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quinta-feira, abril 26, 2007

edição final Ars Litera

Quando algum imprevisto acontece, tenho o prazer de sair um pouco da rotina. Tive o prazer de entrevistar um dos “conspiradores” da Ars Littera, Bruno Cardoso. Seguem trechos da entrevista:
Larissa:
Quem são os “conspiradores”?
Bruno diz:
Eu (Bruno Cardoso), Luiz Octávio, Márcio Vandré, Jimmy Jacques, Clarissa Villas Boas e você (Larissa Marques).
Larissa:
Por que a Ars surgiu?
Bruno diz:
A idéia, num primeiro momento era de fazer um blog com textos, mas acabamos desenvolvendo melhor a idéia e nasceu a Ars Littera.
Larissa:
Mas o que diferenciaria a Ars Littera dos outros blogs/ sítios de literatura?
Bruno diz:
Por ser uma proposta mais ampla, talvez, não são apenas textos na internet. A meu ver, a Ars Littera tem mais jeito de um movimento (por expor outras formas de arte) do que de um blog/sítio qualquer. Há ideologia, há intenção de modificar, de unir pessoas que têm o mesmo ímpeto que temos.
Larissa:
Porque Ars Littera?
Bruno diz:
Quem teve a idéia foi o Luiz, Ars Littera — é em si uma ironia, uma sutil chacota àqueles puristas da língua latina. Além disso, essa neologística expressão é uma súmula que une à palavra Arte a unidade que em fim é formadora de todo o legado cultural de um povo: o vocábulo letra, ou, no idioma romano, Littera. Assim está explicado no texto inicial do site. É algo que implica em "Arte Literária", embora literalmente não seja exatamente isso.
Larissa:
Acha que a arte, como elemento modificador, faz diferença num país tão carente de ideologia, como o Brasil?
Bruno diz:
Faz. Um país sem arte é um país sem cultura. E, independente de ideologias, qualquer movimento que se disponha a promover a cultura ou a criar coisas novas, é extremamente importante.
Larissa:
Os participantes,em sua maioria, são universitários, privilegiados, por que uma pequena parcela da população brasileira tem essa oportunidade. Acha que a educação é primordial para a mudança de atitude de um povo, ou a conscientização pode nascer por outras fontes?
Bruno diz:
A educação é essencial. Não adianta querer evoluir se não se tem uma base mínima de conhecimento. Mas a conscientização, num sentido mais amplo, pode até surgir de outras fontes, embora seja difícil contar com isso.
Larissa:
Acha que a internet, por ser uma mídia jovem, é menos contaminada do que a televisão?
Bruno diz:
É uma mídia mais livre. Não há limitações como em outros veículos, na internet se faz o que bem se entende e pronto.
Larissa:
Acredita que os incentivos fiscais e tecnológicos, voltados para inclusão digital, tornarão, em curto e médio prazo, a rede mais popular, menos elitista?
Bruno diz:
Eu espero que a internet se torne cada vez acessível para todos, embora não seja de nosso interesse ficarmos restritos a este único meio de comunicação.
Larissa:
Almejam outros meios de comunicação, além da rede? Quais?
Bruno diz:
Todos.
Bruno diz:
Menos a televisão.
Bruno diz:
Queremos todos. Impressos, virtuais, cinematográficos, tudo. Menos a estupidez televisiva.


Visite Ars Littera:
http://www.arslittera.com/

Boa semana, e até a próxima!

Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.

O objetivo maior do meu trabalho é a troca, por isso há espaço para comentários no rodapé da página.

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larissapin@hotmail.com

quarta-feira, março 21, 2007

número 18 - Marina Rabelo Caldas

Depois de um breve período de férias, retorno com toda a força para o trabalho. Por ter recebido uma proposta de um sítio musical, minhas colunas que antes eram semanais, agora serão quinzenais, espero contar com a compreensão de todos neste sentido.

Nesta edição falarei de Marina Rabelo Caldas, nascida em 1981, na cidade de Fortaleza-CE e criada em Natal-RN, diz considerar-se natalense.

Falando sobre suas influências literárias, “Marina Morena” confessa-se viciada em livros e que suas paixões são Rubem Fonseca e Gabriel Garcia Márquez, mas se diz tocada por Hilda Hilst, Pablo Neruda, Elisa Lucinda e Ana Cristina César.

E como tudo que escrevemos é uma fermentação de um olhar mais contemplativo próprio de quem poeta, a escritora completa dizendo que filmes, músicas, qualquer acontecimento pode acender essa chama interior.

Como a maioria, relata que começou rabiscando pequenos versos em cadernos e nunca se deu conta que era poesia, até o advento dos blogs, quando resolveu transcrever as obra para a rede, aí o gosto virou paixão.

Citou alguns nomes desconhecidos como as poetisas Iracema Macedo e Marize Castro, que são atuais e têm livros editados no Rio Grande do Norte.

O que achei curioso no trabalho de Marina Morena é seu desbravar existencial, sua busca por si e seus interiores. Tem gosto pela poesia, passeia também pela prosa poética, mas disse que se tivesse que escolher, sem dúvida a preferência seria a poesia.

Vale a pena conferir, Marina Morena, como disse a ela seu nome artístico sempre me remete à música de Adriana Calcanhoto.

Blogs:

http://versosdelirios.blogspot.com/
http://e-digitais.blogspot.com/
http://blogdesete.blogspot.com/




Recomendo:

In Vento
Poemas amassados
Silêncio
Nua
Cinzas
DesejosDelírios (é junto assim mesmo);

Entre tantos outros!
Até a próxima!
Comentários no rodapé da página.

