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quinta-feira, abril 26, 2007



ensinou-me os paraísos
em todos os sentidos
aguçou minhas sensibilidades
debulhou imprecisas possibilidades
foi-se sem aviso
dilacerar novos seres...

e no negro da noite
esperei por ti
reinventei-te
em tragos descomunais
porções de haxixe
campos de papoulas...

e no negro da noite
entreguei-me a outros braços
a outros vícios
quis-me paraíso narciso
com cipós brotando nas narinas
seus olhos habitando minha vagina...

e no negro de meu ser
seu sexo ereto em minha boca
o martírio de vitórias-regias
em meus olhos
acordo sozinha
vazia de nós.

RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2007. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.

edição final Ars Litera

Quando algum imprevisto acontece, tenho o prazer de sair um pouco da rotina. Tive o prazer de entrevistar um dos “conspiradores” da Ars Littera, Bruno Cardoso. Seguem trechos da entrevista:
Larissa:
Quem são os “conspiradores”?
Bruno diz:
Eu (Bruno Cardoso), Luiz Octávio, Márcio Vandré, Jimmy Jacques, Clarissa Villas Boas e você (Larissa Marques).
Larissa:
Por que a Ars surgiu?
Bruno diz:
A idéia, num primeiro momento era de fazer um blog com textos, mas acabamos desenvolvendo melhor a idéia e nasceu a Ars Littera.
Larissa:
Mas o que diferenciaria a Ars Littera dos outros blogs/ sítios de literatura?
Bruno diz:
Por ser uma proposta mais ampla, talvez, não são apenas textos na internet. A meu ver, a Ars Littera tem mais jeito de um movimento (por expor outras formas de arte) do que de um blog/sítio qualquer. Há ideologia, há intenção de modificar, de unir pessoas que têm o mesmo ímpeto que temos.
Larissa:
Porque Ars Littera?
Bruno diz:
Quem teve a idéia foi o Luiz, Ars Littera — é em si uma ironia, uma sutil chacota àqueles puristas da língua latina. Além disso, essa neologística expressão é uma súmula que une à palavra Arte a unidade que em fim é formadora de todo o legado cultural de um povo: o vocábulo letra, ou, no idioma romano, Littera. Assim está explicado no texto inicial do site. É algo que implica em "Arte Literária", embora literalmente não seja exatamente isso.
Larissa:
Acha que a arte, como elemento modificador, faz diferença num país tão carente de ideologia, como o Brasil?
Bruno diz:
Faz. Um país sem arte é um país sem cultura. E, independente de ideologias, qualquer movimento que se disponha a promover a cultura ou a criar coisas novas, é extremamente importante.
Larissa:
Os participantes,em sua maioria, são universitários, privilegiados, por que uma pequena parcela da população brasileira tem essa oportunidade. Acha que a educação é primordial para a mudança de atitude de um povo, ou a conscientização pode nascer por outras fontes?
Bruno diz:
A educação é essencial. Não adianta querer evoluir se não se tem uma base mínima de conhecimento. Mas a conscientização, num sentido mais amplo, pode até surgir de outras fontes, embora seja difícil contar com isso.
Larissa:
Acha que a internet, por ser uma mídia jovem, é menos contaminada do que a televisão?
Bruno diz:
É uma mídia mais livre. Não há limitações como em outros veículos, na internet se faz o que bem se entende e pronto.
Larissa:
Acredita que os incentivos fiscais e tecnológicos, voltados para inclusão digital, tornarão, em curto e médio prazo, a rede mais popular, menos elitista?
Bruno diz:
Eu espero que a internet se torne cada vez acessível para todos, embora não seja de nosso interesse ficarmos restritos a este único meio de comunicação.
Larissa:
Almejam outros meios de comunicação, além da rede? Quais?
Bruno diz:
Todos.
Bruno diz:
Menos a televisão.
Bruno diz:
Queremos todos. Impressos, virtuais, cinematográficos, tudo. Menos a estupidez televisiva.


Visite Ars Littera:
http://www.arslittera.com/

Boa semana, e até a próxima!

Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.

O objetivo maior do meu trabalho é a troca, por isso há espaço para comentários no rodapé da página.

Dúvidas ou sugestões:

larissapin@hotmail.com

quinta-feira, abril 19, 2007

Óleo fervente
Cicuta
Escuta o mal invadir
Não feche os olhos
Não vai permitir
Assistirá tudo
Verá sua carne
Sendo preparada
E sentirá
O tremer involuntário
A contração dos nervos
Óleo fervente
Gota a gota
Em sua pele alva
E se gritar
Deus te salva?
Há opções
Tome a cicuta
E poupa-te de sofrimento
Aceita que essa é a sina
De quem vive
Tendo fé ou não.
Óleo fervente
Ou cicuta?
Veja o que te cabe
Tome prumo
Escolha
Ou deixe ser escolhido
Conforme-se com sua condição
Crente ou pagão
Seu corpo está entregue
Às dores mundanas
Hão de corroer suas esperanças.
Óleo fervente
Ou cicuta?

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quinta-feira, abril 12, 2007



Procurei-me em teus olhos
Nas entranhas noturnas
E as estrelas brilharam inertes
Somos pó desse universo
Confuso, obtuso
Deixei-me aprisionar
Em teus versos pobres
E agora estou só
Neste mundo
Haxixe, heroína, cocaína,
Onde estará Macunaíma?
Talvez solto
Em meus desejos torpes
Preso nos meus beijos
Em Baudelaire
Em meus sonhos secretos
Em minhas artérias negras
Em meus infernos íntimos
Descobri-me, enfim,
Verme desse universo absurdo
Sou surdo, mudo e moribundo
Mas ainda me sobram os olhos.

