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segunda-feira, novembro 25, 2013


musa morta

ele finge para não delatar-se
e sob a musa seminua
o carrasco impera
como quem sente mais
que deveras sente
sustenta o soluço
quase não

segunda-feira, outubro 21, 2013

acefalia lancinante




o amor híbrido                          
perdoa-me
as asas


visão turva
desse riste
retirante
vínculo
que insiste
abandonar
ninhos

terça-feira, outubro 15, 2013

querido missionário




deixai essa cercania voraz
não permita que eu te engane
meu olhar triste e falsamente vencido
só escondem a tez canibal

as pupilas bem trazem o belo
bem trazem o zelo
e arfam-se do autêntico
perfeitamente aprazível
venha me visitar...


oh, menina da ilha
não tome palavras de Eliot
para me agradar
nessa batalha fascinante
que caminha em nosso
descansar prazeroso...

domingo, setembro 15, 2013

nostalgia


a imagem de teu corpo
não me fere mais como antes
mesmo que a morada inerte
insista em gritar

o espelho da cômoda
reflete meu olhar nocivo
foi-se o tempo que esperava
trago o cigarro entre os dedos

é tudo que preciso

há um certo brilho na caduquice
como se o esquecimento fluísse
pelas veias cansadas e sonolentas

não há mais o alvoroço matutino
não há mais o revoar vespertino
e a noite desce lenta.


quinta-feira, agosto 15, 2013

a visita do poeta


foi numa tarde de quarta
poucas horas
mais que um livro
dono de olhos opacos
como que insatisfeito
tinha poesia nas mãos
bem mais que um livro

e ficaram as palavras apenas
e a indagação
do que eu olhava
ficaram as palavras apenas
naquela casa simples
de piso frio e dedos mornos
a visita do poeta
deixou-me poetisa
bem mais que antes.





um suspiro de Eliot




minha cama, como um leito altivo
macia e quente, sustentava o teto
em coroas de espelhos
e entre elas Eros nos olhava
(e as Ninfas coravam sob seus véus)

sim, sei que parece onírico
pouco, quase puro, nada pudico
os olhos não se abriam
as mãos não se fechavam
e seres deflagrados expandiram

não sei quem é meu amante agora
não me interessa nada mais
Eliot só me sussurrava ao ouvido:
"DEPRESSA POR FAVOR É TARDE
DEPRESSA POR FAVOR É TARDE"

segunda-feira, julho 15, 2013

atemporal


os segundos suspensos
soam horas infindas
e passou pelas portas
estreitas que sustentam
meu átrio

como sair ilesa
de seus olhos
como guardar a ânsia
dos cinco minutos
se eles folgam horas?


sexta-feira, junho 14, 2013

a sombra


alguma coisa me persegue
roubando o melhor de mim
cobrindo minhas pegadas
sussurrando meu fracasso
e o desgosto já esperados

ri e zomba como se para sempre
me segue feito passado a assoviar
quem há de acreditar num imbecil
quem há de acreditar em um bêbado
que se entrega a qualquer derrota?

olho para trás e ela ali
é a única que não desiste
vê todos os meus passos
sem se comover
e não me deixa dormir

diz que sou um hipócrita
mais um infeliz sem saída
um maldito mentiroso
que por vezes se precipita
e já não quer continuar isso

não peço nem que
acredite que não sou louco
mas a figura está a me assombrar
na boca da noite, antes do porvir


quarta-feira, maio 15, 2013

contenda


não tema esse coração ressentido
nem me odeie por sentir tanto
algo tão imperfeito como a paixão
sem a sua temperança constrita

é sim, uma droga de barca
é sim, uma droga de vida
mas leve pela contramão
você foge do que me excita

amo esse calafrio que percorre
a medula por centenas de vezes
e segue fugindo dos monstros
que cultuo em meus ritos

amanhã serei comida de verme
ouso em perímetros de ousadia.
não almejo ser musa da perfeição
e essa sua falsa índole conheço de cor