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larissapin@hotmail.com

sábado, janeiro 06, 2007

número 17 - Metrópole Locomotiva

Fui convidada pelo David para falar de bandas alternativas, e que estão fora ou à margem do grande público, ou ainda restritas a pequenos centros. Escolhi o rock daqui de Brasília, para inaugurar este espaço. Uma banda que me conquistou, por misturar música e poesia, de uma maneira tão única que chega a ser tocante, falo de Metrópole Locomotiva. Quem me conhece sabe, que só pelo nome da banda estaria arrebatada, por cultuar os temas metropolitanos, mas não é só isso.
O meu primeiro contato com sua música foi no Festival Rolla Pedra, comprei um CD, que era vendido ali mesmo, no final de sua apresentação. Fiquei encantada com o vocalista franzino, citando João Cabral de Melo Neto e poemas próprios no meio do ritmo do rock, tinha uma performance vigorosa, juntamente com os outros componentes, numa apresentação quase teatral.
Entrevistei Daniel Kirjner, o vocal e compositor das músicas, o “poeta da banda”. Infelizmente o guitarrista solo saiu, portanto a questão dos integrantes está meio confusa, “uma fase de transição e troca de integrante é sempre desgastante”, confessa Daniel.
Tudo começou numa reunião de amigos de colégio, querendo tocar rock, no carnaval do ano 2000. Daniel tinha algumas composições prontas e queria ensaiá-las. Daquela formação, só Daniel e Caverna estão até hoje na banda.
O grupo é formado provisoriamente por:
• Vítor Moraes (Moraes)- Guitarra;
• Rafael Gabler (Caverna) – Teclado;
• Pedro Martins (Makaeh) – Baixo;
• João Paulo Gravina – Bateria;
• Daniel Kirjner – Vocal.
Cada integrante da banda traz suas próprias influências:
Makaeh: Black Sabbath, Pupila (banda de Macaé) e Dance of Days. Caverna: Ramones, Raul Seixas, The Clash. Moraes: Los hermanos , Weezer, Radiohead, Beatles, Pavement, Nirvana.João Paulo: Rush, Sepultura, Led Zeppelin, Black Sabbath, Pantera, Dream Theater. Daniel: Lupcínio Rodrigues, Paulo César Pinheiro, Gonzaguinha, Elis Regina, Legião Urbana, Cazuza, Noel Rosa, Led Zeppelin, Rage Against the Machine e Bad Religion.
Vale a pena conferir!
Recomendo:
Apesar de Tudo (CD da Banda)
Minha música preferida é:
Conversa com os espíritos

Sítios:
www.metropolelocomotiva.com
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=439949
www.fotolog.com/metropole
Para ouvir Metrópole Locomotiva:
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=29202
Venda de CDs neste telefone: 81246503 (Daniel)
E-mail: Metropolebsb@yahoo.com.br

Boa semana, e até a próxima!

Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.

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sábado, dezembro 30, 2006

número 16 - Nathalie Brandes Lourenço

Sinto-me duplamente feliz quando o Caleidoscópio é uma indicação de um amigo, neste caso, Leandro Jardim, quem me apresentou a Czarina das Quinquilharias. Nathalie Brandes Lourenço, escritora, nascida em 1984, em São Paulo, onde vive até hoje.

Essa descoberta foi muito gratificante, pois vejo em Nathalie o ímpeto e o entusiasmo que tinha há dez anos, o que aumenta minha esperança de que algo, no campo literário, já está mudando nesse país.

Seu blog intitulado “Sabedoria de Improviso” desnuda uma escritora intimista e existencialista, mas não só isso, sacode as mentes desavisadas de maneira permanente, é contundente e perturbadora, sempre em tom confessional.

Seus contos trazem fragmentos de vidas que poderiam ser a minha ou a sua, caro leitor, e chocam, alguns pelo excesso se realismo, outros por um surrealismo, uma teoria do absurdo, tudo misturado em uma prosa simples, longe de ser simplória.

Sua poesia é mais leve, quase toca a doçura, em alguns momentos, se comparada à prosa, mas não estou e nem quero generalizar, pois Czarina é uma escritora versátil e criativa, confesso-me tocada por sua escrita em vários sentidos.

Em muitos textos que li, percebi que ela tem a facilidade de mudar o ângulo de visão do leitor, consegue guinadas que podem deixar tonto ou até nos deixar sem chão.

Recomendo:
Poesias:
Simbólico
Outro domingo
O que Jack não disse
Sem sapatilhas
Andaluza
Os mortos-vivos

Prosas:
A Yakissoba Story – Partes 1,2 e 3
A teoria na prática
O sexo ou HAAGEN DASZ
Prefiro o barulho do mar
Croniqueta

Blog:
http://sabedoriadeimproviso.blogspot.com/

Sítio:
http://www.zineabsinto.cjb.net/


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quinta-feira, dezembro 21, 2006

número 15 - Leandro Jardim

Sempre é bom reiterar ao leitor do prazer que sinto por estar aqui e, principalmente, descobrindo gente nova brotando e florescendo, neste solo fértil que é a rede. Leandro Schoemer Jardim foi mais um achado, uma dessas raridades, uma jóia, um oásis de bom gosto e de boa leitura.

Carioca, compositor, cantor, letrista e poeta, nascido em 1979, em Birmingham, na Inglaterra, onde seus pais brasileiros foram estudar mestrado e doutorado. Voltaram para o Rio de Janeiro quando ele tinha três anos de idade. Leandro faz questão de enfatizar que é brasileiro e carioca.

Diz ter começado a tocar violão aos dezoito anos, autodidata, contava apenas consigo e a boa vontade dos amigos, o violão era companheiro inseparável, começou a transformar suas tristezas compondo letras de música e confessa que no princípio não tinham qualidade.

Ao entrar no curso de comunicação da PUC, seu interesse por arte e música, em especial, deu uma guinada. Juntou os amigos em uma banda chamada Kauabanga e apresentou-se em seu primeiro show.

A banda acabou, mas Leandro continuou compondo e iniciou as gravações de seu trabalho e foi isso que marcou a sua guinada de compositor pra poeta: quando decidiu ser letrista, focar a parte da composição.

Conheceu Rafael Gyner, atualmente seu parceiro musical, que o presenteou com um livro de Fernando Pessoa, citou também Manoel de Barros, como influência, embora admitindo ter um estilo próprio, diz que a poesia foi elemento modificador em sua vida.

