já que os silêncios
aprofundaram-te a fala
que jaz, introspectiva
rogo que consiga eu me calar
pois não há por que de escrita
se não há ninguém para
interpretar
agasalha-te nesse ostracismo
forte e vicioso
que é ele que cabe
aos fortes de espírito
e sedentos de saber
fura esse engano torpe
que ilude os tímpanos
e alivia as dores
devassa as incondições
humanas
de enfrentamento da dor
e cataloga as incertezas
que habitam em tuas retinas
quem sabe daqui há dois mil
anos luz
descubram
Homo Sapiens sentimental
e comovam-se pois não passaria
de um homem-de-neandertal.
domingo, abril 27, 2008
quinta-feira, abril 17, 2008

“O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter.” - Jean-Paul Sartre
autodestruição
desejei o submundo
o cais do porto
a maresia que guarda tudo
o cheiro da morte
faltou-me o nome
sobrenome, pão
memória e costela
e ainda quis o desterro
destruí minha retórica
remoí minhas vísceras
e servi no jantar
com vinho barato
venéreo, contaminei algumas
virgens astutas
doces prostitutas
e carolas malamadas
desfolhei cadernos
anotações rasas
versos nulos
para amores vãos
e só tenho o que não quero
palavras falhas
mãos calejadas
e pensamentos execráveis
a vaga lembrança
que resplandeci
talvez amei, não sei,
já faz tanto tempo
antagônico aos desejos bobos
quereres utópicos, ouro dos tolos
almejei apenas ser sozinho
e não sou.
Marcadores:
Larissa Marques,
Poesia
sexta-feira, abril 11, 2008
visagem

estes olhos
vendados em fuga
sem saber para onde
não têm porque
lajeados perdidos
em telas brancas
sob pincéis ásperos
e pouca tinta
em bocas desdentadas
recitam asco
fraquezas e taras
macias e aleijadas
vivem paraísos ilusórios
e pintam paisagens cinza
com a fumaça da metrópole
truculenta e assassina
adornam lagos e rios
com pontes inúteis
e caminhos fúteis
deixando de ser
percebem, enfim,
que nada mais os afeta
seja o silêncio
ou a palavra que execrada
tudo é questão de amperagem
ou gerarão força motriz
e perdendo-se em intensidade
ou serão graxa de engrenagem.
quarta-feira, março 26, 2008

balada da mulher cansada
manhãs douradas
que não suportam
o peso dos ombros
de uma proletária
da fábrica e dos amantes
a escrava da balança
a herdeira da pobreza
sem força para ser bela
solitária
entre o caos concreto
e coágulos de vida
não alimenta o céu
nem amamenta
e acalanta o dia
dorme no metrô
mas não lembra dos sonhos.
(fotografia e poema de minha autoria protegidos pela lei de direitos autorais)
Marcadores:
Larissa Marques,
Poesia
sábado, março 22, 2008

hoje é o dia
de minha libertação
deixo as letras
cansei de me explicar
aplacada
por minhas incertezas
e meus signos tortos
cravo-me no silêncio
visceral
não há palavra
só há insatisfação
não há realidade
apenas interpretação.
(imagem e escrito protegidos pela lei de direitos autorais)
Marcadores:
Larissa Marques,
Poesia
sexta-feira, março 07, 2008

equilibro-me entre o caos de teu rosto e o abismo
em teu rosto
não basto-me
nem em tuas sombras infinitivas
e pálpebra intuitiva
caída no regalo de meu ser
talvez por definir-me
tão crua e improdutiva
quem sabe seja
em minha ânsia
por querer demais.
no abismo sóis infinitos
lembram-me que sou noites em claro
passantes apressados
pisam sobre minha aparente calma
edifícios altos
e vazios imensos
apontam-me quem sou
sons distorcidos
destoam de mim
estou palavra cheia.
Marcadores:
Larissa Marques,
Poesia
quinta-feira, fevereiro 07, 2008

entranha contaminada da chaga
que a língua toca e o verbo deteriora
num furúnculo cancerígeno
que resguarda o dano ferido
colchas medidas em fardos doentios
em pestes que arregaçam as artérias
és pigarro verminoso, pus vigoroso
que lateja, lacrimeja e invade as narinas
tomas o feto e a cura
do mal que nem
supõe existir
silencioso beija a carne viva
tomando-a em mordidas nocivas
gangrena altiva que atrofia em redenção
cada mancha inválida
cada lampejo pendular
não se sabe se ávido
ou se pálido
tudo pende ao ambíguo
o epílogo do começo
o alvorecer do fim.
quarta-feira, janeiro 16, 2008

desejei-te hoje
como quem quer palavras simples
ou quem ora ao vento
um grito no escuro
vaguei de olhos fechados
e trouxe-te em meu ventre
lascivo
beijaste meu soul
tomaste meu gozo
e na ilusão de ter-te
duvidei da realidade
és algo
mistura passado e futuro
sem escanção e repleto de luxúria
invadira minha mente, meu corpo...
ciente do esgarço das rimas,
da libertinagem do verbo
e da lascidão do imperfeito
sem explicação, somos
suportamos a vida
e levamos a letra assim
Vivi sóis de verão
vemos tardes cinza
e noites paulistanas
tatuadas em minha pele.
terça-feira, janeiro 15, 2008
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Assinar:
Postagens (Atom)

