soam horas infindas
e passou pelas portas
estreitas que sustentam
meu átrio
como sair ilesa
de seus olhos
como guardar a ânsia
dos cinco minutos
se eles folgam horas?
não há uma só vírgula que não seja ilusão


que se fizeram amargos com o tempo
as palavras que percorriam as sombras
e depois faziam sorrir
os louvores da mata
pelo selvagem em mim
o esquecimento
as ondas que abarcaram frias
a escuridão de minha alma turva
deixaram-me só em algum dia bom
e a queda da bastilha
não é mais que solidão
em gota de orvalho
quase dia
feneci diante das dores de cotovelo
de rimas duvidosas de falsos poeteiros...
que posso fazer diante da necrose do verbo?
o prazo de validade dos versos passou
estão perdidos, podres, impróprios para consumo
assumo-me frágil diante da impotência do músculo
da incompreensão poética e das verborragias.

que envolve minhas viscosidades
e preconiza a força de um ser em ebulição
quero gritar, e me calo
a palavra que me salvou de mim mesma
tomou-me a fala
consumiu-me em cada letra
quero-te leitmotiv
não tenho mais poesia.