O blog nasceu dessa sua empolgação pela poesia e pela música. Nele Leandro nos brinda com seus poemas melodiosos, sonoros, que nos fazem viajar nos sons, nas toadas da natureza e da urbanidade. Traz amor e lamento em seus versos, afiados, cortantes. Vale a pena conferir!


Recomendo:
Trilogia do Lamento
Esse vento
Gênios e loucos
Urbanismo e Natureza

Blogs:
http://florespragasesementes.blogspot.com/
http://blogdesete.blogspot.com/

Ouça Leandro Jardim
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=34585

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terça-feira, dezembro 12, 2006

número 14 - Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves

Encontrei Paulo em uma comunidade do Orkut, chamada “Bar do Escritor”, um caminho muito diferente dos outros escritores já citados até aqui. Paranaense, nascido e criado na cidade de Ponta Grossa, Paulo Eduardo de Freitas Maciel de Souza y Gonçalves tem uma personalidade forte e irreverente, não faz questão de agradar, joga seus textos na cara do leitor e isso me apetece.

Seus poemas escatológicos, corrosivos, não deslumbram os olhos desavisados, mas como gosto de poetas marginais, o identifiquei logo, ele debocha da sociedade, das fraquezas e mazelas humanas, lembrou-me Glauco Mattoso, o primeiro escritor que apresentei aqui no Caleidoscópio.

Paulo é livre, desnudo dos falsos pudores sociais, pelo menos em sua poesia, na prosa participa de um blog, mas disse que não pode escrever palavrões neste espaço, então é mais recatado, o que não afeta em nada sua língua ferina, que chicoteia, tripudia do inconsciente popular.

Diz se interessar por física quântica, misticismo, e coisas que são tão inexplicáveis que sequer nome têm. Citou Bukowski e Remarque como influências.

No aspecto material, o conteúdo, confessa ter preferência sobre o formal, por isso se perde entre “acentos” e “porquês”, por se tratarem do meio e não do fim da escrita. Sendo assim, atenha-se ao conteúdo que esse escritor tem, ele é fascinante! Pouco convencional, mas surpreendente!

Como aviso sempre, escrevo apenas sobre o que me agrada, meu crivo é torto, mas tem crédito. Vale a pena conferir!


Recomendo:
Para quem tem Orkut:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2469156686073975035
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2463764322421592315
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2470783952545665275
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2460390677150191867
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455170911053566203
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2457956004071493883
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455728584639664379
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2455641837037703419
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3891757&tid=2456127342288326907

No Blog recomendo:
Criança magrinha
Dá nada, eu to bêbado
Da vida, o problema é viver

Blog:
http://nossogarfodecadadia.blogspot.com/

quinta-feira, novembro 30, 2006

número 12 - Alexandre Costa

As imagens, além da escrita me atraem muito. Encontrei o Fotoclube/508 por isso. As imagens me fascinam, pois acredito que uma imagem bela substitui várias palavras, dispensa comentários!

A descoberta de Alexandre Costa passou por essa lógica de pensamento. Esse carioca, que há 34 anos vive em Santos, formado em Comunicação e Tecnologia (enfatizando as áreas de rádio, televisão e cinema), fascinou-me num primeiro momento pelas imagens que cria. Ao me deparar com os trabalhos, que esse fotógrafo imprime, encantei-me e deixei-me levar também por suas palavras.

A escrita de Alexandre é suave, traz a marca de sua alma de poeta apaixonado pela vida, pela arte. É um otimista, e sem deixar de lançar seu olhar crítico e contestador, consegue afagar os olhos e a alma do leitor.

Tem um olhar poético da figura feminina, o que mais me atraiu foram as imagens femininas que ele produz, em geral, com elementos da natureza, flores, folhas, terra, mescladas com corpos nus ou seminus de mulheres belas.

Em seus textos, mistura prosa, verso e exala seu estilo leve, mas abrasivo. Traz uma realidade corriqueira, carregada de sentidos próprios. Suas fotografias e seus textos poderiam ser divididos por séries sazonais, como inverno, verão, primavera e outono, os textos têm cor, um sentimento novo que ainda não havia experimentado.

O artista afirma gostar do abstrato na poesia, na pintura, na escultura e na arte, em geral.

Como já disse, não confiem em meus olhos, maravilhem-se com a obra de Alexandre Costa, um poeta visual, um prosador olfativo, tátil, que encanta nossos sentidos.


Recomendo:
Contos
O homem que queria ser Jabor – (todos)
Diário de Penélope- (todos)

Poesias
Na cama macia um corpo dormia
Aqui estou a olhar este céu
Ao ouvir tuas letras
O caminho
A janela – entre tantos outros.

Blog:
http://contosecultos.blogspot.com/

Boa semana, e até a próxima!

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quinta-feira, outubro 26, 2006

número 11 - Rubro Jungüer Medina

E nessas minhas andanças pela rede encontrei mais um raro, Rubro Jungüer Medina, mineiro, reside em Belo Horizonte. Traz na escrita sua marca pessoal, nos seus causos, em sua visão multifacetada, retrata fatos cotidianos, carregados de sarcasmo, ironia, e absurdos.

Rubro está em constante metamorfose. Podemos encontrar textos leves, carregados de humor e brasilidade, como também textos trágicos, carregados de tragédia e escárnio, e tem obras para o público infantil, o que confirma sua pluralidade. Consegue nos surpreender a cada linha, a cada conto/crônica.

Quando perguntei sobre suas influências, citou várias, a simplicidade poética do Érico Veríssimo, o realismo de Machado de Assis, o “visceral e cruel” de Aluísio Azevedo, o “non-sense” (absurdo) de Mário de Andrade em Macunaíma, o novelesco de Sidney Sheldon e as tendências da literatura inglesa. Disse não gostar muito de citar influências, pois poderia soar pedantismo, e que as têm muito diluídas.

O que é certo é que seu estilo é provocativo, contestador, irreverente. Citei seus pareceres por serem parte essencial de sua obra única. Prende-nos a atenção de forma criativa e singular.

