íntimado
(para meu íntimo amado)
toma-a íntimo
por não ter
a dor de amador
ah, meu!
ah, tão teu!
que não toma
o id que me doma
a dor que me toma
ama-a
meu íntimo amado
íntima dor!
quarta-feira, abril 30, 2008
domingo, abril 27, 2008
já que os silêncios
aprofundaram-te a fala
que jaz, introspectiva
rogo que consiga eu me calar
pois não há por que de escrita
se não há ninguém para
interpretar
agasalha-te nesse ostracismo
forte e vicioso
que é ele que cabe
aos fortes de espírito
e sedentos de saber
fura esse engano torpe
que ilude os tímpanos
e alivia as dores
devassa as incondições
humanas
de enfrentamento da dor
e cataloga as incertezas
que habitam em tuas retinas
quem sabe daqui há dois mil
anos luz
descubram
Homo Sapiens sentimental
e comovam-se pois não passaria
de um homem-de-neandertal.
aprofundaram-te a fala
que jaz, introspectiva
rogo que consiga eu me calar
pois não há por que de escrita
se não há ninguém para
interpretar
agasalha-te nesse ostracismo
forte e vicioso
que é ele que cabe
aos fortes de espírito
e sedentos de saber
fura esse engano torpe
que ilude os tímpanos
e alivia as dores
devassa as incondições
humanas
de enfrentamento da dor
e cataloga as incertezas
que habitam em tuas retinas
quem sabe daqui há dois mil
anos luz
descubram
Homo Sapiens sentimental
e comovam-se pois não passaria
de um homem-de-neandertal.
quinta-feira, abril 17, 2008

“O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter.” - Jean-Paul Sartre
autodestruição
desejei o submundo
o cais do porto
a maresia que guarda tudo
o cheiro da morte
faltou-me o nome
sobrenome, pão
memória e costela
e ainda quis o desterro
destruí minha retórica
remoí minhas vísceras
e servi no jantar
com vinho barato
venéreo, contaminei algumas
virgens astutas
doces prostitutas
e carolas malamadas
desfolhei cadernos
anotações rasas
versos nulos
para amores vãos
e só tenho o que não quero
palavras falhas
mãos calejadas
e pensamentos execráveis
a vaga lembrança
que resplandeci
talvez amei, não sei,
já faz tanto tempo
antagônico aos desejos bobos
quereres utópicos, ouro dos tolos
almejei apenas ser sozinho
e não sou.
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Larissa Marques,
Poesia
sexta-feira, abril 11, 2008
visagem

estes olhos
vendados em fuga
sem saber para onde
não têm porque
lajeados perdidos
em telas brancas
sob pincéis ásperos
e pouca tinta
em bocas desdentadas
recitam asco
fraquezas e taras
macias e aleijadas
vivem paraísos ilusórios
e pintam paisagens cinza
com a fumaça da metrópole
truculenta e assassina
adornam lagos e rios
com pontes inúteis
e caminhos fúteis
deixando de ser
percebem, enfim,
que nada mais os afeta
seja o silêncio
ou a palavra que execrada
tudo é questão de amperagem
ou gerarão força motriz
e perdendo-se em intensidade
ou serão graxa de engrenagem.
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