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segunda-feira, abril 11, 2016

onze de abril



as pegadas na areia
por vezes se apagam
com as ondas
por vezes 
com o vento
chuva
tempo

e assim 
tão pouco 
poderia ser dito
de concreto 
sobre



   isso poderá ser um
dentre tantos passos
que eu dei na areia
 e os pés se afundaram
      antes da onda vir
                e apagar o que
                        importa
                    quem sabe
                    esse passo
                     fique aqui
                  te amo muito
                        filha



(*feliz aniversário, filha)




sábado, abril 11, 2015

o sopro



quando as velas do tempo
já não importarem
e o firmamento já
se impor como único
lembra sempre que te amei
e amo

amar é eterno
mesmo à sombra da ilusão
ele permanece na veia
no DNA que pode odiar
mas é disso que é feita

como bem cantou Chico Buarque
"oh, pedaço de mim
 oh metade extirpada de mim"

e por aí pegue o viés do amor
e leva para os seus, meus
que mesmo que negue e renegue
assim serão...

(*feliz aniversário, filha)

quinta-feira, dezembro 04, 2014

entre lábios e clitóris


confronta a sede dialética
coincide e confunde-se
em exultações e rigidez
conas e bocas são iguais
entre incisivos subvertem

vigoram como armadilhas.

terça-feira, novembro 04, 2014

oculta estrada


entre o negro e o nada
que desce sem intenção
semântica e se afoga
em quadros de Dali.



sábado, outubro 04, 2014

masturbação


em ódio amoroso
famintos e caídos
descobrimo-nos
fracos e falidos

a cólera da boca
abrasa peito e vulva
falo e língua
ressoam

sós.

quinta-feira, setembro 04, 2014

ensaio vermelho


canção tingida
encarnada boca rija
chicote ímpio
das esquerdas, de paixões
devassidões e taras
conjugar-te rubro

flameja-me escarlate.

segunda-feira, agosto 04, 2014

ele

tinha napalm
na língua

ainda procuro
meus pedaços.


sexta-feira, julho 04, 2014

amor ao mar


sal e água
na onda da idade
sopram em cais
abandonado

o tempo
não aflige mais
do que a saudade

de ter para onde voltar.

quarta-feira, junho 04, 2014

voraz



cravei-te
em minha
boca falida

      que beija-te o falo
     e quer-te a vida!

segunda-feira, maio 05, 2014

palavras


entoaria grandes versos se tivesse algum
diria grandes palavras movediças
se meu peito fosse algum pântano
ensinaria ao meu filho sobre amores
se soubesse o caminho certo

ah, nessa madrugada muitas flores morrerão
meu peito murchará, fino botão
de pétala em pétala chorará dores
tal lágrimas de orvalho nesse tempo angustiado
onde está a sabedoria das coisas ínfimas e planas?

sinto o alvorecer calmo e ele está fora de mim
estarei só mais uma vez diante de tudo
prisioneira da falta de lógica do ansiar
do desequilíbrio das linhas ferozes e do tempo
e eu anseio mais que todos

o verbo é ancião de passagem
e eu perdi suas verdades.



*(ilustração também é de minha autoria)