Suas indagações e conflitos são faíscas que viram verdadeiros incêndios em nossas mentes, e incitam à reflexão sobre o homem como indivíduo inserido na sociedade atual. É comovente a forma que consegue nos tocar e, por vezes, nos atingir.

Num passeio literário por seus textos descobri muito, tanto de sua gente, quanto de suas tendências. Foi um prazer conhecer seus blogs, sua modéstia, tão preciosos, neste mundo virtual. Vale a pena conferir!

Sítios:
http://napontadolapis.zip.net
http://gavetadoautor.sites.uol.com.br
http://nabocadopovo.flog.oi.com.br
http://napontadolapis.flog.oi.com.br
http://napontadolapis.flog.oi.com.br

Recomendo:
Cipozinho das Sete
Cavaleiro das nuvens
Acidente odontológico

Todos os textos que citei estão no sítio:
http://napontadolapis.zip.net

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quarta-feira, outubro 11, 2006

número 10 - Tatiana Carlotti

Será que internet vicia? Talvez uma certa dependência, pois acho que virei uma espécie de escrava do computador, não consigo mais desligar, é tanta gente para conhecer, tantos mares para navegar, que passo horas sem tirar meus olhos da tela.

Esta semana, falarei de Tatiana Carlotti, escritora paulistana, nascida em 1977. Conheci seu trabalho num sítio intitulado “Tudo Lorota”, quem indicou foi Márcia do Valle, a escritora que destaquei há duas semanas.

Seus contos/crônicas têm um tom surrealista, alguns com uma aura esfumaçada, meio onírica de não se distinguir a realidade do sonho, beirando à loucura. Outros são duros, retratando a solidão do ser humano, da mulher, todos os sentimentos amarrados com cenas frias da urbanidade.

Tatiana consegue unir a sutileza quente de um beijo à dureza de uma rua fria e vazia, nunca havia lido nada parecido, uma convulsão de sentimentos aleatórios que nos arrastam pela vida cotidiana e escancaram nossas fragilidades mais profundas. Seus escritos imprimem uma certa alucinação no real, e o leitor a acompanha nessa viagem tomado de sentimentos de empatia e aflição.

Confesso-me apaixonada por seu ímpeto, por sua maneira sinestésica de escrever, por isso me entrego e sei que dela ainda há muito por se conhecer. Ao ler uma frase dela que dizia, que todo ser humano fica só por duas horas, pois as maternidades não permitem que as mães fiquem no quarto com seus bebês, quando nascem, senti uma dor uterina.

Sou mãe, tenho uma filha, que só me deixaram ver vinte horas depois do parto, sentenciei a pobre a ficar sozinha, mais do que as duas horas que foram citadas pela escritora. E só atinei para isso ao ler sua crônica.

É por essas e outras que me encanta essa tênue linha que separa um ser do outro, esse ler o outro e ser tocado visceralmente por ele.

Tatiana tocou-me, não só por ser mulher, por eu sentir as mesmas dores que relata, mas pelo conjunto da obra. Vale a pena conferir!


Recomendo:
Crônica de um domingo chuvoso
Da Rua
Barracão
Anéis de fumaça
Vãos
Cachaça

Sítios:
www.tudolorota.com.br
www.bagatelas.net


E-mail da escritora:
tcarlotti@yahoo.com.br

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quarta-feira, setembro 06, 2006

número 9 - Cláudio B. Carlos (CC)

Ainda não entendo como pode haver tantos analfabetos, numa nação tão rica culturalmente, como a nossa. Deixo aqui minha indignação com os rumos da educação neste país, uma pequena homenagem sarcástica ao “dia da educação”, que deveria ser todos os dias!

Quanto mais bebo desse mundo mais entendo minha sede, e como é maravilhoso viajar nas letras, nas lendas de outros, sinto-me ofendida por saber que é privilégio para poucos.

Pois bem, vamos falar de coisa boa, que é o que me inspira toda semana, apresento a vocês, dentre tantas outras felizes, mais uma descoberta: Cláudio B. Carlos (CC), um gaúcho, nascido em 1971, na cidade de São Sepé, poeta e prosador.

O que me chamou a atenção nos textos de Cláudio, sobretudo em sua poesia, é a vivacidade de sua musicalidade, os poemas são carregados de aliterações, que dão um tom de canção aos versos, alguns com melodias ansiosas, outros com sons concretos como prego na madeira, ou um coração ressoando.

Cláudio consegue externar seus ecos interiores, e o faz com maestria, usa figuras de linguagem que nos fazem sentir incomodados com as “pedras no sapato”, indignados com as verdades cruas que apresenta. Imprime em sua obra a infância, a realidade, a religiosidade, a sensualidade, em seu vocabulário desnudo de pudores.

Não sei se é uma coincidência ou uma característica, mas percebi que em alguns de seus textos existe uma ode, um amor à sua terra, às suas raízes, notei o mesmo sentimento em alguns trabalhos de Carpinejar, que também é gaúcho.

O escritor tem cinco obras editadas: “Um poema para Elena”, “Um arado rasgando a carne”, “O aprendiz de Poeta”, “A pedra da Realidade” e “temporais atemporais tempo temporão”, os dois últimos livros citados são artesanais.

Em seu blog, o leitor encontrará poemas concretos, profanos, escatológicos, simbolistas, modernos, uma diversidade de boa literatura. Vale a pena conferir!

Recomendo:
Quem ama o feio...
Poema Temporal
Poema Temporal 2
Tormentas de setembro
Como gato que fica sem dono
Zoológico Ilógico
Sobre um servo imperfeito
Catarro
Donde brota o salobre
E tantos outros poemas sem título

Sítio:
www.claudiocarlos.pop.com.br


Blog:
http://balaiodeletras.blogspot.com

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segunda-feira, agosto 28, 2006

número 8 - Márcia do Valle

Só hoje, observei que só escrevi sobre escritores do sexo masculino, seria um relapso ou alguma espécie de preconceito? Fiquei dias me questionando, mas cheguei a uma conclusão: as mulheres são mais desconfiadas, quando abordadas por outra mulher.

