
“O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter.” - Jean-Paul Sartre
autodestruição
desejei o submundo
o cais do porto
a maresia que guarda tudo
o cheiro da morte
faltou-me o nome
sobrenome, pão
memória e costela
e ainda quis o desterro
destruí minha retórica
remoí minhas vísceras
e servi no jantar
com vinho barato
venéreo, contaminei algumas
virgens astutas
doces prostitutas
e carolas malamadas
desfolhei cadernos
anotações rasas
versos nulos
para amores vãos
e só tenho o que não quero
palavras falhas
mãos calejadas
e pensamentos execráveis
a vaga lembrança
que resplandeci
talvez amei, não sei,
já faz tanto tempo
antagônico aos desejos bobos
quereres utópicos, ouro dos tolos
almejei apenas ser sozinho
e não sou.








