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sexta-feira, abril 04, 2014

a chama da aparição

a chama da aparição
ainda queimava
e a pele rubra
lambia-me
ventre e existência
em farrapos
na leveza da dor flutuavam


pálpebra, olho e caos.

terça-feira, março 04, 2014

Venéreo


Visto que apega-se
igualmente a todos
os teus amores,
vingo-me.
Trago desejo venéreo
por todos que querem
comigo compartilhar.
Que me importa
esperma ou
sangue contaminado,
minha alma está impregnada de ti,

doença maldita.

rubro


queima a palavra presa na garganta
 que o plexo venoso não espera represas
arrebenta o que envergonha 
descarta o obsoleto
como quem verte câimbras falhas
o reflexo rugoso do desistir
é coágulo e seca na veia de peito alheio

deixando-o à míngua.

sexta-feira, janeiro 17, 2014

motim

tenho predileção por pés, mãos e orelhas
não que sejam essenciais ao romance
mas espero que um dia
possa retocar o ângulo perfeito
que já alcançamos na fuga

que os caminhos sejam menos tortuosos
que essas manhãs nubladas de verões extensos
e meus versos frágeis
não derretam diante dos calos de seus dedos
é que trabalha demais

tive preferência pelos vagabundos iluminados
mas eles só atraem meus olhos
enquanto a gana pede
a força de sua boca e verbo
me sugando a fala e os lábios

tenho adoração pelo silêncio
e se faz necessário em horas distantes
mas peço encarecida
que não me entregue a ele
enquanto habitar minhas medidas

não sou de histórias longas
mas preciso delas
e quando cansados, vazios
lembre-se que na maioria das vezes estamos

e não se esqueça  que tenho predileção
por pés, mãos e orelhas, pelo ângulo perfeito
da hecatombe vetorial que une nossos sexos
e que  as orelhas pedem mesmo
é sua fala rouca e embrulhada
passeando entre os pelos
de minha buceta

sábado, janeiro 04, 2014

Uma vida cinza



Uma vida cinza
Escrita com mãos pálidas
Com unhas carmim
Os olhos apáticos
Poemas traumáticos,
Linfáticos,
Catatônicos...
A miopia desconhece
A vastidão inóspita
De uma vida entre o negro
E o nada.

terça-feira, dezembro 24, 2013

o Narciso e a estrela


reflito-me no lago
como se Narciso fosse
e fossilizada nesse
brilho reflito fria
nada pulsante, vago

ele lambe e beija
sua própria luz
refletida em eco
mal me vê perdida

sob o derradeiro
feixe declara-se
ao seu reflexo
iluminado e cego

quantas noites sem lua
estarei no lago
à espera de um único
e lascivo olhar?

segunda-feira, novembro 25, 2013


musa morta

ele finge para não delatar-se
e sob a musa seminua
o carrasco impera
como quem sente mais
que deveras sente
sustenta o soluço
quase não

segunda-feira, outubro 21, 2013

acefalia lancinante




o amor híbrido                          
perdoa-me
as asas


visão turva
desse riste
retirante
vínculo
que insiste
abandonar
ninhos

terça-feira, outubro 15, 2013

querido missionário




deixai essa cercania voraz
não permita que eu te engane
meu olhar triste e falsamente vencido
só escondem a tez canibal

as pupilas bem trazem o belo
bem trazem o zelo
e arfam-se do autêntico
perfeitamente aprazível
venha me visitar...


oh, menina da ilha
não tome palavras de Eliot
para me agradar
nessa batalha fascinante
que caminha em nosso
descansar prazeroso...