Os homens não, eles se entregam, sem pudores, sem castrações, mas devo dizer que essa entrega não tem nada a ver com meu belo par de pernas, porque nenhum dos citados me conhece pessoalmente.

O que quero dizer é que o feedback masculino foi maior que o feminino, entrei em contato com o mesmo número de escritores de ambos os sexos, só a receptividade foi diferente.

Na minha oitava semana de Caleidoscópio terei o prazer de destacar o primeiro trabalho feminino, e vou citar uma escritora de estirpe, maravilhosa. Márcia do Valle nasceu no Rio de Janeiro, em 1977, sua escrita é recheada de poesias cadenciadas, de prosas intimistas e contos de ótima qualidade.

Márcia parece falar de si, mesmo escrevendo em terceira pessoa, suas confissões permeiam a maioria de nossas almas femininas, encanta, espanta e escancara esse ser solitário, confuso e inseguro que habita em todas nós.

Tive um primeiro contato com seu blog, um amigo indicou-me, dizendo, “leia Márcia do Valle, ela pensa como você!”. Sempre julguei meu trabalho desaforado, porque digo o que sinto, o que penso, sem me preocupar com as conseqüências que essa atitude pode trazer. Vi Márcia assim, neste mesmo tom confessional, mas de uma maneira elegante, consegue tratar com delicadeza as situações-limite.

No seu livro “180 graus”, descreve, esmiuçando, a trajetória de duas mulheres, uma carioca e uma francesa, que habitam a mesma narrativa paralelamente e só se encontram em um certo momento na história. O mais poético é que as duas têm culturas diferentes, mas são muito parecidas.

A descrição angustiante de seus conflitos internos traz a figura fiel da mulher atual, uma mulher que luta para ser reconhecida, amada e feliz. O livro é mais que um relato, é a expressão de uma escritora que conhece bem o universo feminino.

Como eu digo sempre aos meus leitores, não perco tempo em criticar escritores que não me agradam, é mais agradável e gratificante, devo admitir, falar de trabalhos como de Márcia do Valle. Acredito que em sua obra há muito de Virgínia Woolf e Simone de Bevouir, escritoras que falam dessas dificuldades femininas de uma maneira mais intimista.

Márcia do Valle é uma escritora apaixonante, em muitos trechos de seu livro, senti um nó na garganta, daqueles que só quem sentiu cada momento, como navalha fria na carne quente, sabe o que é o sofrimento e a angústia feminina. Vale a pena conferir!

Recomendo:
Livro180 graus – Editora Marco Zero

E os textos:
Partida
Se alguém disser que você é sua musa inspiradora...
Daqui a pouco começa a vida
Vazio
Meu corpo sem química pede por você
A minha imaginação vai longe
Uma vez me disseram
Era uma vez, uma menina que tinha uma lâmpada com um gênio


Blog:
http://www.soltanomundo.blogger.com.br/
Resenha:
http://www.verbo21.com.br/arquivo/ensaios_c_jun05.htm
Entrevista:
http://www.republicadolivro.com.br/info.php?not=10697&oque=2&cd_editora=302
Sítios:
http://www.escritorassuicidas.com.br/edicao2_6.htm#marciadovalle
http://www.escritorassuicidas.com.br/edicao3_6.htm#marciadovalle3
http://www.tudolorota.com.br/convidado.htm
http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_prosas.php?id_autor=2950&flag=nacional
http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_poesia.php?id_autor=2950&flag=nacional
http://www.gargantadaserpente.com/coral/contos/mdv_lapide.shtml
http://www.autores.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1100&Itemid=38
http://www.simplicissimo.com.br/index.php?option=com_comprofiler&task=userProfile&user=1126
http://www.segmentoarte.blogspot.com/

quarta-feira, agosto 16, 2006

número 7 - Otávio Augusto

Sabe o que me emociona nesse espaço? A interatividade, troco informações com pessoas do Amazonas ao Rio Grande do Sul, sem falar dos inúmeros amigos que fiz por todos os cantos desse mundo. Lugares que só terei condições de conhecer se minha vida mudar muito!

Como sempre me refiro a rede como um grande oceano, onde se navega muito e se aproveita pouco! Mas nesse mar de possibilidades encontrei um diamante, Otávio Augusto Marin Martinez, um desses casos raros, onde a gentileza, humildade e talento habitam num mesmo ser.

Nosso primeiro contato foi por ser fotógrafo e dizia ter uma foto perfeita para um poema meu: “A cidade ferve em faróis”, senti-me encantada por seu olhar diferenciado e suas imagens cotidianas. Acabei por ceder meu poema para a foto dele e vice-versa, um casamento mesmo, é como me refiro ao nosso trabalho.

Por curiosidade, comecei a ler seus textos e perceber que tinha talento, quanto mais eu lia mais extasiada ficava, por entender que quando Otávio me procurou, não precisava de meu poema, pois é um artista completo, além de fotografar, escreve impecavelmente.

Ao ler seu ensaio: “Origens da segunda Guerra Mundial e Reflexões sobre a ONU”, entendi que seu conhecimento ultrapassava minhas fronteiras, ao contrário de mim, ele é um acadêmico. Natural de São Paulo, formado em Relações Internacionais, com 24 anos, escritor e músico multi instrumentista, reside em Londres, onde pretende terminar seu Mestrado, tendo como foco de pesquisa os efeitos da globalização nas repúblicas pós-soviéticas.

Contista/ cronista, ensaísta, crítico de cinema e como ele mesmo diz, raramente poeta e prosador poético, Otávio encanta por ser um artista facilitador e atingível, digo isso porque seus textos não são truncados, sua obra é fácil de ser compreendida por leigos.

Como fotógrafo, diz acreditar que simples imagens cotidianas representam o registro mais fiel da realidade humana, e afirma não ser do tipo que fotografa monumentos ou rostos marcantes, e sim a vida em movimento, o sangue fervendo nas veias, as angústias, as lembranças nostálgicas e as esperanças de um futuro melhor.

