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sexta-feira, março 27, 2026

transitório



ontem, vi um par de olhos no metro
eram olhos vagos
cada qual para uma direção
diria vesgos
e tão preenchidos
de alma

hoje, voltei à mesma linha azul
e aqueles olhos já não estavam
eram diversos outros
e na maioria
não estavam lá

há um tempo decorrido
em mil anos ou mais
que eu desconheço
onde passos brilhavam
onde pessoas amavam


há milhões de anos luz
não sei se no passado
ou no futuro
eu amei os olhos vesgos
e ainda os amo

não me olhe






como se eu fosse um bicho
não me olhe
como se eu não tivesse limites
e não tenho
esse seu olhar de peixe morto
é recorrente

já pedi para outros
que não me olhassem assim
não funciona bem
não é de bom tom

esses olhares pressentem
esses olhares me contam
que amanhã tudo estará morto
como os olhares dos peixes
na lagoa rodrigo de freitas
ou como no rio tejo

terça-feira, maio 06, 2025

o encantamento passa



como tudo nessa vida
passa rápido
estraga logo
então consuma ante
todos os olhos
não se dispa
consuma rápido
antes que passe da hora

quinta-feira, dezembro 04, 2014

entre lábios e clitóris


confronta a sede dialética
coincide e confunde-se
em exultações e rigidez
conas e bocas são iguais
entre incisivos subvertem

vigoram como armadilhas.

terça-feira, novembro 04, 2014

oculta estrada


entre o negro e o nada
que desce sem intenção
semântica e se afoga
em quadros de Dali.



sábado, outubro 04, 2014

masturbação


em ódio amoroso
famintos e caídos
descobrimo-nos
fracos e falidos

a cólera da boca
abrasa peito e vulva
falo e língua
ressoam

sós.

quinta-feira, setembro 04, 2014

ensaio vermelho


canção tingida
encarnada boca rija
chicote ímpio
das esquerdas, de paixões
devassidões e taras
conjugar-te rubro

flameja-me escarlate.

segunda-feira, agosto 04, 2014

ele

tinha napalm
na língua

ainda procuro
meus pedaços.


sexta-feira, julho 04, 2014

amor ao mar


sal e água
na onda da idade
sopram em cais
abandonado

o tempo
não aflige mais
do que a saudade

de ter para onde voltar.

quarta-feira, junho 04, 2014

voraz



cravei-te
em minha
boca falida

      que beija-te o falo
     e quer-te a vida!