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segunda-feira, abril 02, 2007

Amores narcisos

(foto Alex Costa)


Observar amores narcisos
Que precisam-se
Para sobreviver


Viver amores narcisos
Que deixam suas insanidades
Expostas, como fraturas
De terceiro grau,
Dilacerantes e encantadoras


Riem-se dos outros
Mas só vislumbram-se
Mutuamente


Tocar ódios narcisos
Pelas dependências recíprocas
Quase intocáveis
Morrer pecados narcisos
Olhando-se sem alcançarem
Suas imagens refletidas.


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terça-feira, março 27, 2007



Os semáforos ditam o ritmo urbano
Cedem tempo para refletir
Segundos para viver
São pausas entre o caos
Tímidos e vazios passam os caminhantes
Já não há futuro como antes
Como no tempo das carroças...
Hoje, nas veias da cidade
Os semáforos controlam o fluxo do tempo
Imperam soberanos, apenas com seus olhos
Vigiam com sua música simétrica
Atônitos e aflitos piscam
Exigem reverências como deuses
Almeja-se o segredo de seu equilíbrio
Pois olham-se mais semáforos
Que a existência
Pousa-se mais esperança numa luz verde
Que na vida
Odeia-se mais um sinal vermelho
Que a morte.

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quarta-feira, março 21, 2007

número 18 - Marina Rabelo Caldas

Depois de um breve período de férias, retorno com toda a força para o trabalho. Por ter recebido uma proposta de um sítio musical, minhas colunas que antes eram semanais, agora serão quinzenais, espero contar com a compreensão de todos neste sentido.

Nesta edição falarei de Marina Rabelo Caldas, nascida em 1981, na cidade de Fortaleza-CE e criada em Natal-RN, diz considerar-se natalense.

Falando sobre suas influências literárias, “Marina Morena” confessa-se viciada em livros e que suas paixões são Rubem Fonseca e Gabriel Garcia Márquez, mas se diz tocada por Hilda Hilst, Pablo Neruda, Elisa Lucinda e Ana Cristina César.

E como tudo que escrevemos é uma fermentação de um olhar mais contemplativo próprio de quem poeta, a escritora completa dizendo que filmes, músicas, qualquer acontecimento pode acender essa chama interior.

Como a maioria, relata que começou rabiscando pequenos versos em cadernos e nunca se deu conta que era poesia, até o advento dos blogs, quando resolveu transcrever as obra para a rede, aí o gosto virou paixão.

Citou alguns nomes desconhecidos como as poetisas Iracema Macedo e Marize Castro, que são atuais e têm livros editados no Rio Grande do Norte.

O que achei curioso no trabalho de Marina Morena é seu desbravar existencial, sua busca por si e seus interiores. Tem gosto pela poesia, passeia também pela prosa poética, mas disse que se tivesse que escolher, sem dúvida a preferência seria a poesia.

Vale a pena conferir, Marina Morena, como disse a ela seu nome artístico sempre me remete à música de Adriana Calcanhoto.

Blogs:

http://versosdelirios.blogspot.com/
http://e-digitais.blogspot.com/
http://blogdesete.blogspot.com/




Recomendo:

In Vento
Poemas amassados
Silêncio
Nua
Cinzas
DesejosDelírios (é junto assim mesmo);

Entre tantos outros!
Até a próxima!
Comentários no rodapé da página.

Dúvidas ou sugestões:
larissapin@hotmail.com

quarta-feira, fevereiro 28, 2007


Meus dedos aflitos,
Nicotínicos
Estão exaustos
Cansados de mim
De minha enfadonha rotina
Sou repulsiva aos olhos alheios
E muito poucos me entendem
Seguro inconstante
Meu cigarro
E meu tesão por Baudelaire
Não almejo mais nada
Que não seja a fumaça
E o gozo patético
Das palavras
Proparoxítonas
Presas no átono tom
Sou avessa aos sons
E a melodia me detesta
Tenho calo nos olhos
E as rimas estão em orgia quântica
Longe, bem longe desse equívoco
Que é minha poesia.
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terça-feira, fevereiro 13, 2007




Uma rosa sabe o cerne da dor
Vive se despetalando
Abrindo mão de partes de si
Para o mundo, para o tempo
Que é tão curto
E quando não é arrancada,
Deflorada, doada em prova de amor
Em vida ou em morte
Uma rosa sabe o cerne da dor
Dá seu perfume, em troca de nada
O vento forte não a afaga
A apunhala inúmeras vezes
As gotas de chuva
Espancam-na sem pena
Levam-na ao chão
Sem que ela peça clemência
Uma rosa sabe o cerne da dor
Talvez mais um corpo
No meio de tantos
Que é despetalado
Extirpado de si
Arrastado, jogado ao tempo
Esquecido
Uma rosa sabe o cerne da dor.
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segunda-feira, fevereiro 05, 2007


Por vezes me pergunto
Porque escolher o mais difícil
Para quê me entregar ao contra senso
Porque me entrego aos braços da angústia
Porque não aceito a verdade alheia como a minha
A infame cinza da infelicidade
Encobre meus pensamentos
Faz-me analisar com frieza
E minha boca amarga
Não se cala diante da mesmice
E da vulgaridade
A inútil visão crítica
Fermenta minhas palavras hostis
Que projetam meu asco e ranço
E toda a miséria humana previsível
Não me calo diante das desumanidades
E dos vícios
Por vezes me pergunto
Porque escolher o mais difícil
Se é mais fácil fechar os olhos
Pois não haverá fim para as atrocidades
Já estamos entregues
Ao que nos salva de nós mesmos
Por vezes me pergunto
Porque escolher o mais difícil?


*Ilustração de minha autoria


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