Pesquisar este blog

quinta-feira, setembro 04, 2014

ensaio vermelho


canção tingida
encarnada boca rija
chicote ímpio
das esquerdas, de paixões
devassidões e taras
conjugar-te rubro

flameja-me escarlate.

segunda-feira, agosto 04, 2014

ele

tinha napalm
na língua

ainda procuro
meus pedaços.


sexta-feira, julho 04, 2014

amor ao mar


sal e água
na onda da idade
sopram em cais
abandonado

o tempo
não aflige mais
do que a saudade

de ter para onde voltar.

quarta-feira, junho 04, 2014

voraz



cravei-te
em minha
boca falida

      que beija-te o falo
     e quer-te a vida!

segunda-feira, maio 05, 2014

palavras


entoaria grandes versos se tivesse algum
diria grandes palavras movediças
se meu peito fosse algum pântano
ensinaria ao meu filho sobre amores
se soubesse o caminho certo

ah, nessa madrugada muitas flores morrerão
meu peito murchará, fino botão
de pétala em pétala chorará dores
tal lágrimas de orvalho nesse tempo angustiado
onde está a sabedoria das coisas ínfimas e planas?

sinto o alvorecer calmo e ele está fora de mim
estarei só mais uma vez diante de tudo
prisioneira da falta de lógica do ansiar
do desequilíbrio das linhas ferozes e do tempo
e eu anseio mais que todos

o verbo é ancião de passagem
e eu perdi suas verdades.



*(ilustração também é de minha autoria)

insone



feche os olhos agora
e tudo está cheio dos cantos da noite
alcançando planaltos e vales
poupando apenas nossa estrela

sinta o canto escuro
que ecoa em nosso corações
distantes e cansados de sonhar
ansiando por verdades tolas

feche os olhos e ouça
os pássaros que cantam para amantes
e amores fadados
à dor e à tristeza

sinta o acalanto negro
que só o albor matutino apaga
e despreze todo o resto

sinta minha mão sobre a sua
mesmo estando assim
tão apartadas nossas carnes

somos ecos amorosos
cantigas que sombreiam
o silêncio da aurora



*(ilustração também é de minha autoria)

domingo, maio 04, 2014

chama,

chama,
o ardor de meu nome
em aflição
degusta cada sílaba
que em sua boca
o vocativo arde
derrete, queima e ecoa

nos meus sentidos

sexta-feira, abril 11, 2014

tantas coisas



que é difícil mencionar
tudo o que eu queria
ter dito
ter feito
ter concretizado

a vida toda é tão confusa
alguns padrões
são desvirtuados
como eu queria
ter te abraçado mais
ter dito mais 
do meu amor

a vida é toda um sopro
alguns clichês
tão padronizados
como eu queria


(para minha filha e para meu pai)
ter me mudado mais
ter feito mais
do meu amor

a vida toda é um sonho
alguns são desejos
tão simples
como eu queria
ter cimentado mais
o nosso amor

tantas coisas passam assim
ao revés e quando se percebe
é tarde demais


sexta-feira, abril 04, 2014

a chama da aparição

a chama da aparição
ainda queimava
e a pele rubra
lambia-me
ventre e existência
em farrapos
na leveza da dor flutuavam


pálpebra, olho e caos.

terça-feira, março 04, 2014

Venéreo


Visto que apega-se
igualmente a todos
os teus amores,
vingo-me.
Trago desejo venéreo
por todos que querem
comigo compartilhar.
Que me importa
esperma ou
sangue contaminado,
minha alma está impregnada de ti,

doença maldita.