antes chorar
definhar-me em rosários
e hóstias bestiais
de meus pensamentos impuros
em ti
mas não há lágrima
há fúria e desencanto
rasgo-me em devassidão torpe
e condeno-me à loucura inerte
aqui
sorrio como Salomé
debochada e despudorada
enquanto o largo das apnéias
teimam em tirar-me
o ar
respiro-te
inspira-me
tão distantes
tão entregues
sós.
http://www.youtube.com/watch?v=jjmOTlfrZ6Qhttp://www.youtube.com/watch?v=ffbdW1IDd8Y
http://www.youtube.com/watch?v=F4Z5g9lD9cY
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
terça-feira, janeiro 06, 2009

boneca de trapo
pode-se ver
que é feita de farrapos
e recheadas de teorias
filosofias alheias
e ensaios inacabados
tem pouco tato
dedos grudados
numa só costura
sem divisão
traz olhos de vidro
que pouco ou nada veem
pensamentos embuchados
numa mente de algodão
não ouve bem
fala menos ainda
a boca é um misto
de Marylin Monroe
Edie Sedgwick
na imaginação infantil
brinquedo divertido
na verdade adulta
voraz carranca
a realidade e ficção
são uma só boneca de trapo
porta sem tranca
vista de lados opostos
por ignorantes sem visão.
(fotografia original: boneca de trapo
pode-se ver
que é feita de farrapos
e recheadas de teorias
filosofias alheias
e ensaios inacabados
tem pouco tato
dedos grudados
numa só costura
sem divisão
traz olhos de vidro
que pouco ou nada veem
pensamentos embuchados
numa mente de algodão
não ouve bem
fala menos ainda
a boca é um misto
de Marylin Monroe
Edie Sedgwick
na imaginação infantil
brinquedo divertido
na verdade adulta
voraz carranca
a realidade e ficção
são uma só boneca de trapo
porta sem tranca
vista de lados opostos
por ignorantes sem visão.
(fotografia original: http://www.flickr.com/photos/xkalokax/2192536178/ )
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quinta-feira, novembro 06, 2008
sexta-feira, outubro 10, 2008

digam-me onde há glória!
quero Glória, em pires
ou dentro de latinhas
de cerveja
para consumo imediato
ela me enlouquece
embriaga e engana
fode-me por ter
credibilidade
depois do Katrina
ou que nome tenha
o furacão-menina
seja na janela
ou na latrina
o cuspe, o vômito
e o gozo renovam-me
e se existe glória nesse mundo
quero-a assim, com nome de mulher
quero foder Glória!
e toda sua história
mentirosa e infame
com sotaque de redenção
e acompanhem-me os coros de
“Glória, glória, aleluia
glória, glória, aleluia!”
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domingo, outubro 05, 2008
é aborto de verso e de filho
é aborto de verso e de filho
é sangue de plástico
e de paixão
é saco plástico
e coronária
papel e carne
presos na palavra
de verso concreto
de tijolo e pedra
é veia e intento
presos no útero vago
de uma prenhes
finda.
é sangue de plástico
e de paixão
é saco plástico
e coronária
papel e carne
presos na palavra
de verso concreto
de tijolo e pedra
é veia e intento
presos no útero vago
de uma prenhes
finda.
sexta-feira, setembro 05, 2008

recado público
quando redefinir teus poros
catalogar fracassos
tentativas frustradas
vômitos vazios
por falta de fome
e enfim assumir
o beijo seco e parco
pela gula que tinha-me
procura-me nos classificados
de domingo!
é lá que publico
erroneamente, meus olhares
desprezados
encontre artigos por meu nome:
Diva Etérea Estéril Doidivanas e tua.
quinta-feira, setembro 04, 2008
vinho versus tinta

vinho versus tinta
se tivesse ao menos uma razão
confrontaríamos os versos
a reboque
nessa noite sem lua
que te fará
parto inválido
na querência do fundo
talvez fosse de um sorriso
a dor que nascera sem par
e etílico vicio
a tensão lacerante
confesso-te inconstante
que amei-te
por míseros trinta minutos
e agora que defunto
talvez use essa ida
pra causar mais
alguma ferida
debaixo de meu seio
a morte impera
nas coronárias do ser
que quase viveu intacto
e não sobreviveu
vinho tinto versus tinta
tintos versos.
segunda-feira, julho 28, 2008
terça-feira, maio 20, 2008

as ampulhetas têm furos
por onde vazam
grãos finos de areia
qualquer hora,
terei que revirar
em algum momento
estarei vazia de mim
e cheia desse nada que consome
animas humanas
é como me sinto
um embuste dentro
de tantos outros
sou ampulheta de vidro
olham-me e não me vêem.
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