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quarta-feira, maio 15, 2013

contenda


não tema esse coração ressentido
nem me odeie por sentir tanto
algo tão imperfeito como a paixão
sem a sua temperança constrita

é sim, uma droga de barca
é sim, uma droga de vida
mas leve pela contramão
você foge do que me excita

amo esse calafrio que percorre
a medula por centenas de vezes
e segue fugindo dos monstros
que cultuo em meus ritos

amanhã serei comida de verme
ouso em perímetros de ousadia.
não almejo ser musa da perfeição
e essa sua falsa índole conheço de cor


segunda-feira, abril 15, 2013

Candy



"Candy, candy, candy, I can't let you go
All my life you're hauting me
I loved you so" - Iggy Pop


se o mundo de vilanias apraz
nem imagina o que senti
independente do que vê aqui
só se afasta mais e mais
debocha, recusa e ri

por tempos reinventei
e sufoquei você na solidão
nessa noite como tantas iguais
entregar-me-ei a outros braços
a outros vícios

eles me tomarão vezes e vezes
me enganarei como quem se dobra
sob seu aroma mais uma vez
quanta ilusão

foi tão doce ao me destruir
ao devastar meus latifúndios
agudou-me inúmeras sensibilidades
que das farturas morro à míngua

deixou-me devota de sua língua
reduziu-me a pó
e saiu de mim para destruir
outras cercanias

sexta-feira, março 15, 2013

casca


se gritar meu nome
com voz ocre
e fingir que não ouço
deitada sob seu peito
agudo e só, não me culpe
o silêncio é fardo
das dores que trago
como os golpes
que me infligira
ainda em seu ventre
por não chorar me calo
antes que me estupre.


sexta-feira, fevereiro 15, 2013

corrupta



aceita interpretações
acata mitos
desbrava linhas
subverte as certezas

delibera intenções
mal obedece ritos
ela não é minha
e traz suas vilezas.

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

estátua de sal





















a imagem endurecida
mal chora trancada em si
na esperança de se achar

[calo]
trago aqui
cada palavra
cada respiração
cada som
toda a sensação
rubra, rubra, rubra

[vem]

e que minha retina
te cubra ainda dilatada
e que seus poros
jamais se esqueçam

[garoe]

que teu sorriso
me é bastante
enquanto molha
meu corpo


[vê]

que não há limites
entre o que é nosso
que a loucura é sã
enquanto unos

[sente?]

terça-feira, janeiro 15, 2013

abnegação




entendo que tudo sucumbe ao fogo
quem poderá dizer antiga lama
que habita esse corpo
tão nobre linho e rasgada fama
encobre o pecado sem sorte alguma
entregue a homens tortos
de olhos ocos sem fortuna

aceito que tudo sucumbe ao fogo
além do vazio da alma
e do flagelo da carne
o silêncio habita no tutano do osso
trazendo caos e fúria
para quem vivia na calma

entendo que tudo sucumbe ao fogo
vi a salvação em seus olhos mouros
que no vazio inerte lambiam meu riso
roubavam meu couro
silêncio, vício e ócio

em nossa cama
aceito que tudo sucumbe ao fogo
um corpo ferindo outro
pela luxúria de ambos
e ambos se deleitam
tecendo fúria e corte
pelo prazer do escambo





terça-feira, dezembro 04, 2012

cansou-me a repetição de beijos doces























que se fizeram amargos com o tempo

as palavras que percorriam as sombras

e depois faziam sorrir

os louvores da mata

pelo selvagem em mim

o esquecimento

as ondas que abarcaram frias

a escuridão de minha alma turva

deixaram-me só em algum dia bom

e a queda da bastilha

não é mais que solidão

em gota de orvalho

quase dia

feneci diante das dores de cotovelo

de rimas duvidosas de falsos poeteiros...

que posso fazer diante da necrose do verbo?

o prazo de validade dos versos passou

estão perdidos, podres, impróprios para consumo

assumo-me frágil diante da impotência do músculo

da incompreensão poética e das verborragias.

domingo, novembro 04, 2012

rasga em mim inquietude de Pagu

























que envolve minhas viscosidades
e preconiza a força de um ser em ebulição
quero gritar, e me calo
a palavra que me salvou de mim mesma
tomou-me a fala
consumiu-me em cada letra
quero-te leitmotiv
não tenho mais poesia.

quinta-feira, outubro 04, 2012

das mil vezes que morri
















das expiações

que me submeteu
nada me importa mais

esperei meses por sua boca
e seu calar me traiu
ri e zomba de mim
não me preserva mais

dos infinitivos que amei
restou-me o pretérito
conjugado em meu peito

suas mãos

sua ausência e desprezo
me desgovernam

dos milhares de nãos
há ainda seu cheiro
que mal me libertei

é em mim
silêncio, dúvida
amor e caos

terça-feira, setembro 04, 2012

sou soberana do silêncio

























habito os seus anseios torpes

e te levo comigo à viagens libertárias

talvez ouça-me em teu miocárdio

e extasie-se de ausências

ao me confrontar

mas sou nula e completa

substantivo feminino

singular

morte.