Na entrevista, ao falar de seu estilo, citou várias influências, desde Shakespeare, Kafka até Virginia Woolf, Augusto dos Anjos. A meu ver tem estilo próprio, o que ele mesmo intitula de “DNA Otaviano”, é impossível encaixá-lo em um só movimento, pois como já disse Otávio é um artista multimídia, atual, antenado.

Ele é pesquisador e membro do grupo de estudos sobre a obra de Virginia Woolf da Universidade de Ohio (EUA). Inclusive, seus trabalhos mais recentes são alguns contos, que desenvolveu a partir destes estudos sobre a escritora.

Otávio Augusto é uma avalanche cultural, o que corre em suas veias é arte, o que o move é essa busca incessante, é realmente um Universo Pensante, e isso me impressiona muito! Vale a pena conferir sua obra!



Recomendo:
Marasmo Ideológico
Hugo Chaves: O retrato de uma esquerda decadente
Medo
A Arte de ser do contra
A Cinderela barbuda
Na sala com Virginia Woolf (I)
Na sala com Virginia Woolf (II)

Blogs:
http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=3229
www.universopensante.blogspot.com


Sítios:
www.cronistas.com.br
www.mundocultural.com.br
www.sanesociety.org



Boa semana, e até a próxima!

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quinta-feira, agosto 10, 2006

número 6 - Dudu Oliva

Mais uma semana, agora me sinto revigorada, pois tive tempo de ler e conhecer mais escritores, isso me faz muito bem. Vou falar de Eduardo Oliveira Freire, ou Dudu Oliva, nasceu em 1978, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro. Formado em Ciências Sociais e cursa Pós Latos Senso em Jornalismo cultural e se diz pretenso escritor.

A leitura de seus escritos é um prazer, pois ele trata do cotidiano, da correria, do distanciamento, da falta de tempo das pessoas. Já li alguns contos, crônicas e o mini-romance virtual “Cartas Íntimas”, onde um casal pouco convencional troca e-mails pela rede mundial. Tem um humor sarcástico, um tom irônico, a realidade é descrita com tanta naturalidade que acreditamos na vida, nos sentimentos escancarados, suas palavras, por vezes, de tão verdadeiras são vexatórias para seus personagens.

“Eu sou minha própria esfinge e me devoro, por não me desvendar na imensidão sem fim, que é o meu ser”, assim ele se descreve, mas aos meus olhos, Dudu se mostra nas entrelinhas, é sutil e apaixonante, trazendo ao leitor uma linguagem atual, compreensível e fluida.

O que me chamou a atenção nos trabalhos do escritor é a simplicidade, e como já disse de outro escritor, Eduardo quebra a regra de certos críticos que julgam menos importante a obra de escritores jovens.

Não esconde o desejo de publicar seu livro: “Contos de UM ASPIRANTE A ESCRITOR”, uma coletânea de contos diversos, que trata de vários universos de uma maneira que só ele sabe fazer.


O que sei é que Dudu Oliva é um jovem escritor, embora ainda não admita ou não assuma que é. Encanta-me com suas realidades rotineiras, que de tão simples nos fazem repensar-nos como humanos. Finalizando meu texto citarei uma frase dele, que ainda ecoa em meu peito e em minha mente: “Percebi que todos nós, seres humanos, somos um pouco bonecos. Ficamos num estado de não pensar. Eu, muitas vezes, passo horas sem fazer nada sentado na mesma cadeira velha".

Recomendo:
Cartas Íntimas
A grande deusa
Alguns trechos de seu pretenso livro Imperceptível, sob os títulos:
22/04/2004 e 05/03/2004
Os seus blogs:
http://dudve.blogspot.com/
http://dudu.oliva.blog.uol.com.br
http://cartasintimas.zip.net
http://oliveira-freire.blog.uol.com.br/
http://spaces.msn.com/entrevistaseartigos/blog/
Sítios:
http://www.bestiario.com.br/21_arquivos/contos_breves.html
http://www.bestiario.com.br/10_arquivos/contos%20curtos.html

http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_prosas.php?id_autor=2648&flag=nacional
http://kkfs.trix.net/delicatosenses/edicao10/dudu/clamando.htm
http://kkfs.trix.net/delicatosenses/edicao03/Dudu_oliva/Tenho_um_segredo.htm
http://webwritersbrasil.com.br/detalhe.asp?numero=1099
http://www.recantodasletras.com.br/autores/amando
http://www.escrevinhadora.com.br/site/leitor.html
http://www.rbsul.net/ideias/ideia14.htm
http://www.rbsul.net/ideias/ideia13.htm
Boa semana, e até a próxima!

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quinta-feira, julho 27, 2006

Estréia: “Dinheiro Grátis” de Michel Melamed

Estréia: “Dinheiro Grátis” de Michel Melamed

Em nota especial falarei do espetáculo “Dinheiro Grátis” de Michel Melamed, que entra em cartaz dia vinte sete de junho. Esse poeta, carioca, vinte e nove anos é meu ídolo, sendo assim não poderia deixar de convidar meus leitores que moram em São Paulo para prestigia-lo.

Com sua chamada para a estréia é: "Se tudo tem seu preço e o homem é tratado como mercadoria, vamos tratar, então, o dinheiro como gente", ele faz com que o espectador reflita sobre a banalização do ser humano, de suas relações sociais e da linha tênue que separa a ética e o mercantilismo.

Como no seu primeiro espetáculo “Regurgitofagia”, Melamed trata diretamente com o público que participa voluntariamente do espetáculo, conseguindo assim além da participação, a compreensão da mensagem que está explicita na peça.

Diz que seu teatro é uma transgressão em forma de conteúdo, e a julgar pelo sucesso de público, Melamed atinge seu objetivo.

