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domingo, agosto 15, 2010

natureza morta























rubras reluzem sobre o móvel turvo
maçãs numa cesta ovalada copulam
livres e notívagas, quem há de punir?

impuras não atingiram chão ou céu
perdem-se no pecado de serem suas
maduras e nuas sob moldura de papel.

quinta-feira, julho 29, 2010



















a chama da aparição
ainda queimava
e a pele rubra
lambia-me

ventre e existência
em farrapos

a fumaça atravessava-me
feito besta-fera
galopava em olhos
vidrados que refletiam
a carga do fenecer e vagar

na leveza da dor flutuava
pálpebra, olho e caos.

terça-feira, julho 20, 2010

talvez


























e sem motivo algum
eu me jogue
sem leitmotiv
feito dados no veludo azul

esperam muito em jogos
em especial
nos de azar
e eu, sem razão.

quinta-feira, julho 15, 2010
















brinca
com as maçãs
pedras que flutuam
e clitóris voadores
se Magritte pode
quem há de proibir?

terça-feira, junho 29, 2010

Alice despedaçada





















sonhei com outro presente para mim
que não incluísse bebedeira
e filhos bastardos para criar

as meias arrastão e a jogatina
acompanhadas de bebida forte
abrandavam devaneios

mas minha perdição
era a fumaça do cigarro
que fazia voar

veio cair em minha mão nada mais
que um ás e uma rainha de copas
olhava para as expressões pacíficas
de outros jogadores
naquele jogo a verdade
era o que menos importava

sem xícaras de chá ou botões
na lapela do Chapeleiro Louco
ou qualquer outra coisa
que viesse da terra dos espelhos
eu era igual a todas as outras

não fosse aquela rainha de copas
mal me lembraria de quem fui.

domingo, junho 20, 2010

das gaiolas






















foi-se o tempo
das jaulas
está liberto
por minhas mãos

abri a portinhola
querer livre
quer voar

quinta-feira, junho 03, 2010

íntimado






















(para meu íntimo amado)

toma-a íntimo
por não ter
a dor de amador
ah, meu!
ah, tão teu!
que não toma
o id que me doma
a dor que me toma
ama-a
meu íntimo amado
íntima dor!

quinta-feira, maio 20, 2010

um poema para seus olhos






















presa entre seus azuis
melodramáticos
meus mares se calam
falta me ar
perco o ártico

herói fadado ao tempo
meu sonho de menina
não se apagou.



(para Jeff Fahey)

sábado, maio 08, 2010

conjunção
























aqui invariável
seio farpado
regaço de venta

segunda-feira, maio 03, 2010
























do sexo binário
ao complexo signo irrelevante da palavra
poderiam afirmar que “só o amor constrói”

das disputas seminais
ao fecundar de um óvulo maduro
poderiam afirmar que “só os mais fortes vencem”

da gonorréia venérea
à verborréia cíclica dos signos e afluentes
afirma Rita Lee que “sexo é animal, amor é bossa nova”

sou fruto de duas forças, Zeus me gerou e uma ninfa me concebeu
sou desavisado espermatozóide vencedor, perdido em nevralgias
antes não ter corrido, antes o cancro perdedor ao som de Sex Pistols!