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quarta-feira, abril 05, 2006

Confidências

Não consigo amar alguém sem
Ser possuído por uma dor imensa,
Depois que tudo acaba.
É uma dor profunda,
Quase tão grande
Quanto o universo.
Queria amar alguém
Que me respeitasse
E que não houvesse
Motivos para pedir
Ou agradecer.
Que o amor cedido fosse
Meigo e marcante...
Que a doçura dos nossos momentos
Superasse a dor do meu tormento
E que esse alguém ficasse tão feliz
Com minha presença suave,
Que seus olhos brilhassem até o infinito
Num brilho equivalente as estrelas.
Queria amar alguém que me possuísse
Com tamanho fulgor,
Que até os anjos, em confidências,
Sentissem inveja do nosso amor.
Queria amar alguém que fosse
Apenas inesquecível
E que esse amor não fosse tão somente forte
Mas sim, capaz de superar
As forças do céu e da terra.
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.

terça-feira, abril 04, 2006

Esta não é uma carta de adeus, é uma última satisfação, dentro de tantas outras explicações que já te dei. Não perderá nada enquanto eu me privar de minha vida. É jovem e muitas outras mulheres hão de ocupar melhor que eu, esse espaço que ainda me cabe.
Sempre estive sozinha, aliás, sempre cultivei minha intimidade, não estou te culpando, apenas deixando claro que foi uma escolha particular. Já amei muitos homens, mais até do que te amei algum dia, mas não cedi a eles nem a milésima parte do que cedi a você, não que tenha me coagido a fazê-lo, mas por que em certos momentos sentia-me segura com sua presença, com seu afeto.
Permaneci e permaneço num estado de dormência, por que aos poucos fui abrindo mão de me impor, de me expor diante de todos, inclusive de você. Não sou mais a mulher que escolheu para conjugar uma vida de realizações, não sou nem sombra dela, já me orgulhei mais de mim, sinto-me constrangida com o que sou.
Não tome meu gesto como um suicídio, nem como uma covardia voluntária e vexatória, não sou uma suicida, sou uma inconformada, revoltada até. E se bem me conhece, não jugo que conheça, deve saber que sinto um prazer enorme em destruir tudo o que me incomoda.
Neste momento o que me afeta é essa caricatura minha, que vejo ao me observar com calma e atenção. E quem toma essa iniciativa é aquele ser que fui, que permanece imaculado em algum lugar nesta mente frágil, mas que ainda se esconde para se preservar.
Não sinta minha falta, nem vele esse corpo que sobrará, pois ele é apenas o invólucro dessa alma vencida e cansada de si mesma.



(Mais uma vez peço desculpas por minha total incompentência de não conseguir espaçar meu texto, o que me parece impossível neste blog, peço sua compeensão.)

Agradecimentos especiais ao fotografo Paulo Brasil, autor da fotografia que ilustra meu texto. Você poderá ver mais trabalhos do Paulo Brasil no endereço:

http://www.flickr.com/photos/tags/paulobrasil/

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sexta-feira, março 31, 2006

Vê a noite que caiu em teu corpo frio
Sente o manto do vazio que toma teu ser
Venha e despose essa serva
Que só viveu por ti
Beija a boca seca de quem já foi
Sem me perceber, e sonha,
Vai te sem júbilo,
Vai te sem drama
Tome como cárcere
A terra, as pedras,
O pó de teus antepassados,
Vai-te.
E não abra teus olhos
Para espiar minha dor
Nem veja teu filho gritar
Em meu ventre,
Nem sonhe com o que seria
Ficar aqui.
Conserve sempre
Esse rosto calmo
Diante de minhas adversidades
Não sonhe meus sonhos
Pois sempre foram tão teus,
Vai-te.
Faça uma ode a tua solidão,
Não estou só...
Velei teus olhos sobre
À noite de lua nova
No vale dos esquecidos
Chorei teus olhos
Toquei tua boca
Prostrei-me junto de ti
Curvei-me em ti, e senti os ecos de tua alma,
E agora, peço,
Vai-te.


Agradecimentos especiais ao fotografo Paulo Brasil, autor da fotografia que ilustra meu poema. Você poderá ver mais trabalhos do Paulo Brasil no endereço:http://www.flickr.com/photos/tags/paulobrasil/
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quinta-feira, março 30, 2006

Ainda sonho com os moinhos de vento
Ainda viajo a galope no trote
Do cavalo de Quixote
Ainda que imprudente tento.

