domingo, setembro 15, 2013
nostalgia
quinta-feira, agosto 15, 2013
a visita do poeta
um suspiro de Eliot
minha cama, como um leito altivo
macia e quente, sustentava o teto
em coroas de espelhos
e entre elas Eros nos olhava
(e as Ninfas coravam sob seus véus)
sim, sei que parece onírico
pouco, quase puro, nada pudico
os olhos não se abriam
as mãos não se fechavam
e seres deflagrados expandiram
não sei quem é meu amante agora
não me interessa nada mais
Eliot só me sussurrava ao ouvido:
"DEPRESSA POR FAVOR É TARDE
DEPRESSA POR FAVOR É TARDE"
segunda-feira, julho 15, 2013
atemporal
soam horas infindas
e passou pelas portas
estreitas que sustentam
meu átrio
como sair ilesa
de seus olhos
como guardar a ânsia
dos cinco minutos
se eles folgam horas?
sexta-feira, junho 14, 2013
a sombra
quarta-feira, maio 15, 2013
contenda
sem a sua temperança constrita
e segue fugindo dos monstros
amanhã serei comida de verme
ouso em perímetros de ousadia.
não almejo ser musa da perfeição
e essa sua falsa índole conheço de cor
segunda-feira, abril 15, 2013
Candy
sexta-feira, março 15, 2013
casca
com voz ocre
e fingir que não ouço
deitada sob seu peito
agudo e só, não me culpe
o silêncio é fardo
das dores que trago
como os golpes
que me infligira
ainda em seu ventre
por não chorar me calo
antes que me estupre.
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
corrupta
quarta-feira, fevereiro 06, 2013
estátua de sal

terça-feira, janeiro 15, 2013
abnegação
entendo que tudo sucumbe ao fogo
quem poderá dizer antiga lama
que habita esse corpo
tão nobre linho e rasgada fama
encobre o pecado sem sorte alguma
entregue a homens tortos
de olhos ocos sem fortuna
aceito que tudo sucumbe ao fogo
além do vazio da alma
e do flagelo da carne
o silêncio habita no tutano do osso
trazendo caos e fúria
para quem vivia na calma
entendo que tudo sucumbe ao fogo
vi a salvação em seus olhos mouros
que no vazio inerte lambiam meu riso
roubavam meu couro
silêncio, vício e ócio
em nossa cama
aceito que tudo sucumbe ao fogo
um corpo ferindo outro
pela luxúria de ambos
e ambos se deleitam
tecendo fúria e corte
pelo prazer do escambo
terça-feira, dezembro 04, 2012
cansou-me a repetição de beijos doces

que se fizeram amargos com o tempo
as palavras que percorriam as sombras
e depois faziam sorrir
os louvores da mata
pelo selvagem em mim
o esquecimento
as ondas que abarcaram frias
a escuridão de minha alma turva
deixaram-me só em algum dia bom
e a queda da bastilha
não é mais que solidão
em gota de orvalho
quase dia
feneci diante das dores de cotovelo
de rimas duvidosas de falsos poeteiros...
que posso fazer diante da necrose do verbo?
o prazo de validade dos versos passou
estão perdidos, podres, impróprios para consumo
assumo-me frágil diante da impotência do músculo
da incompreensão poética e das verborragias.
domingo, novembro 04, 2012
rasga em mim inquietude de Pagu

que envolve minhas viscosidades
e preconiza a força de um ser em ebulição
quero gritar, e me calo
a palavra que me salvou de mim mesma
tomou-me a fala
consumiu-me em cada letra
quero-te leitmotiv
não tenho mais poesia.
quinta-feira, outubro 04, 2012
das mil vezes que morri

das expiações
que me submeteu
nada me importa mais
esperei meses por sua boca
e seu calar me traiu
ri e zomba de mim
não me preserva mais
dos infinitivos que amei
restou-me o pretérito
conjugado em meu peito
suas mãos
sua ausência e desprezo
me desgovernam
dos milhares de nãos
há ainda seu cheiro
que mal me libertei
é em mim
silêncio, dúvida
amor e caos
terça-feira, setembro 04, 2012
sou soberana do silêncio

habito os seus anseios torpes
e te levo comigo à viagens libertárias
talvez ouça-me em teu miocárdio
e extasie-se de ausências
ao me confrontar
mas sou nula e completa
substantivo feminino
singular
morte.
quinta-feira, agosto 09, 2012
sereno

sábado, agosto 04, 2012
a menina que semeava papoulas

suas mãos passeavam dentro do saco se papel
cheio de sementes negras que mais pareciam
bolinhas miúdas ou pequenos ovos de inseto
e elas esvaiam-se entre os dedos feito tempo
jogava ao solo aqueles pontinhos pretos
como se fossem pontos finais
esperando milhões e milhões
de minúsculos recomeços
e sob visões de pupilas dilatadas
aquela criatura caminhava em campo aberto
o vento arrastava suas saias e ela se divertia
como uma besta fera sorria estridente
seus pés avermelhados pela terra
afundavam no morno que o sol deixava
e a vida dentro da própria vida era surreal
as sementes eram bombas sobre o chão arado
as mãos devotadas ao prazer despretensioso
do toque daquelas minúsculas cápsulas
refaziam incessantes os movimentos
de captura e liberdade suprema
mal sabiam da colheita.
quarta-feira, julho 04, 2012
despiu-se de suas saias negras

por esquecer do que trazia
debaixo delas
rodou em seu terreiro
colocou fogo no mundo
vencidos
os olhos fitavam-se
esboçou um sorriso
fitou suas unhas carmim
pele alva
quase transparente
não queria saídas
queria desenrolar fitas
e ali, despida
morna, sem orgulhos breves
urinou-se, banhou-se,
sufocou-se
na tentativa de abrandar os braseiros
e passeou entre
a melancolia e a felicidade
teve vontade de gargalhar
mas não há mais o que escarrar
vestiu seu vestido de chita
e pôs-se a dançar.
segunda-feira, junho 04, 2012
a folha

vê como é livre a folha
que vai e vem
sem se prender
sem temer a voar
é a música do perder
e vai e desaparece
rodopia e reaparece
como uma contradança
entra em parafuso
e some e se vê
sabe bem dos sussurros
que o ar dá ao lhe levar
e a tola roda, roda
olhe a folha cansada
que se entrega a sorrir
sem se preocupar
com o que é
oh, pobre folha
que se atreve a voar
com a força do vento
e se contamina com
essa onda quente do vento
e está tão entregue
que já nem é
sexta-feira, maio 04, 2012
Que venha o homem

Com suas pernas finas
Como se soubesse o que é ser
Que venha também
A mulher
Como se soubesse o que quer
Que venham todos os bichos
Em roupinhas de algodão
Seus brinquedos
Seu torrão
Com suas lanças pontudas
E dentes cariados
Venham os banguelas
Que nem servem para mascar
Com suas vidinhas toscas
Suas jóias foscas
Seus dizeres de poder,
Santa ignorância.
Como ter o que não conhece?
Por que acreditar no que não vê?
Dançam em torno de sua fogueira
Fazem sua guerra
Lavram sua terra
E perpetuam sua prole
Não têm mais o que fazer.










