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sexta-feira, março 27, 2026

transitório



ontem, vi um par de olhos no metro
eram olhos vagos
cada qual para uma direção
diria vesgos
e tão preenchidos
de alma

hoje, voltei à mesma linha azul
e aqueles olhos já não estavam
eram diversos outros
e na maioria
não estavam lá

há um tempo decorrido
em mil anos ou mais
que eu desconheço
onde passos brilhavam
onde pessoas amavam


há milhões de anos luz
não sei se no passado
ou no futuro
eu amei os olhos vesgos
e ainda os amo

não me olhe






como se eu fosse um bicho
não me olhe
como se eu não tivesse limites
e não tenho
esse seu olhar de peixe morto
é recorrente

já pedi para outros
que não me olhassem assim
não funciona bem
não é de bom tom

esses olhares pressentem
esses olhares me contam
que amanhã tudo estará morto
como os olhares dos peixes
na lagoa rodrigo de freitas
ou como no rio tejo