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sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Estou distante de tudo
Fito o teto com o olhar morto
Sigo meu instinto torto
Por um segundo, deitado no meu sofá felpudo.

Cinzas breves, boca, cigarro,
Viajo na fumaça, no pigarro,
Vago entre o imenso e o nada
Entre o acostamento e a estada.

Farto do governo, da falta de dinheiro,
De não ter a vida que sempre quis
E estou vivo nessa inércia o dia inteiro
Enquanto o desemprego me incomoda e assola o país.

Enquanto fumo o tempo passa
E me sobra o despeito, a fumaça,
E a constatação da massa
Que vive nessa maldita desgraça.
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5 comentários:

Alex Mendes disse...

Lembrou-me aquelas divas do cinema dos anos 60 com seus indefectíveis Marlboros em lábios cinza-escuro e peles brancas (era tudo em preto-e-branco...).

Túlio Henrique Pereira disse...

Larissa, estou aqui fumando o seu cigarro (não fumo) e pensando nas contas que tenho a pagar e no emprego novo que estou almejando, e pensando uma coisa: tenho um poema que fala da mesma realidade da que essa poeta está retratando. E sabe porquê? Porque estamos vivendo essa realidade, numa inércia que nos entorpece. Ah, estou aqui por intermédio seu, entrei pra ler sua obra li e achei interessante divulgar um pouco do que faço. Parabéns!!! Quando sair o livro passe scrap que quero o meu!

Anônimo disse...

Posso sentir até o gosto do cigarro. Você nos leva a sentir realmente os seus poemas.Abraços. Anônimo.

Sociedade dos Poetas Vivos disse...

Para ser lido com um cigarro na mão. Mesmo quem não fuma como eu. Lindo.

Wainy disse...

Bom dia. Profunda poesia que traduz realidades do cotidiano, da vida.