Para quem mora em Sampa:
Dinheiro Grátis. 70 minutos de duração, maiores 14 anos. Tucarena, Rua Monte Alegre, 1.024, Perdizes. Sextas-feiras e sábados às 21 horas; domingos às 19 horas. O ingresso custa 40 reais e às sextas-feiras, 30 trinta reais. Em cartaz até trinta de julho.

sexta-feira, julho 14, 2006

número 4 - Claudio Eugenio Luz

Como o escritor da semana passada, encontrei Claudio Eugenio Luz, por acaso ao comentar um poema de um amigo em comum, e ao me deparar com seu “blog” apaixonei-me por seu estilo. Escritor, nascido em 1968, em Agudos, interior de São Paulo, e radicado em Santo André, no ABC paulista. Estreou sua vida literária - impressa em 2005, na revista Literatura número 30, editada pelo escritor Nilto Maciel, em Fortaleza, estado do Ceará.

Está preparando seu primeiro livro, intitulado “Perambulando pelo Caos”, mas como outros tantos escritores aguarda o olhar atento de alguma editora. Sua escrita é constituída de contos estonteantes, que retratam de forma rica, a infância, a urbanidade, interiores, interioridades e amores.

Seus textos breves e densos levam-nos ao paraíso e ao inferno de suas percepções individuais, mostrando-nos um mundo repleto de contrastes e simultaneamente regrado de coincidências aterradoras.

Com uma grande versatilidade mergulha em dramas fortes que retratam o cotidiano sob vários prismas, autópsias dissecantes de si mesmo, da massa, do povo sofrido e das favelas.

Destaca a vida nas cidades, as lembranças e vivências infantis, e os amores. Divide seus textos por “séries” específicas, mas não há um só conto que não traga a pluralidade de temas condensados em uma só história.

Tem uma linguagem informal que traz o leitor para si, e faz questão de não esconder suas opiniões ao usar em abundância a primeira pessoa em seus contos, dando um aspecto revelador e intimista.

Não é poeta, como os outros escritores que já destaquei, mas isso não o desmerece, sou poetisa e dou-me o direito de ver poesia em sua escrita. E como só me dou ao trabalho de comentar quem me agrada, Claudio é uma grata descoberta nesse mar de anônimos que é a internet.

Recomendo:
Decifra-me
Antes da queda
Il Primo
Vacas magras não dão crias


Sítios disponíveis:
http://www.releituras.com/ne_celuz_minicontos.asp
http://www.ocaixote.com.br/caixote08/08_contos_claudioel.html
http://www.eraodito.blogspot.com/archives/2003_05_01_eraodito_archive.html
http://www.sescsp.org.br/sesc/convivencia/oficina/integra_2contos.htm
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.phtml?cod=39793&cat=Artigos

Blog:
http://www.canteirodeobras.blogspot.com/
Boa semana, e até a próxima!
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sábado, maio 27, 2006

número 3 Aluisio Martins

A internet moderniza a busca tradicional de leitura de um lado escritores, desconhecidos do círculo literário e da mídia editorial que vêm se destacando e por outro lado leitores afoitos, ávidos por novas tendências, confrontam-se em um novo mercado de cultura, que é latente e infinito. Os “blogs”, sítios, jornais virtuais crescem de uma maneira frenética aumentando cada vez mais o número de interessados neste tipo de mídia.

Aos olhos críticos há muita coisa ruim, entre parcos talentos, aos olhos otimistas há um movimento literário pungente que poderá estimular a produção e a fomentação de mercados além da rede mundial. Concordo em parte com as duas correntes, mas tenho que aceitar que a modernidade me trouxe mais felicidades, num balanço geral.

Foi pela rede que conheci os textos de Aluisio Aderaldo Martins Rodrigues, cronista, ficcionista, poeta, nascido em 1967, em Fortaleza, Ceará, profissional na área de desenvolvimento e gestão de projetos voltados para a cultura e desenvolvimento social e edição de livros.

Descobriu a sua segunda paixão, em meio ao grande colapso que é a puberdade, os livros. Confessa que escrever tornou-se vital como tentativa de exprimir-se, deixando implodir-se em dores de seu mundo, libertando-se em escrita para a vida real.

Sua poesia assim como sua prosa informal, intimista, provocadora e ao mesmo tempo encantadora e sedutora e promovendo uma explosão de temas, cores, sensações, que transita do choro ao riso, do prazer ao ranço, do inferno ao paraíso num só verso. Consegue muitas vezes em apenas um texto despertar amores, ternuras e rancores adormecidos, e nos convida não só a reflexão, mas também à ação.

Aluisio tem um ritmo próprio, é uma metralhadora de metonímias, aliterações, metáforas, alegorias, e consegue instigar nossos sentidos a sensações extremas. Tem a capacidade de discutir religiosidade, espiritualidade sem ser sectarista, narra o amor com luxúria, abusa da sensualidade e da realidade crua, sem floreios cumulativos e disseca a urbanidade cuspindo nas fuças da desumanidade. Conhecedor das desigualdades presentes no micro e no macro social, hora por seu ofício, hora por sua vivência, assume uma postura ofensiva diante das discrepâncias sociais.

Por um ano, no jornal A Gazeta, manteve uma coluna sobre gestão da informação e inclusão social. Participou da criação e da implantação de inúmeros projetos envolvidos com questões sócio-culturais como: programas educativos de rádio, eventos culturais (shows e lançamento de campanhas), rádios comunitárias, além de ter trabalhado por três anos (2001-2004) como consultor do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) durante o desenvolvimento e gestão do Programa de Desenvolvimento Econômico e Sustentável do Estado do Acre. Além da criação de vídeos e documentários educativos, mais precisamente na produção, direção e sonorização, entre eles, os documentários “Trilhas de sustentabilidade”, produzido para WWF, e “Seivas” pela agência de comunicação Trilha Ambiental.
É um escritor livre, fora dos padrões cultos, não tem preconceitos e trata de temas polêmicos com naturalidade e desenvoltura. E tem uma citação de Aluisio que o descreve bem: “Gosto das imagens e dos desejos que elas podem provocar por detrás do olho quando verdadeiramente despido. Gosto de toda arte nua desde que semeie fúria e mal-estar nas vísceras. Escatológica, excremental, pornográfica, não importa. Gosto daquilo que choca e propõe no revés o normal. Porque todos somos independentemente do que possam pensar".
Vale a pena conferir!
Recomendo todos os textos que tive contato, que estão à disposição na internet, tem um blog e publicações em sítios conceituados como:
Revista Cult, Revista O Caixote, Revista Verbo21, Bestiário (Revista de Contos), Meio Tom, Rascunho – Caderno de literatura e O Pátio.

