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terça-feira, abril 04, 2006

Esta não é uma carta de adeus, é uma última satisfação, dentro de tantas outras explicações que já te dei. Não perderá nada enquanto eu me privar de minha vida. É jovem e muitas outras mulheres hão de ocupar melhor que eu, esse espaço que ainda me cabe.
Sempre estive sozinha, aliás, sempre cultivei minha intimidade, não estou te culpando, apenas deixando claro que foi uma escolha particular. Já amei muitos homens, mais até do que te amei algum dia, mas não cedi a eles nem a milésima parte do que cedi a você, não que tenha me coagido a fazê-lo, mas por que em certos momentos sentia-me segura com sua presença, com seu afeto.
Permaneci e permaneço num estado de dormência, por que aos poucos fui abrindo mão de me impor, de me expor diante de todos, inclusive de você. Não sou mais a mulher que escolheu para conjugar uma vida de realizações, não sou nem sombra dela, já me orgulhei mais de mim, sinto-me constrangida com o que sou.
Não tome meu gesto como um suicídio, nem como uma covardia voluntária e vexatória, não sou uma suicida, sou uma inconformada, revoltada até. E se bem me conhece, não jugo que conheça, deve saber que sinto um prazer enorme em destruir tudo o que me incomoda.
Neste momento o que me afeta é essa caricatura minha, que vejo ao me observar com calma e atenção. E quem toma essa iniciativa é aquele ser que fui, que permanece imaculado em algum lugar nesta mente frágil, mas que ainda se esconde para se preservar.
Não sinta minha falta, nem vele esse corpo que sobrará, pois ele é apenas o invólucro dessa alma vencida e cansada de si mesma.



(Mais uma vez peço desculpas por minha total incompentência de não conseguir espaçar meu texto, o que me parece impossível neste blog, peço sua compeensão.)

Agradecimentos especiais ao fotografo Paulo Brasil, autor da fotografia que ilustra meu texto. Você poderá ver mais trabalhos do Paulo Brasil no endereço:

http://www.flickr.com/photos/tags/paulobrasil/

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7 comentários:

Claudio Eugenio Luz disse...

Uma narrativa que joga e brinca com um outro que não está presente.Isso é sempre bom.

hábeijos

claudio

Bill disse...

Ola...

O que posso dizer, a palavras estão tão fortes nesse post que assustam, momentos de clareza de pensamentos que nos atem sempre: “Neste momento o que me afeta é essa caricatura minha, que vejo ao me observar com calma e atenção”, fabuloso.
Adorei seu blog, já vou adicionar aos favoritos para que possa voltar mais vezes.
Ótimo dia

:**

Bill disse...

Opa, não esquecendo claro, foto perfeita, escolhida com muito esmero.

:***

eduardo disse...

Nossa, o poema é lindo. Quando crescer quero escrever que ne você:

http://dudve.blogpost.com/
http://oliveira-freire.blog.uol.com.br

FC disse...

Parabéns pelo texto! Quanto ao espaçamento para justificar o texto, vais ao editar e usas o sinal onde todos os traços têm o mesmo tamanho e vais conseguir!! Bjs

Warum Nicht? disse...

suicidio é algo que sempre me incomoda. é um direito que me sufoca.
alternativa que você espia com o canto do olho, faz que não vê. que não está ali.
melhor seria largar tudo e ser pescador em sergipe!

*CAROL* disse...

Querida poetisa...
Mais uma vez me emociono ao ler tuas linhas, sem dúvida és uma mestra na arte de lidar com palavras... e sentimentos.
"Não sinta minha falta, nem vele esse corpo que sobrará, pois ele é apenas o invólucro dessa alma vencida e cansada de si mesma." - simplesmente formidável este desfecho. Só tenho mais uma coisa a dizer... BRAVO!!!
beijos poéticos