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quinta-feira, junho 02, 2011

do amor e das ostras



















ele jurou não a machucar
mas os grãos de areia
vinham com a corrente
e por um tempo
feriram e mutilaram

quando começou o prazer
onde terminou o invadir
há um limiar confortável
entre ambos?

a pérola do sentir respira
dentro de conchas
e adorna macia
o colo da diva.

segunda-feira, maio 02, 2011

doloso























sei dessa angústia
tardia que habita
meus espelhos
matinais

e dessas paisagens
disformes retratadas
em papel de embrulho
descartadas à revelia

por ceder ao alheio
esmoreço em dolos
quantas faces
de Frida encontrarei
em vias expressas
e passeios públicos?

sábado, abril 02, 2011

destruidor...























a geada do porvir
é impiedosa
e talvez tome seu visgo

mas se sobreviver a tudo
com vigores primaveris
cortarão seus talos

venderão mais que essência
para enfeitar mortes
amores e regalos pueris

e se seus jasmins imperam nobres
em seus viveiros de salamandra
deixe-os de sobreaviso!

quarta-feira, março 02, 2011

cravei-te
























em minha
boca falida

que beija-te o falo
e quer-te a vida!

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

aflita























das juras sobraram
as falas não ditas
os olhos nos olhos

como criança que grita
proteja-me, amor!

o que vou fazer agora?
já te confio
já sabendo que seremos

eu, você e a demora

quinta-feira, janeiro 20, 2011

despiste

























não tentei me achar
e várias vezes me perdi
de tantas formas
que por acaso
descobri fórmulas
de me esconder

não há estrada amarela
com tijolos de ouro
para marcar caminhos
e sigo nômade
com sapatos vermelhos
e quando me achar
volto para casa

domingo, janeiro 02, 2011

subentendido
























doeu, eu sei, mas isso é ter força
doe esse intento feito tinta
em tela nova
deixa pra pensar
amanhã pela manhã

vem povoar meus pensamentos
correndo o risco de ser abstrato
que amores anteriores foram
os atuais são
e os futuros virão

deixa a vida seguir seu rumo
não tem mais sentido o passado
vem que as coisas urgem
e estar livre é apelo antigo
para um presente que nos tem.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

quase tudo


















afirma o tantra
o quase nos acalanta
que de tentar mudo
o silêncio canta

que mesmo infindo
sentimento segue calado
há o porvir da letra
do ínfimo legado

sábado, novembro 20, 2010

entardecer na ponte






















o terceiro arco
a guardar a dúvida
do que mais seria
noutro marco
noutra Brasília

sem cantar paineiras
nessa secura ortodoxa
sem ter porvir úmido
ou esperança que algo mude
transmutamos monumento

presos no calo mentiroso
que ele ostenta para
ocultar a verdade que grita:
meu amor não é meu
nunca foi

a tarde poderia insistir
mas ela devagar anoitou
e arcos um sobre outro
em olhos paranoados
entregaram-se mancos

e a ponte JK é o limiar
desses silêncios
traz a pulsação alterada
do sim que neguei
e do tempo que ele não tem.

quarta-feira, outubro 20, 2010

corrupta























aceita interpretações
acata mitos
desbrava linhas
subverte as certezas

delibera intenções
mal obedece ritos
ela não é minha
e traz suas vilezas.

terça-feira, setembro 21, 2010

somos




















a dança do caminhante com o alado
a mistura do amargo com mel
o cruzar do perfeito com o manco
a luta do lápis com o papel
do preto com o branco
do silêncio com o falado
do livre com o rimado

somos apenas o traçado



(fotografia de minha autoria)

segunda-feira, setembro 20, 2010

interpoética
























a palavra reles meretriz
na boca de meu poeta fugaz
apodrece e me faz
desejá-lo ainda mais

não preciso de matiz
se nas nuances disformes me faz feliz
e em sua língua
rouca suspensa me traz

se o poema sozinho se diz
e nem todo verso apraz
seu verbo me é cicatriz
e todo resto jaz.

segunda-feira, agosto 23, 2010

diário de bordo

























há um mês perdi a rota
parece que a terra
deslocou
mudaram-se os pólos

o mar revolto devora-me

chove há três dias
e quatro noites

e eu perdi minha estrela.


23.08.2010

sexta-feira, agosto 20, 2010

oráculo


























que em sua língua
a minha se cale
reverencio o momento
e as horas que desatento
desorientam-me

que em sua voz
meu silêncio fale
tudo a seu tempo
e é do que desdenho
descontenta-me

que em seu fim
meu Planalto seja vale
eu, início de seu templo
e do que não tenho
encontra-me

terça-feira, julho 20, 2010

talvez


























e sem motivo algum
eu me jogue
sem leitmotiv
feito dados no veludo azul

esperam muito em jogos
em especial
nos de azar
e eu, sem razão.

domingo, junho 20, 2010

das gaiolas






















foi-se o tempo
das jaulas
está liberto
por minhas mãos

abri a portinhola
querer livre
quer voar

quinta-feira, maio 20, 2010

um poema para seus olhos






















presa entre seus azuis
melodramáticos
meus mares se calam
falta me ar
perco o ártico

herói fadado ao tempo
meu sonho de menina
não se apagou.



(para Jeff Fahey)

sábado, março 14, 2009



enquanto nervosos corpos
sedentos mal saciam-se

línguas infectadas
de candidíase
e de espórios alheios
vingam-se em
sífilis
gonorréias
cancros moles
e herpes

que das vontades venéreas
não sobram nem a culpa
de serem transmissíveis.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Musicaram poema meu!

antes chorar
definhar-me em rosários
e hóstias bestiais
de meus pensamentos impuros
em ti

mas não há lágrima
há fúria e desencanto
rasgo-me em devassidão torpe
e condeno-me à loucura inerte
aqui

sorrio como Salomé
debochada e despudorada
enquanto o largo das apnéias
teimam em tirar-me
o ar

respiro-te
inspira-me
tão distantes
tão entregues
sós.



http://www.youtube.com/watch?v=jjmOTlfrZ6Qhttp://www.youtube.com/watch?v=ffbdW1IDd8Y
http://www.youtube.com/watch?v=F4Z5g9lD9cY

terça-feira, janeiro 06, 2009



boneca de trapo

pode-se ver
que é feita de farrapos
e recheadas de teorias
filosofias alheias
e ensaios inacabados

tem pouco tato
dedos grudados
numa só costura
sem divisão

traz olhos de vidro
que pouco ou nada veem
pensamentos embuchados
numa mente de algodão

não ouve bem
fala menos ainda
a boca é um misto
de Marylin Monroe
Edie Sedgwick

na imaginação infantil
brinquedo divertido
na verdade adulta
voraz carranca

a realidade e ficção
são uma só boneca de trapo
porta sem tranca
vista de lados opostos
por ignorantes sem visão.

(fotografia original: boneca de trapo

pode-se ver
que é feita de farrapos
e recheadas de teorias
filosofias alheias
e ensaios inacabados

tem pouco tato
dedos grudados
numa só costura
sem divisão

traz olhos de vidro
que pouco ou nada veem
pensamentos embuchados
numa mente de algodão

não ouve bem
fala menos ainda
a boca é um misto
de Marylin Monroe
Edie Sedgwick

na imaginação infantil
brinquedo divertido
na verdade adulta
voraz carranca

a realidade e ficção
são uma só boneca de trapo
porta sem tranca
vista de lados opostos
por ignorantes sem visão.



(fotografia original: http://www.flickr.com/photos/xkalokax/2192536178/ )