Blog:
http://fenosefenotipos.zip.net/

Links:
http://www.verbo21.com.br/principal.htm
http://www.ocaixote.com.br/caixote20/contos20_Aluisio.htm
http://www.kkfs.trix.net/delicatosenses/edicao08/Aluisio/Moderna_menina_A.htm
http://www.cortica.org/contos/contos.html
http://www2.uol.com.br/camaredonda/center/favoritos/textos/textos.htm&e=42
http://www.projetoidentidade.org/site/
http://www.revista.agulha.nom.br/indiceA.html
http://www.gargantadaserpente.com/autores/aluisio_martins.shtml
www.tanto.com.br/AluisioAderaldo.htm

Boa semana, e até a próxima!
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domingo, maio 14, 2006

número 2 Fabrício Carpinejar

Vou destacar hoje o trabalho de Fabrício Carpinejar, poeta, jornalista, gaúcho, nascido em 1972, na cidade de Caxias do Sul, filho do casal de poetas: Maria Carpi e Carlos Nejar, de onde tirou inspiração para seu sobrenome artístico a junção dos sobrenomes dos pais.

Carpinejar traz ao leitor sua voz interna, de maneira lírica e apaixonante e confesso ainda estar sob o efeito de seu livro “Um Terno de Pássaros ao Sul”. Seus poemas cheios de suas peculiaridades subjetivas e a sua maneira de moldar a sintaxe e os signos impressionam. Passeia entre a linguagem poética e a visão mítica imprimindo seu estilo único.

Sua busca interna se assemelha e por que não dizer que é a mesma de todo ser humano, consegue tocar a memória ou o consciente coletivo, longe de dizer que é um escritor comum, mas seu tom intimista faz com que nos sintamos próximos dele, e por vezes ouso dizer que me senti em sua pele, em suas indagações.

Vi em sua obra uma busca por suas raízes no livro “Um Terno de Pássaros ao Sul”, o amor que tem por elas, como também é visível sua busca do por vir, um confronto com seu futuro, retratado belamente no livro: “Terceira Sede”, onde discorre sobre o seu futuro no ano de 2045.

Fabrício flutua entre o que viveu e o que imaginou, e não há uma linha que divida esses dois estágios, permeia nossa leitura com sensações que consegue descrever com tanta clareza e sinestesia que nos dão a dimensão de serem reais. Com seu tom humano de se mostrar, retrata o amor, a perda, o desencanto, os sonhos em suas viagens humanas.

Lida com as palavras livremente, o que é uma tendência da poesia contemporânea, não há ritualização para a escrita, é mais uma escrita confessional, impregnada do trivial, cotidiano e passeiam pelo universo paralelo de sua subjetividade numa fluidez que impressiona. Mas não quero defini-lo como poeta contemporâneo, não vejo uma divisão clara em seu estilo para encaixa-lo em parâmetros de movimentos literários.

Carpinejar é um insulto, é a bofetada latejante na cara da desconfiança e do descrédito aos “jovens poetas”, para talentos não existe idade, existe preparo, estudo, dedicação, em qualquer área de atuação, inclusive a escrita.

Recomendo:
Um Terno de Pássaros ao Sul
Terceira Sede

Visite o sítio oficial do autor:
http://www.carpinejar.com.br/

Desejo uma boa semana e até a próxima!

Nota: O escritor lançou na última quinta-feira, dia 16 de março, seu primeiro livro de crônicas: “O Amor esquece de Começar”.

sexta-feira, abril 14, 2006

número 1 Lucas Rafael Nolli

É sempre um prazer estar aqui falando de escritores jovens e talentosos, Lucas Rafael Nolli Duarte ou simplesmente L. Rafael Nolli, como se apresenta, é mais um desses doces encontros nessas minhas viagens cibernéticas. Mineiro, da cidade de Araxá, nascido em 1980, esse menino já tem um livro de poemas publicado, intitulado “Memórias à beira de um Estopim."

Diz que seria complexo falar de influências literárias, pois tem várias, desde Dostoevski, Gabriel Garcia Marques, Cecília Meireles, Augusto dos Anjos, até Nietzsche! Disse que não queria esquecer nenhum de seus preferidos. Confessou ainda que o teatro, o cinema e a música tiveram e têm um papel importante em sua formação intelectual.

Seu estilo está longe de ser estilizado.Garante não se seduzir por manobras estilísticas, tão comuns na poesia atual. Gosta de trabalhar a sonoridade, na interação de palavras e signos, e diz usar seu verso para atingir as pessoas, rechaçando o típico poeta que se distancia da realidade e não usa da poesia como instrumento modificador ou como movimento de quebra com a elitização da poesia.

Num primeiro momento, vi traços de rebeldia nele, na sua escrita disforme, sem regras rígidas, mas isso foi se dissipando, por notar que sabia perfeitamente o que estava fazendo e que era algo premeditado, arquitetado em sua mente brilhante.

O que mais me agradou, na escrita de Rafael, foram suas aliterações, ele faz música, brinca com as palavras de uma maneira desajustada e encantadora, mas parece que faz isso de propósito também. É um jovem engajado, participa de movimentos interessantes, tanto em blogs quanto em comunidades do Orkut.

Como eu, Rafael tem se dedicado muito aos blogs e a essa nova geração (poetas, músicos, artistas plásticos, pintores) que usa a rede para divulgar sua arte.


Recomendo:
Canção de Ninar
Dança das Nove
Poema de Amanhã
XXXII

Blog:
http://nolli.zip.net/

Boa semana, e até a próxima!

Agradecimentos especiais à Caroline Schneider, que gentilmente revisa meus textos.

O objetivo maior do meu trabalho é a troca, por isso há espaço para comentários no rodapé da página.

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