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sábado, julho 02, 2011

fêmea fértil
























suas palavras me são gametas
copulam impunes
em minhas orelhas
sob a trama negra de nossos pelos

revida silêncio com substantivos
versos ferinos e doces apelos
quando me calo se vinga
beijando-me até que eu derreta

aqui quase ávida meio faminta
sinto-o deitado sob minha centelha
enfim, deixa-me só em gozo altivo
cheia de sêmen
grávida de sua língua

domingo, junho 05, 2011

a conta exata























nem olhe para trás
vá, meu amor
tanto faz
se o que me move
é apenas o lastro
o andar de fasto
voltar ao passado
um tempo que não vingou

esse céu já não me serve
nem de sol, nem de abrigo
então já não fique
nem me arraste contigo

tantos rumores
gritam desgovernados
contando como novo
aquilo que bem sei:
"acabou, acabou,
acabou".

e se ainda se importa
com meus passos
saiba que aqui
tenho pedaços
de tudo que se passou

a vida segue
e ganhando ainda
se perde
aquilo que mais amou
vá e não chora
apenas ignora
todo sonho que um dia
nos pertenceu

quinta-feira, junho 02, 2011

do amor e das ostras



















ele jurou não a machucar
mas os grãos de areia
vinham com a corrente
e por um tempo
feriram e mutilaram

quando começou o prazer
onde terminou o invadir
há um limiar confortável
entre ambos?

a pérola do sentir respira
dentro de conchas
e adorna macia
o colo da diva.

segunda-feira, maio 02, 2011

doloso























sei dessa angústia
tardia que habita
meus espelhos
matinais

e dessas paisagens
disformes retratadas
em papel de embrulho
descartadas à revelia

por ceder ao alheio
esmoreço em dolos
quantas faces
de Frida encontrarei
em vias expressas
e passeios públicos?

sábado, abril 02, 2011

destruidor...























a geada do porvir
é impiedosa
e talvez tome seu visgo

mas se sobreviver a tudo
com vigores primaveris
cortarão seus talos

venderão mais que essência
para enfeitar mortes
amores e regalos pueris

e se seus jasmins imperam nobres
em seus viveiros de salamandra
deixe-os de sobreaviso!

quarta-feira, março 02, 2011

cravei-te
























em minha
boca falida

que beija-te o falo
e quer-te a vida!

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

aflita























das juras sobraram
as falas não ditas
os olhos nos olhos

como criança que grita
proteja-me, amor!

o que vou fazer agora?
já te confio
já sabendo que seremos

eu, você e a demora

quinta-feira, janeiro 20, 2011

despiste

























não tentei me achar
e várias vezes me perdi
de tantas formas
que por acaso
descobri fórmulas
de me esconder

não há estrada amarela
com tijolos de ouro
para marcar caminhos
e sigo nômade
com sapatos vermelhos
e quando me achar
volto para casa

domingo, janeiro 02, 2011

subentendido
























doeu, eu sei, mas isso é ter força
doe esse intento feito tinta
em tela nova
deixa pra pensar
amanhã pela manhã

vem povoar meus pensamentos
correndo o risco de ser abstrato
que amores anteriores foram
os atuais são
e os futuros virão

deixa a vida seguir seu rumo
não tem mais sentido o passado
vem que as coisas urgem
e estar livre é apelo antigo
para um presente que nos tem.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

dorme,



















e quando acorda nada diz
enquanto ela veste o manto negro
e sai

desce as escadas
sem olhar pra trás
tomada de algo novo
quase nocivo

rememora o caminho
de volta e ignora
a Constante Ramos
com a Barata Ribeiro

esquece suas unhas carmim
que defloraram o úbere
e as horas insones
sobre o dorso dele

dorme,
que foi só um sonho bom
e ela só levou-te a pele
sob suas unhas
e deixou gozo sobre seus ais

a mulher adormece deusa
e acorda puta
cata suas sombras
disformes, inodoras
e some

dorme,
e quando acorda nada diz
enquanto ele se cala sob o negro
e vai.