blogs, quando resolveu transcrever as obra para a rede, aí o gosto virou paixão.

Citou alguns nomes desconhecidos como as poetisas Iracema Macedo e Marize Castro, que são atuais e têm livros editados no Rio Grande do Norte.

O que achei curioso no trabalho de Marina Morena é seu desbravar existencial, sua busca por si e seus interiores. Tem gosto pela poesia, passeia também pela prosa poética, mas disse que se tivesse que escolher, sem dúvida a preferência seria a poesia.

Vale a pena conferir, Marina Morena, como disse a ela seu nome artístico sempre me remete à música de Adriana Calcanhoto.

Blogs:

http://versosdelirios.blogspot.com/
http://e-digitais.blogspot.com/
http://blogdesete.blogspot.com/




Recomendo:

In Vento
Poemas amassados
Silêncio
Nua
Cinzas
DesejosDelírios (é junto assim mesmo);

Entre tantos outros!
Até a próxima!
Comentários no rodapé da página.

Dúvidas ou sugestões:
larissapin@hotmail.com

quarta-feira, fevereiro 28, 2007


Meus dedos aflitos,
Nicotínicos
Estão exaustos
Cansados de mim
De minha enfadonha rotina
Sou repulsiva aos olhos alheios
E muito poucos me entendem
Seguro inconstante
Meu cigarro
E meu tesão por Baudelaire
Não almejo mais nada
Que não seja a fumaça
E o gozo patético
Das palavras
Proparoxítonas
Presas no átono tom
Sou avessa aos sons
E a melodia me detesta
Tenho calo nos olhos
E as rimas estão em orgia quântica
Longe, bem longe desse equívoco
Que é minha poesia.
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terça-feira, fevereiro 13, 2007




Uma rosa sabe o cerne da dor
Vive se despetalando
Abrindo mão de partes de si
Para o mundo, para o tempo
Que é tão curto
E quando não é arrancada,
Deflorada, doada em prova de amor
Em vida ou em morte
Uma rosa sabe o cerne da dor
Dá seu perfume, em troca de nada
O vento forte não a afaga
A apunhala inúmeras vezes
As gotas de chuva
Espancam-na sem pena
Levam-na ao chão
Sem que ela peça clemência
Uma rosa sabe o cerne da dor
Talvez mais um corpo
No meio de tantos
Que é despetalado
Extirpado de si
Arrastado, jogado ao tempo
Esquecido
Uma rosa sabe o cerne da dor.
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segunda-feira, fevereiro 05, 2007


Por vezes me pergunto
Porque escolher o mais difícil
Para quê me entregar ao contra senso
Porque me entrego aos braços da angústia
Porque não aceito a verdade alheia como a minha
A infame cinza da infelicidade
Encobre meus pensamentos
Faz-me analisar com frieza
E minha boca amarga
Não se cala diante da mesmice
E da vulgaridade
A inútil visão crítica
Fermenta minhas palavras hostis
Que projetam meu asco e ranço
E toda a miséria humana previsível
Não me calo diante das desumanidades
E dos vícios
Por vezes me pergunto
Porque escolher o mais difícil
Se é mais fácil fechar os olhos
Pois não haverá fim para as atrocidades
Já estamos entregues
Ao que nos salva de nós mesmos
Por vezes me pergunto
Porque escolher o mais difícil?


*Ilustração de minha autoria


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quarta-feira, janeiro 31, 2007





Sou um ser institucionalizado
Marcado, registrado, carimbado,
Em cartório ou sanatório prisional
Cidadão sacrificado, instigado,
Pela roda social
Sem intuito ou intuição
Apenas cercado na instalação
Pela sociedade ditatorial
Dizem que protegido
Pela constituição
Sou apenas mais um lesado
Sou trabalho braçal do Estado
Graxa da engrenagem capital
Sou a decadência, a falta de decência,
Na minha não confrontação
Na minha falta de visão.




* A ilustração é de minha autoria


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sexta-feira, janeiro 19, 2007




Um olhar distante
Talvez a engane
Tão profundos jorram
O sangue e a sorte
Mas ela é astuta
Não se engana o objeto estrangeiro
Nem a carne invadida,
Dilacerada, tomada,
Pode se sentir a dor alheia
E até compartilhar dela
Mas o gozo é solitário
Não comungado
Um dos olhos
Ateve-se um pouco mais
Em si mesmo
E avermelhado
Fechou-se
Num derradeiro conforto
Não lutou mais
Já não era um confronto
Era mais um encontro.
O outro permaneceu aberto
Como na espreita
Para uma única chance
Espera vã.
* A ilustração é de minha autoria

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sábado, janeiro 06, 2007



Vide bula
Não me analise
Leia-me com atenção
Estou nas palavras difíceis
Nas entrelinhas, pausas,
Nas metonímias.
Habito o espaço
Entre uma estrofe e outra
Sou o silêncio de sua boca
Entre uma fala e outra
Sou consoante nula
Mas ainda existente
Não visualize, nem tente
Interprete-me
Sou cada “a”
Sou cada “e”
Não conheço quem me partilha
Sou um túnel sem fim
Onde os carros colidem
Numa escuridão absurda
Não menos suicida.
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Convido você leitor, para que visite meu blog de prosa:
http://www.calamidadevisceral.blogspot.com/