Pesquisar este blog

quarta-feira, outubro 20, 2010

corrupta























aceita interpretações
acata mitos
desbrava linhas
subverte as certezas

delibera intenções
mal obedece ritos
ela não é minha
e traz suas vilezas.

quarta-feira, setembro 29, 2010

amanhece,

















em marina, em solo
de cabelos negros
sorriso de menino
chega-me e vá embora

deixe,
tudo está em calma
o mar em ti flutua
o sol em mim atua
um misto de solidão
e cura

deixa,
que amor é o melhor
é bem e o mal maior
que nos atinge em fúria
na luta de história sã.

terça-feira, setembro 21, 2010

somos




















a dança do caminhante com o alado
a mistura do amargo com mel
o cruzar do perfeito com o manco
a luta do lápis com o papel
do preto com o branco
do silêncio com o falado
do livre com o rimado

somos apenas o traçado



(fotografia de minha autoria)

segunda-feira, setembro 20, 2010

interpoética
























a palavra reles meretriz
na boca de meu poeta fugaz
apodrece e me faz
desejá-lo ainda mais

não preciso de matiz
se nas nuances disformes me faz feliz
e em sua língua
rouca suspensa me traz

se o poema sozinho se diz
e nem todo verso apraz
seu verbo me é cicatriz
e todo resto jaz.

quarta-feira, setembro 15, 2010

água
























em sua boca
sou fluida
quase falida

em ventre
o gozo
quase parida

em lábios
essência
saliva

domingo, agosto 29, 2010

alegoria

















desfilou sozinho
tal quem impera
sambou soberano
sem ter alegoria
para se vender

e recordei-me
que se vangloriava
pelas madrugadas
black in roll
cheio de gim e de si

agora vejo-te
lágrima
disfarçada
de riso, em plena avenida
dizendo soul-te
até o fim, baby
até o fim.


(inspirada no poema homônimo de Leonardo Quintela)

segunda-feira, agosto 23, 2010

diário de bordo

























há um mês perdi a rota
parece que a terra
deslocou
mudaram-se os pólos

o mar revolto devora-me

chove há três dias
e quatro noites

e eu perdi minha estrela.


23.08.2010

sexta-feira, agosto 20, 2010

oráculo


























que em sua língua
a minha se cale
reverencio o momento
e as horas que desatento
desorientam-me

que em sua voz
meu silêncio fale
tudo a seu tempo
e é do que desdenho
descontenta-me

que em seu fim
meu Planalto seja vale
eu, início de seu templo
e do que não tenho
encontra-me

domingo, agosto 15, 2010

natureza morta























rubras reluzem sobre o móvel turvo
maçãs numa cesta ovalada copulam
livres e notívagas, quem há de punir?

impuras não atingiram chão ou céu
perdem-se no pecado de serem suas
maduras e nuas sob moldura de papel.

quinta-feira, julho 29, 2010



















a chama da aparição
ainda queimava
e a pele rubra
lambia-me

ventre e existência
em farrapos

a fumaça atravessava-me
feito besta-fera
galopava em olhos
vidrados que refletiam
a carga do fenecer e vagar

na leveza da dor flutuava
pálpebra, olho e caos.