Não abandonarei minha insanidade
Minha luta pela loucura sã
Pela divagação artística, pela utopia,
Pois são elas que me sobram.

Nunca me digam que estou morrendo todo dia
E que meu sonho, minha alegria são mentira.
Deixe-me acreditar.

Que ainda estou vivendo feliz e louco
Que há vida em meu coração rouco
E que ainda há por que lutar.
Agradecimentos especiais ao fotografo Paulo Brasil, autor da fotografia que ilustra meu poema. Você poderá ver mais trabalhos do Paulo Brasil no endereço:http://www.flickr.com/photos/tags/paulobrasil/
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quarta-feira, março 29, 2006


As nuvens teimavam em pintar o céu
E o vento oscilava entre teus cabelos
Negros e brilhantes como a noite
Que habitava teu corpo
Olhos fechados, imóveis,
Em tua cabeça arrancada
De teu pescoço.
Gentis as mãos pousadas
No chão frio, sem os braços.
E os pés dilacerados
Um para cada lado
Soltos de tuas pernas.
Enfim era uma cena encantadora
Um mar de sangue alheio
Mas já havia te avisado
Que eu escolheria a minha hora
Pedi que não tentasse me levar
Por que era tão insistente
Por que não foi embora
Apenas me vinguei de tuas mãos
A me sufocar
De tuas pernas a me apertar
Dos teus cabelos a me cegar
Mas ainda perdura a dúvida
Quem era a bela,
A paixão ou a morte?
Agradecimentos especiais ao fotografo Paulo Brasil, autor da fotografia que ilustra meu poema. Você poderá ver mais trabalhos do Paulo Brasil no endereço:http://www.flickr.com/photos/tags/paulobrasil/


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terça-feira, março 28, 2006

Vertigem

Socos absurdos no ar
Um mais ser que estar
Olhos vesgos embaralham a visão
Sente náuseas incontroláveis
Vomita seu interior
E berra pro cosmos toda sua frustração
Está sem eixo
Sem equilíbrio
Talvez meio vivo
Ou caído no chão.
Agradecimentos especiais ao fotografo Paulo Brasil, autor da fotografia que ilustra meu poema. Você poderá ver mais trabalhos do Paulo Brasil no endereço:
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Que venha o homem
Com suas pernas finas
Como se soubesse o que é ser
Que venha também
A mulher
Como se soubesse o que quer
Que venham todos os bichos
Em roupinhas de algodão
Seus brinquedos
Seu torrão
Com suas lanças pontudas
E dentes cariados
Venham os banguelas
Que nem servem para mascar
Com suas vidinhas toscas
Suas jóias foscas
Seus dizeres de poder,
Santa ignorância.
Como ter o que não conhece?
Por que acreditar no que não vê?
Dançam em torno de sua fogueira
Fazem sua guerra
Lavram sua terra
E perpetuam sua prole
Não têm mais o que fazer.
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domingo, março 26, 2006

Rubi
(epitáfio para um amor antigo)

Virgem carne pura
Das frutas, a primeira madura,
No teu rubro vivo
No teu fulgor ativo
Cai a terra,
Deixa enterrar-se,
Encharca-se de mundo,
Até ao teu máximo, profundo.

Não deixando perder a noção,
Mas divagando em tua própria dimensão.

Ah, outrora doce e viçoso,
De aroma inesquecível,
Jamais degustado,
O fruto intocado.
Nenhum beija-flor teve o prazer
De sugar-te o néctar ao florescer.
Jaz agora no leito inerme
Ferido e abocanhado por vermes.
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quarta-feira, março 22, 2006

Antitérmico, analgésico,
Anfetamina, antidepressivo,
Tudo que é corrosivo
Para aliviar nevralgias,
Dores de viver...
Sedativo paliativo reativo
Placebos para matar o tempo,
Para curar da vida.
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segunda-feira, março 20, 2006

Vou vomitar meu mundo podre
Sobre suas caixinhas de música
Quero que morra,
Você e suas rimas baratas
Suas falsas poesias de amor
Seus sonhos estilizados
Caros, como vinho de quinta.
Não quero referências suas
Quero estar totalmente nua
Quando o mundo me olhar
Não quero suas condolências
Nem suas decência
Dê-me seu desprezo
E aliviará minha dor
Minha ânsia.
Por hora,
Vou quebrar seu mundo de cristal
E depois te dizer
Aí, foi mal.
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