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sábado, março 14, 2009



enquanto nervosos corpos
sedentos mal saciam-se

línguas infectadas
de candidíase
e de espórios alheios
vingam-se em
sífilis
gonorréias
cancros moles
e herpes

que das vontades venéreas
não sobram nem a culpa
de serem transmissíveis.

terça-feira, março 03, 2009

sobre chá e colheres

deslumbrado com a passividade
com gravidade do aroma
com a pureza da água
na febre de folhas e flores mortas

o chá esfria

desinteressado do universo
ou do verso paralelo
não cabe nos dias
ou tão pouco se ilude em horas

o chá esfria

diluído em xícara
surrado por colheres
da direita para esquerda
decanta visceral

são cinco horas
e está tudo bem.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Musicaram poema meu!

antes chorar
definhar-me em rosários
e hóstias bestiais
de meus pensamentos impuros
em ti

mas não há lágrima
há fúria e desencanto
rasgo-me em devassidão torpe
e condeno-me à loucura inerte
aqui

sorrio como Salomé
debochada e despudorada
enquanto o largo das apnéias
teimam em tirar-me
o ar

respiro-te
inspira-me
tão distantes
tão entregues
sós.



http://www.youtube.com/watch?v=jjmOTlfrZ6Qhttp://www.youtube.com/watch?v=ffbdW1IDd8Y
http://www.youtube.com/watch?v=F4Z5g9lD9cY

terça-feira, janeiro 06, 2009



boneca de trapo

pode-se ver
que é feita de farrapos
e recheadas de teorias
filosofias alheias
e ensaios inacabados

tem pouco tato
dedos grudados
numa só costura
sem divisão

traz olhos de vidro
que pouco ou nada veem
pensamentos embuchados
numa mente de algodão

não ouve bem
fala menos ainda
a boca é um misto
de Marylin Monroe
Edie Sedgwick

na imaginação infantil
brinquedo divertido
na verdade adulta
voraz carranca

a realidade e ficção
são uma só boneca de trapo
porta sem tranca
vista de lados opostos
por ignorantes sem visão.

(fotografia original: boneca de trapo

pode-se ver
que é feita de farrapos
e recheadas de teorias
filosofias alheias
e ensaios inacabados

tem pouco tato
dedos grudados
numa só costura
sem divisão

traz olhos de vidro
que pouco ou nada veem
pensamentos embuchados
numa mente de algodão

não ouve bem
fala menos ainda
a boca é um misto
de Marylin Monroe
Edie Sedgwick

na imaginação infantil
brinquedo divertido
na verdade adulta
voraz carranca

a realidade e ficção
são uma só boneca de trapo
porta sem tranca
vista de lados opostos
por ignorantes sem visão.



(fotografia original: http://www.flickr.com/photos/xkalokax/2192536178/ )

quinta-feira, novembro 06, 2008

limítrofe

devotei-me à traição
e amo-te em mosaicos conflitantes
resisto ao seu querer
e persisto dissociada
em dúvidas e orgias ficcionais
extremos passionais

soul-te inteira
sem limites tênues
errante e impulsiva
idealizo tudo
a crença utópica
do endeusar pagão
dilacero-te e peço-te
não me deixe morrer só!

sexta-feira, outubro 10, 2008





















digam-me onde há glória!
quero Glória, em pires
ou dentro de latinhas
de cerveja
para consumo imediato
ela me enlouquece
embriaga e engana
fode-me por ter
credibilidade

depois do Katrina
ou que nome tenha
o furacão-menina
seja na janela
ou na latrina
o cuspe, o vômito
e o gozo renovam-me

e se existe glória nesse mundo
quero-a assim, com nome de mulher
quero foder Glória!
e toda sua história
mentirosa e infame
com sotaque de redenção
e acompanhem-me os coros de
“Glória, glória, aleluia
glória, glória, aleluia!”

domingo, outubro 05, 2008

é aborto de verso e de filho

é aborto de verso e de filho
é sangue de plástico
e de paixão

é saco plástico
e coronária

papel e carne
presos na palavra
de verso concreto
de tijolo e pedra

é veia e intento
presos no útero vago
de uma prenhes
finda.

sexta-feira, setembro 05, 2008



recado público

quando redefinir teus poros
catalogar fracassos
tentativas frustradas
vômitos vazios
por falta de fome

e enfim assumir
o beijo seco e parco
pela gula que tinha-me

procura-me nos classificados
de domingo!
é lá que publico
erroneamente, meus olhares
desprezados

encontre artigos por meu nome:
Diva Etérea Estéril Doidivanas e tua.

quinta-feira, setembro 04, 2008

vinho versus tinta


vinho versus tinta

se tivesse ao menos uma razão
confrontaríamos os versos
a reboque

nessa noite sem lua
que te fará
parto inválido
na querência do fundo

talvez fosse de um sorriso
a dor que nascera sem par
e etílico vicio
a tensão lacerante

confesso-te inconstante
que amei-te
por míseros trinta minutos

e agora que defunto
talvez use essa ida
pra causar mais
alguma ferida

debaixo de meu seio
a morte impera
nas coronárias do ser
que quase viveu intacto
e não sobreviveu

vinho tinto versus tinta
tintos versos.

segunda-feira, julho 28, 2008



galope

alforriado
cavalguei o tempo
sentindo o vento
da ignorância no rosto
infantil

já não sou inocente
e não acredito em liberdade.