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quinta-feira, julho 15, 2010
















brinca
com as maçãs
pedras que flutuam
e clitóris voadores
se Magritte pode
quem há de proibir?

terça-feira, junho 29, 2010

Alice despedaçada





















sonhei com outro presente para mim
que não incluísse bebedeira
e filhos bastardos para criar

as meias arrastão e a jogatina
acompanhadas de bebida forte
abrandavam devaneios

mas minha perdição
era a fumaça do cigarro
que fazia voar

veio cair em minha mão nada mais
que um ás e uma rainha de copas
olhava para as expressões pacíficas
de outros jogadores
naquele jogo a verdade
era o que menos importava

sem xícaras de chá ou botões
na lapela do Chapeleiro Louco
ou qualquer outra coisa
que viesse da terra dos espelhos
eu era igual a todas as outras

não fosse aquela rainha de copas
mal me lembraria de quem fui.

domingo, junho 20, 2010

das gaiolas






















foi-se o tempo
das jaulas
está liberto
por minhas mãos

abri a portinhola
querer livre
quer voar

quinta-feira, junho 03, 2010

íntimado






















(para meu íntimo amado)

toma-a íntimo
por não ter
a dor de amador
ah, meu!
ah, tão teu!
que não toma
o id que me doma
a dor que me toma
ama-a
meu íntimo amado
íntima dor!

quinta-feira, maio 20, 2010

um poema para seus olhos






















presa entre seus azuis
melodramáticos
meus mares se calam
falta me ar
perco o ártico

herói fadado ao tempo
meu sonho de menina
não se apagou.



(para Jeff Fahey)

sábado, maio 08, 2010

conjunção
























aqui invariável
seio farpado
regaço de venta

segunda-feira, maio 03, 2010
























do sexo binário
ao complexo signo irrelevante da palavra
poderiam afirmar que “só o amor constrói”

das disputas seminais
ao fecundar de um óvulo maduro
poderiam afirmar que “só os mais fortes vencem”

da gonorréia venérea
à verborréia cíclica dos signos e afluentes
afirma Rita Lee que “sexo é animal, amor é bossa nova”

sou fruto de duas forças, Zeus me gerou e uma ninfa me concebeu
sou desavisado espermatozóide vencedor, perdido em nevralgias
antes não ter corrido, antes o cancro perdedor ao som de Sex Pistols!

quarta-feira, março 03, 2010

nacituro






















o enfermiço traz a sintonia
dos que praguejam
com lucidez redobrada
não consegue mais dormir

aprende e sonha
e pouco mais resta
ao ser o abortado
rejeitado e extirpado

a metrópole podre ferve
adoece de suas crias
e promove a queima breve
dos que invejam solenes

efêmero ser encerra
sua pequena tarefa
não arrota desaforos
apenas exala o cheiro
do caos metropolitano.

sobre o medo de chorar















odeiam que misture primeira
e terceira pessoas
mas é vício, isso é sexo, baby

porque chorar gotas de tinta
e sentir a garganta fechar
ao cheirar flores mortas?

já não há concretismo aqui
e onde habitava uma atéia
há hoje uma etérea
não sabe deixar ninguém esperar?

espero, desfacelo-me,
sufoco
e ainda guardo
lágrimas de Pollock.

terça-feira, março 02, 2010

equilibro-me entre o abismo e o caos de teu rosto

















no abismo, sóis infinitos
lembram-me que sou noites em claro
passantes apressados
pisam sobre minha aparente calma
edifícios altos
e vazios imensos
apontam-me quem sou
sons distorcidos
destoam de mim
estou palavra cheia

em teu rosto
não basto-me
nem em tuas sombras infinitivas
e pálpebra intuitiva
caída no regalo de meu ser
talvez por definir-me
tão crua e improdutiva
quem sabe seja
em minha ânsia
por querer demais.

(imagem de minha autoria)